Descrição de chapéu Banco do Brasil

Assalto a banco em Criciúma é considerado o maior da história de SC

Polícia suspeita de que assalto tenha tido longo planejamento e de que criminosos sejam de fora do estado

Porto Alegre

Com ação de pelo menos 30 criminosos, dez automóveis e armamento de calibre exclusivo das Forças Armadas, o assalto ao Banco do Brasil em Criciúma (SC), na noite da última segunda-feira (30), já é considerado o maior do tipo na história do estado.

Os criminosos atacaram o 9º Batalhão da Polícia Militar com tiros nas janelas, bloqueio na saída com um caminhão em chamas e explosão acionada por celular. “Uma ação sem precedentes”, disse o tenente-coronel Cristian Dimitri Andrade, comandante do batalhão. A ação durou cerca de duas horas ​

“Já começamos o trabalho de investigação para afirmar que é o maior roubo em proporções em Santa Catarina”, disse o delegado Anselmo Cruz, da Deic (Diretoria Estadual de Investigações Criminais). “A mobilização dos criminosos nesta madrugada é algo inédito no estado, pelo tamanho da ação." Para ele, o assalto foi cinematográfico.

Explosão em agência bancária iniciada por assaltantes para obter dinheiro nos caixas eletrônicos, em mega-assalto em Criciúma (SC) - Reprodução

O Banco do Brasil informou à Folha que não se manifestará sobre os valores roubados e disse que nenhum funcionário ou colaborador foi ferido. A Polícia Militar, porém, prendeu quatro pessoas que recolheram R$ 810 mil espalhados pelo chão após a explosão de cofres.

A agência não abrirá nesta terça (1). Em nota, o banco afirmou que a ação era do tipo novo cangaço. A expressão tem sido usada para modalidade de crime que ataca cidades de forma planejada e não raramente com uso de reféns como cordão humano. Em Criciúma, imagens registraram moradores usados como reféns. O termo é uma referência ao Cangaço, fenômeno do sertão nordestino em que grupos dominavam cidades. Lampião (1898-1938) é o personagem mais conhecido do período, chamado de Rei do Cangaço.

“Já temos absoluta certeza de que se trata de uma ação planejada com vários meses de antecedência”, disse o delegado Anselmo Cruz. Ele comparou o assalto com o crime ocorrido no aeroporto de Blumenau em março de 2019. “O roubo em Blumenau começou a ser organizado nove meses antes e era de menor proporção."

A polícia suspeita de que o assalto de Criciúma também tenha tido um longo planejamento. Na manhã desta terça-feira (1o), órgãos de segurança retiraram material explosivo que permaneceu no local. O Instituto Geral de Perícias (IGP) está trabalhando para coletar provas.

Segundo Cruz, a polícia suspeita de que o crime tenha sido planejado por criminosos de São Paulo que não são ligados a facções criminosas. "Não temos esse perfil de criminosos em Santa Catarina. Pode ter algum integrante que seja efetivamente do estado, mas sabemos que é uma ação de fora”, disse o delegado.

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