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Projeto desenvolve capacidade de liderança em diretores e coordenadores de escola

Ação foi desenvolvida em colégios de SP; aprendi a delegar e monitorar, afirma diretora

São Paulo

Aula, recreio, prova. Quando se pensa na rotina de um colégio, logo vêm à cabeça alunos e professores. Há outras pessoas, porém, que fazem um trabalho para o qual pouco se olha, mas é  essencial para a educação: os profissionais da equipe de gestão.

No ano passado, um projeto implantado em seis escolas estaduais de São Paulo quebrou esse padrão.
O Programa de Desenvolvimento de Diretores e Coordenadores Educacionais mirou os profissionais em postos de liderança nas unidades. Além de diretor e vice, também eram público-alvo os coordenadores das escolas. 

Ao longo de 2018, foram trabalhadas com eles habilidades de gestão por meio de sessões individuais de coaching (mentoria) e de workshops que envolviam toda a equipe.

 
Atividade para desenvolver habilidades de gestão em escolas estaduais
Atividade para desenvolver habilidades de gestão em escolas estaduais - Divulgação

A iniciativa foi desenvolvida pelo EcoSocial, rede de consultores e coaches, com a iniciativa Agathos, seu braço educacional, em conjunto com a ONG Parceiros da Educação.

Entre os temas abordados, estavam como trabalhar melhor em equipe; como manter conversas difíceis com pais, alunos e professores; e como dar um retorno sobre o trabalho aos educadores.

Uma missão primordial foi fazer com que os profissionais se conscientizassem do papel deles, diz Marli Pereira da Silva, consultora associada do EcoSocial. “Muitos não se achavam líderes”, diz.

Essa distância entre a função e a autopercepção se deve em parte à grande carga burocrática de trabalho e a dificuldades estruturais. Um exemplo que ela dá nesse sentido é o de coordenadores de um colégio que no intervalo ficavam no pátio para supervisionar os alunos, o que lhes tirava tempo que poderia ser investido em questões pedagógicas.

Contornar essas dificuldades, diz Marli, demanda estabelecimento de objetivos comuns, busca por parcerias, divisão de tarefas e, principalmente, muita conversa. “Quando os profissionais conseguem ter um espaço para falar das fragilidades e pensar como mudar, eles se fortalecem”, afirma.

Ao final do projeto, os profissionais tiveram que dar notas ao seu desempenho individual nas competências desenvolvidas e ao das equipes. O resultado das duas avaliações foi muito similar, o que, para Marli, mostra a sintonia entre o grupo após o trabalho.

Diretora da Escola Estadual Princesa Isabel, no Bosque da Saúde (zona sul), Luciana Vieira de Sousa diz que a experiência a ajudou a melhorar a autoconfiança e a organização do tempo, além de mostrar a importância de definir prioridades e dividir tarefas.

“Em vez de fazer junto algumas coisas, passei a delegar e monitorar”, afirma.

Sua escola já fazia parcerias com a comunidade e com o setor público e privado e reforçou esse aspecto. 

Hoje, na Princesa Isabel há rodas de conversa com os pais e estudantes organizadas por uma ex-aluna psicóloga; atividades de música com a banda da Marinha; meditação na hora do almoço oferecida com uma ONG, e noções de educação ambiental e financeira transmitidas com o auxílio de um instituto.

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