Estado de São Paulo tem 8,6 mil casos de sarampo

Aumento é de 12,68% em relação à semana anterior, que registrou 7,6 mil

Patrícia Pasquini
São Paulo

O número de casos de sarampo continua em ascensão no estado de São Paulo. Segundo novo balanço divulgado pela Secretaria Estadual de Saúde, nesta semana foram confirmados 970 novos casos, totalizando 8.619, 12,68% a mais que na semana anterior, quando foram notificados 7.649.

Do total de casos registrados no estado, cerca de 57,1% (4.923) concentram na capital. Das cidades com o maior número de confirmações, Guarulhos (Grande SP) vem 2º lugar, com 344; Santo André e São Bernardo do Campo (ABC) estão com 281 e 229 notificações, respectivamente.

"Não quer dizer que os 970 novos casos foram contraídos nesta semana. Os números vêm aumentando por causa daqueles que ainda permanecem em investigação e quando confirmados alimentam o banco de dados. Provavelmente, quando diminuírem as notificações, as confirmações seguirão a mesma tendência, de queda. Em São Paulo, o período compreendido entre os dias 4 e 10 de agosto registrou o maior pico de notificações —quase 4 mil. De lá para cá tem se observado a diminuição das notificações. A impressão é que estamos no momento de declínio de circulação do vírus do sarampo. "Independentemente disso, é necessário continuar a vacinação, pois essa é a única forma de prevenir a doença", explica o presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações, Juarez Cunha.

Até o momento, 12 pessoas morreram em decorrência da doença no estado. Uma bebê de dez meses, de Itapevi, sem histórico de vacina; um menino de um ano, de Francisco Morato (ambos na Grande SP) e um homem de 53 anos, de Santo André (ABC), são as mais recentes vítimas do sarampo, na semana passada.

Os dois últimos apresentavam condições de risco para a doença (portadores de doenças crônicas, como diabetes, hipertensão ou imunodeprimidos, que podem ficar mais vulneráveis à infecção e evolução com maior gravidade).

Na semana anterior, haviam sido confirmadas as mortes de uma bebê de 11 meses da capital paulista e de três adultos: uma moradora de Itanhaém (106 km de SP) de 46 anos e que tinha condições de risco, uma de Francisco Morato de 59 anos e um homem de 25 anos residente em Osasco (ambos na Grande SP). Dos quatro mortos, três não tinham histórico de vacinação. 

Na última semana de setembro, foram notificados outros dois óbitos na capital: uma mulher de 31 anos sem histórico de vacinação e um bebê de 26 dias.

No final de agosto foram confirmadas três vítimas, sendo um homem de 42 anos, da capital, sem histórico de imunização contra a doença, e dois bebês —uma menina de quatro meses, de Osasco; e um menino de nove meses, também da cidade de São Paulo. 

Desde 7 de outubro, foram imunizadas 17,7 mil crianças e a é chegar a 2,2 milhões. A primeira etapa da campanha de vacinação termina no dia 25 de outubro, mas no sábado (19) será realizado o "Dia D" de vacinação contra o sarampo. Na ocasião, 4,3 mil postos do estado ficarão abertos entre 8h e 17h. A ação é destinada a crianças entre seis meses e 4 anos, 11 meses e 29 dias.

A tríplice viral protege contra sarampo, caxumba e rubéola. Mantê-la em dia é a melhor forma de prevenção e, por isso, convocamos as mães, pais, familiares e responsáveis para levarem os pequenos aos postos durante esta campanha”, afirma o secretário de Estado da Saúde, José Henrique Germann. 

O calendário nacional de vacinação prevê a aplicação da tríplice aos 12 e 15 meses, quando o reforço é com a tetraviral, que protege também contra varicela. Neste ano, os bebês com menos de 12 meses também devem receber a chamada “dose zero”, que não é contabilizada no calendário.

A vacina é contraindicada para bebês menores de seis meses. Para proteger as crianças dessa idade, os pais devem evitar que elas frequentem aglomerações e manter higienização e ventilação adequadas.

Funcionários das salas de vacinação deverão fazer a triagem de crianças que tenham alergia à proteína lactoalbumina (presente no leite de vaca), para que recebam a dose feita sem o componente.

Quem já teve reação anafilática (alergia grave) a doses anteriores não deve ser vacinado nem em ações de bloqueio. O ideal nesses casos é consultar o médico.

Diante de qualquer sintoma de sarampo —manchas vermelhas pelo corpo, febre, coriza, conjuntivite, manchas brancas na mucosa bucal— é necessário procurar um serviço de saúde.

Como forma de incentivar a vacinação de crianças, o Ministério da Saúde prometeu um recurso adicional aos municípios para que se organizem em campanhas.

Será concedido R$ 1 por pessoa, considerando a base populacional já utilizada a outros repasses financeiros na Atenção Primária à Saúde. Para o aporte financeiro, o órgão disponibilizou R$ 206 milhões.

O valor está condicionado ao cumprimento de duas metas. Mensalmente, os gestores deverão informar ao ministério o estoque das vacinas poliomielite, tríplice viral (que protege contra sarampo, rubéola e sarampo) e pentavalente. 

Além disso, os municípios precisarão atingir pelo menos entre 90% e 95% de cobertura vacinal contra o sarampo em crianças de 1 a 5 anos de idade, com a primeira dose da vacina tríplice viral.

A segunda etapa —de 18 a 30 de novembro— contemplará a população de 20 a 29 anos, com "Dia D" em 30 de novembro.

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