Descrição de chapéu Ao Vivo em Casa Coronavírus

Falta de liderança causa pânico, diz filho de vítima da Covid-19

Em live da Folha, Adipe Miguel Neto relembrou perda e luto pelo pai

São Paulo

Enquanto chorava pela morte do seu pai no sofá, Adipe Miguel Neto ouvia na televisão o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) dizer para as pessoas tomarem cloroquina. “As mentiras batem muito mais forte na gente, que passou por isso”, disse Neto durante o Ao Vivo em Casa, live da Folha, nesta quarta-feira (12).

O DJ afirmou que a falta de liderança durante a pandemia causa pânico, e os assuntos referentes à crise sanitária acabaram polarizados politicamente. “Se eu sou a favor das reaberturas, sou bolsonarista, se digo que meu pai morreu, sou de esquerda. As pessoas estão enlouquecidas colocando rótulos em você, e a sociedade está muito chata nesse lugar”, analisa.

Mesmo assim, Neto disse achar possível que a crise sanitária culmine em uma harmonia entre as pessoas. “Como eu me humanizei, preciso acreditar que 100 mil mortos e 1 milhão de pessoas abaladas com o luto, é possível mudar alguma coisa”.

A live tratou sobre o luto e discutiu sobre as mais de 100 mil vítimas do coronavírus no Brasil. Além de Neto, participaram também o artista plástico Edson Pavoni, criador da plataforma Inumeráveis, que reúne perfis de vítimas da Covid-19, e a jornalista Camila Appel, autora do blogue Morte Sem Tabu, da Folha, e redatora do programa "Conversa com Bial", da Rede Globo. A mediação foi do jornalista Emilio Sant'Anna.

Pavoni contou que sua plataforma surgiu do incômodo de acordar todos os dias com um número novo. Para ele, apesar de o mundo ter vivido outras pandemias, nenhuma foi "nessa era da informação". "Depois de um tempo, esse número deixa de significar o que significa. A ideia era reverter essa lógica.”

Inumeráveis homenageia os mortos pelo novo coronavírus. “Não é sobre os números, é sobre cada história individual”, diz ele que completa: “Quem perde uma pessoa, perde 100%. Tem tanta gente que perdeu tudo que fica difícil entender para onde a sociedade vai com esse tamanho de buraco e vazio.”

Apesar de iniciativas como a do artista plástico, muitos se chocaram com a falta de empatia de governantes, como o presidente Jair Bolsonaro, que chegou a afirmar que não era coveiro, em relação às perdas pela doença.

Para Camila Appel, atitudes como essas são muito prejudiciais. “Parece que se espera que outras pessoas ajam dessa forma. Essa falta de solidarização não cabe no perfil de um governante que realmente se preocupe com a população que nos representa.”

Edson Pavani, Camila Appel e Adipe Neto
Edson Pavani, Camila Appel e Adipe Neto - Núcleo de Imagem
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