Descrição de chapéu Obituário Milton Gamez (1964 - 2019)

Mortes: Jornalista, entrevistou pesos-pesados do mercado financeiro

Fez a primeira entrevista exclusiva da mídia brasileira com o megainvestidor americano George Soros

Ricardo Balthazar
São Paulo

Um lance em que a sorte deu a mão à esperteza ajudou Milton Gamez a conseguir em 1997 a primeira entrevista exclusiva do megainvestidor americano George Soros a um jornalista brasileiro, numa época em que sua opinião podia fazer o dólar subir e a bolsa cair.

Editor da revista IstoÉ Dinheiro, Gamez cobria uma reunião do Fundo Monetário Internacional em Hong Kong e corria com outros repórteres brasileiros atrás do então presidente do Banco Central, Gustavo Franco, quando viu Soros andando por perto e decidiu abordá-lo. 

Como o jornalista gostava de dizer sempre que recordava o episódio, não fazia sentido seguir os colegas se tinha a chance de conversar a sós com um dos mais influentes investidores do mundo. Deu certo, e a entrevista com Soros ganhou a capa da revista. 

 
Homem de chapéu sorri ao volante de um fusca
O jornalista Milton Gamez - Arquivo pessoal

​​Gamez foi encontrado morto nesta terça-feira (23) em Ibiúna (SP). Estava desaparecido desde a noite do dia 15, quando descansava com os filhos em sua casa num condomínio e saiu para nadar no lago da represa vizinha. Os bombeiros encontraram seu corpo após uma semana de buscas. Ele tinha 54 anos.

Especializado em finanças, Gamez trabalhou em alguns dos principais veículos de comunicação do país, em  três décadas de carreira jornalística. Mais conhecido pelos colegas como Miltinho, era lembrado nas redações pelo bom humor e pela gentileza.

Gamez conheceu os maiores banqueiros do país. Em 2008, quando os acionistas do Itaú se reuniram em assembleia para discutir a fusão com o Unibanco, o principal acionista do Itaú, Roberto Setubal, reconheceu Gamez na sala e disse que ele não podia ficar ali. O jornalista respondeu que comprara ações do Itaú e tinha o direito de participar da reunião.

Ele também gostava de conversar com os que suavam a camisa no chão dos mercados. Em 2009, passou um dia inteiro na bolsa de valores de São Paulo para acompanhar o trabalho dos operadores no último pregão viva-voz, em que os negócios eram feitos aos gritos, e não em plataformas eletrônicas.

Formado em jornalismo pela Faculdade Cásper Líbero, de São Paulo, em 1985, Gamez começou como repórter na antiga Gazeta Mercantil logo que se formou. Ele trabalhou depois na revista Exame, no jornal O Globo e na Folha.

Participou do lançamento da IstoÉ Dinheiro em 1997 e foi seu primeiro editor de finanças. Também integrou a equipe que em 2000 lançou o jornal Valor Econômico, onde atuou como repórter especial por três anos.

Após algum tempo trabalhando com projetos de comunicação corporativa, voltou à Editora Três em 2006, para editar a seção de economia da revista IstoÉ. Tinha apenas dois repórteres, mas ainda achava tempo para escrever uma coluna semanal sobre finanças pessoais.

Criativo, sabia lidar com equipes pequenas e orçamentos enxutos e ganhou espaço na editora, onde trabalhou por 12 anos. Como editor executivo, acumulou as funções de editor da IstoÉ Dinheiro com a supervisão de outras duas revistas do grupo, Dinheiro Rural e Motor Show.

Gamez deixou as redações em 2018 para trabalhar na agência de comunicação FSB, onde ficou até junho deste ano. Inquieto com as dificuldades que o setor atravessa, deixou a FSB para buscar novos projetos. 

Casado com a jornalista Suzana Barelli, ele deixa um casal de filhos, Giovana, 12, e Igor, 7. 

O velório será realizado nesta quarta (24), das 9 às 17 horas, no cemitério Gethsêmani Anhanguera, no km 23,4 da rodovia. O enterro será às 17 horas, no mesmo local.

coluna.obituario@grupofolha.com.br

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Erramos: o texto foi alterado

Milton Gamez nasceu em 1964. O texto foi corrigido.

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