Famílias se desesperam na porta de presídio palco de massacre no Pará

Rebelião no Centro de Recuperação de Altamira terminou com 16 presos decapitados, em Altamira

Karina Pinto
Altamira (PA)

Do lado de fora do Centro de Recuperação de Altamira, onde 58 pessoas morreram, 16 decapitados, em Altamira, no Pará, o clima é de desespero das famílias que esperam por notícia.

Com o telefone nas mãos, Ana Lúcia caminhava na manhã desta segunda-feira (29) de um lado para o outro, tentando conseguir os nomes das vítimas, e saber se o marido que está preso, é um dos mortos no massacre

Familiares esperam notícia na porta de presídio em Altamira no Pará, onde 52 presos morreram em rebelião - Karina Pinto/Folhapress

Ela ligava para os parentes e tentava tranquilizar a todos, inclusive o filho, que hoje precisou ir sozinho para a escola, sem saber se o pai ainda está vivo. 

“Eu não saio daqui sem notícias dele, alguém precisa me dizer alguma coisa, os carros entram, a polícia, a ambulância sai, e ninguém diz nada”, disse a jovem entre lágrimas e gritos aos policiais. 

Ana é apenas uma entre mais de 50 pessoas que não arredam o pé da frente do presídio em Altamira, que desde às 7h está em rebelião. 

Equipes das polícias Civil e Militar dão apoio aos gentes prisionais e aos peritos do IML, que atuam na contagem dos internos, e vistoria das celas. 

“Eu só quero a lista, só isso, eu só quero saber se meu marido tá vivo, só isso”, disse Rosângela da Costa, mãe de um preso.

O confronto, segundo a Susipe (Superintendência do Sistema Prisional do Pará), começou com a invasão do bloco A por internos ligados a uma organização criminosa.

Segundo familiares, eles receberam ligação de detentos e a justificativa foi que atearam fogo nas celas com a intenção de matar internos de uma facção rival.

O grupo fez dois agentes prisionais reféns, e, durante um confronto direto, decapitou 16 internos. 

As armas utilizadas pelos presos podem ter sido retiradas da cozinha, que foi invadida logo nas primeiras horas do dia. 

Após a intervenção policial, os reféns foram liberados, e levados para um hospital, segundo o órgão. Internos que inalaram fumaça também foram levados para a Unidade de Pronto Atendimento.

O superintendente do Sistema Prisional, Jarbas Vasconcelos, confirmou que irá a Altamira acompanhando uma equipe de segurança e carro com câmeras frias para fazer o transporte dos 58 corpos até à capital do estado, Belém, onde deverão passar por perícia no Instituto de Perícias Científicas Renato Chaves. 

 

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