Chega a 170 o total de mortes no Ceará após paralisação de policiais

Governador Camilo Santana (PT) diz que anistia a policiais que integraram motim está fora de questão

Ribeirão Preto

Em menos de uma semana após o início da paralisação de parte dos policiais militares, já chega a 170 o total de mortes registradas no Ceará.

De acordo com dados divulgados nesta terça-feira (25) pelo governo cearense, só nesta segunda (24), foram registradas 23 assassinatos, que se somam aos 147 computados até o dia anterior.

O total confirmado pelo governo apenas desde o início dos atos dos policiais ultrapassa as 164 mortes registradas em todo o mês de fevereiro de 2019. Com os mais recentes crimes, em fevereiro já são 309 homicídios no Ceará.

 
soldados em frente a igreja em Fortaleza
Militares do Exército reforçam policiamento em Fortaleza durante motim de policiais militares - Jarbas Oliveira/Folhapress

O movimento dos policiais militares teve início dia 19. Na véspera houve cinco crimes violentos e, no dia 17, três. A média diária saltou para 28 desde o início dos atos, ou mais de uma morte por hora.

O governo federal enviou ao Ceará, após pedido do governador Camilo Santana (PT), agentes da Força Nacional e do Exército para ajudar no policiamento ostensivo nas ruas. São 2.500 homens do Exército que começaram a atuar no último domingo (23). Os 150 agentes da Força Nacional começaram a chegar três dias antes.

No último dia 18, o governo enviou à Assembleia Legislativa projeto de lei com o aumento da remuneração dos soldados da PM e Bombeiros de R$ 3.400 para R$ 4.500, parcelado em três vezes (pagamentos em março de 2020, março de 2021 e março de 2022), mas parte dos profissionais discordou e as paralisações começaram na mesma noite.

Os policiais querem receber o reajuste de uma vez só, além de pedirem a criação de um plano de carreira para a categoria.

Santana disse que está fora de cogitação anistiar os policiais que forem identificados participando do motim —167 policiais militares suspeitos de integrarem o movimento foram afastados das funções e terão que devolver armas, algemas e distintivos.

Também estarão fora da folha salarial no período. Outros 77 foram considerados desertores por não aparecerem para trabalhar em operação especial do Carnaval em cidades do interior.

Retroescavadeira

Na quarta-feira (20), os protestos chegaram ao cenário nacional depois que o senador licenciado Cid Gomes (PDT-CE) levou dois tiros ao tentar invadir dirigindo uma retroescavadeira, sua base eleitoral. Ele recebeu alta na manhã de domingo (23).

O ministro da Justiça, Sergio Moro, foi a Fortaleza nesta segunda (24) e disse que as forças do governo federal estão no Ceará para “serenar os ânimos”. Ele disse esperar que a paralisação de parte dos policiais militares seja resolvida brevemente.

“O governo federal veio para serenar os ânimos, não para acirrar. Os policiais do pais inteiro, não só do Ceará, são profissionais dedicados, que arriscam suas vidas, são profissionais que devem ser valorizados. É o momento de servir e proteger, acalmar os ânimos. Serenar é importante, temos que colocar a cabeça no lugar e pensar o que é preciso para que os policiais possam voltar a realizar o trabalho”, disse Moro.

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