Elogiadas por Bolsonaro, escolas militares são poupadas de cortes

Unidades são vinculadas ao Ministério da Defesa; No MEC, bloqueio chega a R$ 7,3 bilhões

Paulo Saldaña
Brasília

As escolas militares foram poupadas dos cortes que atingem os gastos do governo, sobretudo na Educação. O modelo é frequentemente elogiado pelo presidente Jair Bolsonaro (PSL).Essas unidades são ligadas ao Comando do Exército, cujo orçamento é vinculado ao Ministério da Defesa.

Os R$ 12,5 milhões reservados para o ensino nas escolas militares não foram bloqueados por causa do decreto de contingenciamento do governo federal. Os dados são do Siop (Sistema Integrado de Planejamento e Orçamento do Governo), extraídos nesta quinta-feira (7).

São 13 as escolas ligadas ao Exército. Elas reservam vagas para familiares de militares e fazem seleção de alunos para ingresso, o que garante estudantes de nível socioeconômico muito alto e explica parte do bom resultado alcançado por essas unidades.

 
Na segunda-feira (6), Bolsonaro voltou a elogiar as escolas militares e a defender a criação de novas unidades. Ele diz que pretende construir um colégio militar em cada capital do país, o que significa 16 outras escolas."Queremos mais crianças e jovens estudando nesses bancos escolares. Respeito, disciplina e amor à pátria são fundamentos importantes desses colégios", diz.

Enquanto os colégios militares são poupados, as instituições ligadas ao MEC (Ministério da Educação) tiveram forte corte. Os bloqueios na pasta atingiram R$ 7,3 bilhões. Vão da educação infantil à pós-graduação.

As universidades federais tiveram até agora 30% dos recursos discricionários congelados, o que representa um corte de R$ 2 bilhões. Além de manterem relação com a formação de professores, importante para a educação básica, as várias universidades mantêm escolas de aplicação que são referência no país, como a de Viçosa (MG).

Já os institutos federais, especializados em ensino técnico, tiveram um bloqueio de R$ 877 milhões, equivalente a 33% dos recursos discricionários. Reportagem da Folha mostrou que as escolas militares e institutos federais com o mesmo perfil de alunos têm desempenho similar.

Em audiência no Senado, o ministro da Educação, Abrahm Weintraub, comentou o assunto. "Eles optaram porque o volume é mais baixo, nesse momento eles tomaram essa decisão", disse ao ser questionado por senadores.

Apesar de ter poupado os colégios militares, o Ministério da Defesa também teve um alto contingenciamento. Foram bloqueados R$ 5,1 bilhões, referentes a 37% do orçamento autorizado para a pasta.

Os recursos da rubrica de Prestação de Ensino e Pós-Graduação do ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica), de R$ 3,2 milhões, também foram poupados. Já o orçamento do IME (Instituto Militar de Engenharia) sofreu impacto. Dos R$ 10,1 milhões autorizados, R$ 1 milhão (10%) estão bloqueados.

A Folha procurou o ministério da Defesa mas não obteve retorno até a publicação dessa reportagem. O Comando do Exército informou que a demanda havia será respondida pelo Departamento de Educação e Cultura do Exército.
 

 
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