Mulher é atingida por fio energizado e morre eletrocutada durante temporal em SP

Maria Aparecida Cardoso, 40, morreu a caminho de casa, no Capão Redondo, zona sul da capital paulista

São Paulo

Uma mulher de 40 anos morreu eletrocutada durante o temporal que atingiu São Paulo no início da noite desta terça-feira (5).

Maria Aparecida Cardoso caminhava na calçada da rua Luís de Oliveira, no Capão Redondo (zona sul), quando encostou em um fio energizado que estava solto de um poste.

Maria Aparecida Cardoso, 40, morta por choque elétrico no Capão Redondo, em SP
Maria Aparecida Cardoso, 40, morta por choque elétrico no Capão Redondo, em SP - Reprodução/TV Globo

A copeira não resistiu à descarga elétrica e morreu por volta das 19h10 no local, distante a pouco mais de 50 metros de sua casa. 

O Corpo de Bombeiros diz ter sido acionado às 19h03 para atender a ocorrência. O órgão de resgate enviou três equipes, sendo que a primeira só chegou 30 minutos depois e constatou que Cardoso já estava morta na calçada. Ela deixa o marido e duas filhas.

A Polícia Militar isolou a área até a chegada dos peritos da Polícia Civil. O acidente deixou parte do bairro sem energia elétrica por ao menos sete horas.

A Enel, responsável pelo serviço de distribuição de energia elétrica em São Paulo, disse que a fiação caiu “durante as fortes chuvas —com ventos e raios— que atingiram a capital paulista".

O cabo de energia que causou o choque na copeira é de média tensão e se partiu, completou a empresa por meio de nota.

A Enel se colocou à disposição das investigações da polícia e disse que vai prestar assistência à família da vítima.

A empresa também terá até a próxima sexta-feira (6) de explicar ao Procon (órgão de defesa do consumidor vinculado à secretaria de Justiça e Cidadania da gestão Doria) quais medidas tomará para evitar novos acidentes do tipo.

OCORRÊNCIAS

O caso de Maria Aparecida não é isolado. Outras 102 pessoas sofreram choques elétricos causados por fios soltos nas ruas e nas avenidas do estado de São Paulo neste ano, segundo o Corpo de Bombeiros.

Do total de feridos, a corporação não soube precisar à reportagem da Folha quais casos evoluíram para morte porque compete à instituição prestar apenas os primeiros socorros às vítimas.

Só a capital paulista contabilizou 182 quedas de fiação elétrica entre janeiro e outubro deste ano —o número é um pouco menor em relação ao mesmo período de 2018, com 185 casos.

Local onde Maria Aparecida Cardoso, 40, morreu eletrocutada no Capão Redondo, na zona sul da capital paulista
Local onde Maria Aparecida Cardoso, 40, morreu eletrocutada no Capão Redondo, na zona sul da capital paulista - Rivaldo Gomes/Folhapress

Em nível estadual, porém, os dados compilados pelo Corpo de Bombeiros mostram um aumento de 23% nas ocorrências relacionadas à queda da fiação aérea de energia no mesmo período analisado, com 1.366 notificações em 2019 ante as 1.112 do ano anterior.

A presença de emaranhados de fios de energia, telefonia e internet na paisagem paulistana começou a ser atacada numa parceria entre o então prefeito e hoje governador de São Paulo, João Doria (PSDB), e a então AES Eletropaulo, que virou Enel.

O projeto, iniciado em 2017, prometeu retirar ao menos 3.000 postes de energia das ruas da capital paulista por meio do enterramento de 66 km de fios da rede elétrica em 137 vias da cidade até 2020.

A primeira etapa das obras começou na região central, em bairros como Santa Cecília, Bom Retiro, Brás, República, Bela Vista, Consolação e Jardins.

TEMPORAL

O temporal deixou todas as regiões de São Paulo sob risco para alagamentos, além das marginais Tietê e Pinheiros ao longo de três horas. O alerta terminou às 20h20.

O aguaceiro inundou ruas, avenidas e fez o córrego Ipiranga transbordar. O Corpo de Bombeiros atendeu 22 ocorrências relacionadas a enchentes e outras 34 sobre queda de árvores.

Os maiores volumes de chuva foram registrados na Vila Mariana (38,6 mm), Jabaquara (37,5 mm), Santo Amaro (36,6 mm), Penha (35,2 mm) e Pinheiros (32,6 mm), segundo dados das estações meteorológicas do CGE (Centro de Gerenciamento de Emergências), da prefeitura.

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