Após cortes de salários, metroviários de SP ameaçam entrar em greve na terça (28)

Sindicato e empresa negociam acordo coletivo; linhas 4-amarela e 5-lilás não devem aderir à greve

São Paulo

Os metroviários de São Paulo mantiveram nesta sexta-feira (24) a decisão de entrar em greve a partir da próxima terça-feira (28) caso o Metrô não apresente nova proposta sobre o acordo coletivo da categoria.

As linhas 4-amarela e 5-lilás do metrô possuem acordo coletivo distinto e não devem integrar a paralisação.

Uma nova audiência online do Tribunal Regional do Trabalho (TRT), marcada para segunda (27), pode trazer nova proposta de acordo, que será debatida em assembleia da categoria no mesmo dia.

Caso ela não seja aceita ou não haja proposta, a greve acontece a partir das 0h de terça. A mobilização já foi votada e aprovada em assembleias passadas, mas adiada duas vezes durante as negociações. Caso ocorra, a greve não tem prazo para acabar.

A categoria tentou estender o acordo coletivo que expiraria no dia 30 de abril para o período enquanto durar o estado de calamidade pública devido ao novo coronavírus.

Com o retorno gradual das atividades econômicas e a volta ao trabalho, uma possível paralisação deve lotar as estações e até outros modais de transporte, como os ônibus, provocando aglomerações e elevando o risco de contágio do coronavírus.

Os metroviários dizem que procuraram em março a diretoria do Metrô com a proposta de extensão do contrato coletivo, que terminaria no dia 30 de abril, mas a proposta não foi aceita.

Na noite de quinta (23), os funcionários receberam um email da empresa comunicando corte de 10% nos salários de julho, sem comunicação prévia ao sindicato e sem reduções de carga horária. Por ser uma empresa de economia mista, o Metrô não é contemplado pela Medida Provisória 936, transformada em lei, que reduz salários e jornada durante a pandemia.

Segundo os coordenadores do sindicato, o Metrô quer um novo acordo coletivo que retira cláusulas conquistadas pela categoria, como a diminuição de adicional noturno de 50% para 20% e da hora extra de 100% para 50%, além de reduzir a participação da empresa no subsídio dos planos de saúde.

"Para nós, é mais uma encenação para atacar o acordo coletivo. O Metrô fez uma proposta que mexe substancialmente nas conquistas que a categoria teve ao longo dos ultimos 40 anos", disse Wagner Fajardo, coordenador do sindicato, em entrevista coletiva nesta sexta (24).

Atualmente, são 8.621 metroviários ativos em São Paulo, segundo o sindicato.

O sindicato afirma que está disposto a fazer uma greve que mantém o funcionamento dos trens, mas com a catraca liberada, sem cobrança de passagens da população. Isso depende de negociação com a empresa e com o governo estadual.

Coordenadores do sindicato afirmam que a proposta dos trabalhadores não contempla discussões de aumento salarial, mas apenas de manutenção e extensão do acordo coletivo existente.

Em nota, o Metrô disse que "mesmo com a crise econômica provocada pela pandemia do novo coronavírus, e transportando cerca de 35% da demanda comum de passageiros, o Metrô consegue manter a oferta de trens em até 100%, de acordo com a demanda, e honrou o salários e benefícios dos funcionários integralmente ao longo destes quatro meses".

Sobre a redução de 10% no salário dos funcionários, a nota afirma: "Diversas medidas de ajustes financeiros foram tomadas, com a renegociação e suspensão de novos contratos e a adoção de home office definitivo em setores onde é possível. No entanto, com a baixa arrecadação por um longo período, o Metrô vai pagar 90% do salário de julho dos funcionários, com o restante sendo pago assim que houver receita. Todos os esforços do Metrô continuam em prol da manutenção dos empregos".

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