Prefeitura de SP faz ação de trânsito com mímicos em escolas e foca instituições particulares

Objetivo é orientar tráfego de veículos perto de unidades; especialista cobra atenção a segurança

São Paulo

A gestão Bruno Covas (PSDB) contratou mímicos para conscientizar motoristas e pedestres durante o início do ano escolar em São Paulo. A ação, parte da Operação Volta às Aulas da CET (Companhia de Engenharia de Tráfego), tem as escolas particulares como cenário de 64% das intervenções. 

De acordo com nota da CET, a operação acontecerá em 68 escolas particulares, 24 municipais e 14 estaduais. Além dos mímicos, haverá fiscalização e ajustes semafóricos. 

A CET listou oito locais onde devem ocorrer ações com mímicos, seis deles, escolas privadas. Todos os estabelecimentos estão em regiões abastadas. O órgão cita critérios como quantidades de veículos nesses locais e fluidez.

Especialista consultado afirma que a segurança também deveria pesar na escolha. 

Homem e mulher vestidos de amarelo e com rosto pintados simulam com gestos condução de motocicleta em cima de uma faixa de pedestre, diante da qual dois carros e um fiscal de trânsito com colete e boné aguardam
Mímicos contratados pela CET promovem ação educativa no trânsito em frente ao Colégio Danta Alighieri, na região dos Jardins, em São Paulo - Zanone Fraissat/Folhapress

Nesta quarta-feira (29), as ações ocorrerão em frente ao Colégio Dante Alighieri, no Jardim Paulista (zona sul). Na quinta (30), serão no Colégio Arquidiocesano, na Vila Mariana (zona sul); e na sexta (31), no Colégio Rio Branco, em Higienópolis (região central). Outras escolas particulares terão a ação são os colégios São Luís, na Vila Mariana, e Carlitos, em Higienópolis.

Apenas duas escolas públicas são citadas na nota da prefeitura: as escolas estaduais Marina Cintra, na rua da Consolação, e a Marechal Floriano, também na Vila Mariana. 

Questionada sobre os critérios de escolha, a prefeitura afirmou que são estritamente técnicos, levam em consideração a localização do estabelecimento, o impacto da atividade escolar no trânsito, quantidade de alunos, volume de veículos no entorno, entre outros fatores. Filas duplas, por exemplo, comuns nestes colégios, devem ser coibidas. 

"As ações têm com foco a segurança viária e a fluidez do trânsito. O fato de serem escolas particulares ou públicas não figura dentre os critérios", afirma a companhia.

Segundo a CET, em 2019, foram ministrados cursos para alunos de 284 escolas, 92% delas públicas, e operações de fiscalização ocorrem durante todo o ano. 

"Risco para o pedestre tem em qualquer situação, seja em escola particular ou pública. Eu diria que tem muito mais em escola pública porque a maioria vai a pé. O que eles estão focando é a fluidez do trânsito", afirma o consultor em transporte Horácio Figueira. "Já que o cobertor é curto, vamos focar onde tem atropelamento."

Figueira afirma que operações similares, incluindo com ajuda de mímicos na travessia de pedestres, deveriam ser frequentes durante o ano. 

SEGURANÇA NO TRÂNSITO

A gestão Covas tem a meta de chegar até o fim de 2020 com o índice de 6 mortes no trânsito a cada 100 mil habitantes. Em 2018, o índice foi de 6,95 (o indicador brasileiro é de cerca de 19).

Até junho de 2020, deverão ser investidos R$ 20 milhões em estratégias de conscientização sobre o tema. 

Outra medida já planejada, mas que segue engavetada pela gestão Covas, é a criação de áreas calmas nos bairros de São Paulo

Dentro desses perímetros, os motoristas não poderão trafegar a mais de 30 km/h. A CET desenhou 32 projetos. Após anos engavetados, os dois primeiros devem começar a sair do papel no próximo mês. 

Mulher vestida de camiseta amarela com as letras CET e rosto pintado faz gesto circular com as mãos imitando um binóculo
Mímica atua diante do colégio Dante Alighieri; 64% das escolas alvo da ação educativa são particulares - Zanone Fraissat/Folhapress
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