Em reunião com empresa, Salles não apresenta plano para rever taxa em Noronha

Ministro vai fazer uma vistoria técnica em três praias da ilha nesta sexta-feira

João Valadares
Fernando de Noronha (PE)

Em reunião com representantes da empresa Econoronha, responsável pela arrecadação da taxa de visitação das praias do parque marinho do arquipélago, o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, não detalhou como o governo federal pretende rever a cobrança.

O contrato entre a concessionária e o governo federal também não chegou a ser analisado neste primeiro encontro.

A visita do ministro ocorre após o presidente Jair Bolsonaro (PSL) afirmar que a taxa cobrada era um roubo e precisava ser revista. Ao ser questionado sobre o tema na manhã desta quinta-feira (18), Salles silenciou

Nesta sexta-feira (19), ele vai vistoriar três praias onde há catracas e cobrança de ingressos. O objetivo é verificar se o recurso arrecadado está de fato sendo aplicado corretamente na manutenção e infraestrutura do local.

Salles também recebeu, no hotel de trânsito da Aeronáutica, os donos das maiores pousadas da ilha. Em seguida, visitou instalações do ICMBio, braço do ministério responsável pela conservação da fauna e da flora, e fotografou estruturas precárias do órgão. 

Mais uma vez, como havia ocorrido pela manhã, o ministro se negou a falar com jornalistas. Mais cedo, havia dado apenas uma declaração sobre o que considera alguns problemas de Noronha: abastecimento, esgoto e infraestrutura do aeroporto, de responsabilidade do governo estadual. 

O presidente da Embratur, Gilson Machado, que faz parte da comitiva, disse que era preocupante o estado de degradação do patrimônio público.

Duas lanchas do Ibama abandonadas chamaram a atenção. “Isso é um absurdo”, disse Machado, apontando para as embarcações.

No fim da tarde, o ministro desceu uma trilha com pedras escorregadias para acessar a praia do Boldró. Lá, visitou uma pequena estação de dessalinização de água, operada pelo governo estadual. 

Ele aproveitou para gravar um vídeo na areia da praia afirmando que o processo de dessalinização, de responsabilidade do governo estadual, é importante e precisa ser continuado para melhorar o abastecimento no arquipélago.

O ministro desembarcou em Fernando de Noronha às 11h. Após ir ao hotel de trânsito da Aeronáutico, onde ficará hospedado até sábado (20), foi almoçar numa pousada do local.

A polêmica em torno da cobrança da taxa teve início no sábado passado (13). Em vídeo publicado em redes sociais, o presidente citou o valor dos ingressos para turistas brasileiros (R$ 106) e estrangeiros (R$ 212) visitarem o parque —o bilhete vale por dez dias. “Isso explica porque quase inexiste turismo no Brasil”, disse.

A EcoNoronha é a empresa responsável pela administração do parque marinho desde 2012. Até agora, após vencer a licitação, foram investidos R$ 15 milhões no parque. 

Só no ano passado, a empresa arrecadou R$ 9,6 milhões. Neste ano, a Econoronha apresenta um faturamento de R$ 900 mil por mês. Deste total, 14,7% fica com o ICMBio e 85,3% com a concessionária, que aplica o recurso em manutenção das praias e gestão.

O valor cobrado pelo ingresso vale por um pacote de dez dias. Quem passa apenas um dia, por exemplo, é obrigado a pagar a mesma quantia. 

Visitantes de Noronha precisam pagar ainda uma taxa de preservação ambiental de R$ 73,52 por dia (administrada pelo governo de Pernambuco), com teto de um mês. 

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