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Colégios de SP ampliam cursos de formação para estudar no exterior

Certificação do 'high school' é feita por parcerias; aluno tem de saber inglês

Sala de aula do colégio Santo Antonio de Lisboa, um dos que ampliam cursos de formação para estudar no exterior
Aula do “high school” do colégio Santo Antonio de Lisboa; modelo é adotado por ao menos uma dezena de escolas de SP - Rafael Roncato/Folhapress
Jairo Marques
São Paulo

Pelo menos uma dezena de colégios de São Paulo já oferece formação secundarista que dará ao estudante habilitação e formação para tentar ingressar numa universidade estrangeira.

Por meio de parcerias entre escolas brasileiras e instituições internacionais, os alunos podem cursar o “high school” simultaneamente ao ensino médio nacional, no contraturno.

O curso possibilita ao estudante aprovado receber certificado que o credencia a disputar uma vaga em Cambridge (Inglaterra), na Universidade de Michigan (EUA) ou na Universidade de Montreal (Canadá), por exemplo.

Cada convênio com os colégios segue uma linha  diferente. Alguns habilitam para um conjunto de universidades, outros para instituições ou países específicos.

O valor das mensalidades varia de R$ 900 a R$ 2.000, sem considerar o que se paga na escola convencional.   As aulas presenciais são de duas a três vezes por semana. 

Mesmo levando em conta o valor mais alto, ele é menor do que enviar o adolescente para se preparar no exterior.

De acordo com Gisele Marçon Bastos Périgo, coordenadora do “high school” nos colégios Santo Antonio de Lisboa, no Tatuapé (zona leste), e do Colégio São Vicente de Paulo, em Jundiaí (Grande São Paulo), a certificação dada no Brasil é exatamente igual à que é dada nos EUA.

Segundo ela, toda a organização pedagógica e financeira do curso fica a cargo da instituição parceira, que oferece aos alunos material didático —geralmente, cada aluno recebe um notebook— e professores estrangeiros. 

À escola brasileira cabe oferecer a logística, que exige salas de aula com mobiliário específico e mesas em círculo, e zelar para que os estudantes conciliem a contento as duas formações.

“O aluno do ‘high school’ precisa estar ciente de que é um curso muito sério e que vai exigir comprometimento com os estudos e também com o projeto que irá ser desenvolvido. É fundamental ter nível intermediário de inglês para acompanhar as aulas”, diz Gisele.

CURRÍCULO

O ensino médio internacional do Colégio Presbiteriano Mackenzie Tamboré, oferecido em parceria com a Universidade do Missouri (EUA), quadruplicou seu número de alunos matriculados em três anos, saltando de 70, em 2015, para 280, neste ano. 

Para Érica Constantino, coordenadora dos programas de internacionalização do colégio, alunos e pais têm visto no currículo do “high school” oportunidade de capacitação para a vida profissional mesmo para quem não pretende estudar fora do país.

“O curso oferece aulas de oratória, de economia, de empreendedorismo e trabalha o tempo todo com a formação do pensamento crítico, numa complementação do que se oferece nas aulas convencionais”, afirma Érica.

Alunos a partir do nono ano do ensino fundamental já podem se inscrever no ensino internacional, que dura, em média, três anos. 

Para a certificação final dos estudantes que fazem o “high school” no Brasil, serão usadas algumas notas que o aluno obtiver no ensino regular brasileiro, principalmente da área de exatas.

A comerciante Patrícia de Castro Milhiorança, 46, matriculou o filho Pedro, 14, no curso neste ano. A intenção dela é dar novas possibilidades de aprendizado ao adolescente, com investimento mais em conta que enviá-lo ao exterior para estudar. 

“Decidimos que seria uma grande oportunidade de o Pedro acrescentar conhecimento e ficar mais preparado para decidir o que pretende fazer no futuro”, declara.

VIAGEM 

Estudantes do “high school” do Colégio Santa Amália, no Tatuapé, na zona leste da capital, vão ter a opção, neste ano, de fazer uma viagem de intercâmbio ao Canadá, país de origem da instituição parceira do curso internacional.

A ideia é que os alunos façam uma imersão, por 15 dias, em aspectos culturais, esportivos e de lazer canadenses, além de passarem por aperfeiçoamento da língua inglesa. Os custos da viagem não estão incluídos na mensalidade.

De acordo com o último relatório Open Doors, do Instituto de Educação Internacional, de 2017, embora tenha ocorrido uma queda de 32% no número de alunos fazendo ensino superior nos EUA, no comparativo com 2016, o Brasil ainda é um dos dez países do mundo que mais envia estudantes para universidades americanas. O primeiro lugar é da China.

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