Doze pessoas morrem por complicações de tempestade na Grande SP

Casos foram em Santo André, Embu, Ribeirão Pires, São Bernardo do Campo e na capital paulista

Luciano Cavenagui Dhiego Maia
São Paulo

Ao menos doze pessoas morreram na Grande São Paulo entre a noite deste domingo (10) e a manhã desta segunda-feira (11) em decorrência de uma tempestade que atingiu a região. Sete das vítimas morreram por afogamento e outras cinco por soterramento ou deslizamento de terra.

Inicialmente, os bombeiros haviam contabilizado 12 mortes, mas depois recuaram e confirmaram 11 óbitos e 6 feridos por volta das 15h30. O número de mortos voltou a subir no fim da tarde, após a corporação localizar o corpo de um homem de 45 anos em um córrego da avenida engenheiro Olavo Alaisio de Lima, em Santo André.

As mortes foram em Ribeirão Pires (4), São Caetano do Sul (3) Santo André (2), Embu das Artes (1), São Bernardo do Campo (1) e na capital paulista (1), segundo balanço do Corpo de Bombeiros e da Defesa Civil.

Em Ribeirão Pires (Grande SP), uma casa desabou por volta das 23h40 deste domingo e matou quatro pessoas. Outras duas vítimas foram socorridas. A casa está localizada na rua Caiçara, na altura no número 100, no bairro Estância das Rosas.

Em São Caetano, três pessoas morreram afogada​s. Dois casos foram registrados na avenida do Estado, após cheia repentina do rio Tamanduateí. Na capital paulista, uma pessoa não resistiu ao temporal e também morreu afogada. O caso ocorreu no Ipiranga, na zona sul.

Mais uma pessoa foi vítima de afogamento em São Bernardo do Campo (Grande São Paulo), na avenida Taboão da Serra.

Foram registradas mais mortes em Santo André e na cidade de Embu das Artes. Nesta última, um bebê de um ano morreu após sua casa ser soterrada por um deslizamento de terra.

As vítimas do temporal ainda não foram identificadas, segundo os bombeiros.

Carros são encobertos pela água na Av. Presidente Wilson, zona leste da capital paulista, na manhã desta segunda-feira (11) - Bruno Rocha /Fotoarena/Folhapress

De acordo com Marcos Palumbo, porta-voz do Corpo de Bombeiros de São Paulo, a corporação foi acionada para 698 ocorrências relacionadas com a chuva. "A prioridade é atender todas as vítimas que estão em locais de difícil acesso e ilhadas dentro de veículos", informou.

Toda a capital foi colocada várias vezes em estado de atenção. O CGE (Centro de Gerenciamento de Emergências) informou que choveu 1/3 do que era previsto para o mês de março entre 19h deste domingo e 7h desta segunda.

A água em excesso provocou uma dezena de pontos de alagamentos (entre eles, na Marginal Tietê, nas pontes do Limão e no Piqueri) que refletiram diretamente na fluidez do trânsito. Por volta das 9h30, a cidade atingiu 201 km de congestionamentos, de acordo com a CET (Companhia de Engenharia de Tráfego).

Além do rio Tamanduateí, na avenida do Estado, o córrego da Mooca, na zona leste, transbordou. A Prefeitura de São Paulo suspendeu o rodízio de veículos nesta segunda.

A linha 10 - turquesa da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos), que passa pelo ABC, está paralisada porque as estações e os trens estão tomados pela água. Não há previsão de normalização. 

As principais vias de ligação do ABC com a capital também sofreram alagamentos e muitos trechos foram interditados. Na rodovia Anchieta, na altura do km 13, em São Bernardo, as pistas centrais e marginais ficaram bloqueadas tanto no sentido capital quanto em direção ao litoral devido ao transbordamento do córrego Ribeirão dos Couros. As rodovias Ayrton Senna e Dutra também foram afetadas pela chuva.

Moradores e motoristas ilhados em carros foram resgatados por botes na região do Ipiranga e também no ABC. Segundo último balanço do Corpo de Bombeiros, houve 54 desabamentos ou deslizamentos e 155 quedas de árvores, em ações concentradas na região metropolitana de São Paulo. 

Seis localidades de São Paulo receberam os maiores volumes de chuva nesta segunda-feira (11), segundo o CGE (Centro de Gerenciamento de Emergências), da prefeitura. São elas: Jabaquara (109,5 mm), Vila Prudente (103,3 mm), Vila Mariana (94,6 mm), Sapopemba (88,5 mm), Ipiranga (85,8 mm) e Mooca (54,7 mm).

Todos os reservatórios de água da Grande São Paulo amanheceram nesta segunda com alta nos níveis em relação ao dia anterior.

O reservatório que mais encheu foi o sistema Rio Grande, onde está a represa Billings, próximo da região do ABC, a mais afetada pelo temporal. O sistema, já lotado, subiu 7,6 pontos percentuais em seu nível de água.

O sistema Alto do Tietê subiu 4,7 pontos percentuais, e o sistema Guarapiranga, 2,9 pontos. Na média, os reservatórios de SP tiveram um aumento de nível de 2,3 pontos percentuais.

PREVISÃO DO TEMPO

Após o temporal da madrugada, o céu ficou encoberto e com garoa ocasional na Grande São Paulo durante o dia. Até o início da noite não havia registro de novos episódios de chuva forte. Os termômetros oscilaram entre 19ºC e 24ºC nesta segunda.

Na terça (12), a previsão é de sol entre nuvens pela manhã e sensação de tempo abafado. Entre a tarde e o início da noite, áreas de instabilidade poderão se formar e provocar chuva em forma de pancadas fortes, com trovoadas e rajadas de vento. A temperatura máxima atingirá 28ºC.

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