Número de homicídios cai 32% no Paraná em 2019

271 dos 399 municípios do estado não registraram nenhum homicídio doloso neste ano

Katna Baran
Curitiba

O Paraná registrou uma redução de 32% no número de homicídios dolosos –aqueles em que há intenção de matar– no primeiro trimestre de 2019 em comparação com o mesmo período do ano passado, segundo dados divulgados pela Secretaria Estadual de Segurança Pública e Administração Penitenciária.

De acordo com a pasta, 271 dos 399 municípios do estado não registraram nenhum homicídio doloso neste ano, o que representa 68% das cidades. Especialistas, porém, questionam a base da dados usada pelo governo para aferir a redução da criminalidade no estado.

Foram registrados 381 casos de homicídios dolosos no Paraná entre janeiro e março de 2019, ante os 558 do mesmo período de 2018. A maior redução ocorreu na região sudeste do estado, na área integrada de São Mateus do Sul, com queda de 90% nos casos. Do total de 23 áreas integradas de segurança pública, 16 obtiveram números reduzidos de crimes como esses no período.

Curitiba, capital do estado, também apresentou diminuição no número de registros, com 30 homicídios dolosos a menos do que em 2018, o que representa uma redução de 38%. O percentual é semelhante à queda observada na região metropolitana, que foi de 40% nos 22 municípios que integram a área. O indicador é da própria secretaria de segurança, que utiliza como parâmetro o registro de ocorrências.

Luiz Felipe Carbonell, secretário de Segurança Pública do Paraná, atribuiu os números ao trabalho integrado entre as polícias civil e militar. “Tivemos um emprego mais eficaz da inteligência, com a soma de maior policiamento nas ruas e incremento nas investigações”, disse. Segundo ele, também houve uma modificação na metodologia de operações, com distinção entre meios estratégico, operacional e tático, adaptável a cidades de diferentes tamanhos e proporções.

Especialista em direitos humanos e presidente da comissão de estudos sobre violência de gênero da OAB do Paraná, a advogada Helena de Souza Rocha alerta, no entanto, para a base de dados utilizada pelo governo para aferir a redução no número de homicídios.


“Deve haver uma maior transparência nos registros. Quem disse que um ou outro se trata de homicídio doloso? Às vezes pode ser uma morte resultante de uma ação policial, não sabemos”, afirmou.

“Quando a gente fala em homicídio, os dados mais confiáveis são os da saúde e não os da polícia, o problema é que aqueles são mais morosos. Muitos casos não são reportados à polícia ou não são registrados como a realidade dos fatos”, disse a pesquisadora em sociologia da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) Thaís Duarte.

Para as especialistas, não só a divulgação, mas o recorte que se coloca sobre os dados de segurança pública são um desafio para a área. “Transportando isso para a questão do feminicídio, por exemplo, existe uma perspectiva de gênero que às vezes não é observada, ou seja, nem todos os crimes são registrados como feminicídio ou só o serão a partir da investigação policial”, disse Helena.

Para Thaís, só se pode falar em política pública adequada se houver um retrato adequado do contexto em que se está inserido. 

O secretário da Segurança Pública afirmou que a administração adotou também uma “metodologia mais adequada” para o tratamento de detentos nos presídios do estado. “Está havendo um tratamento mais rigoroso nas penitenciárias. Tanto na facilitação de acesso ao regime de progressão de pena, diminuindo a influência das facções na sociedade, quanto na melhor adaptação de diversos presos ao regime penitenciário”, disse.

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