Atraso na gráfica pode prejudicar cronograma de avaliação da educação básica

Funcionários do Inep dizem que prova pode ser adiada; governo nega

Paulo Saldaña
Brasília

Atrasos na impressão das provas do Saeb, avaliação federal realizada em todo país, têm colocado em risco a realização do exame dentro do cronograma previsto, de 21 de outubro a 1º de novembro.

O tema preocupa secretários de Educação e também técnicos do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais), órgão do MEC responsável pela prova. Há conversas sobre um possível adiamento da prova, o que é negado oficialmente pelo governo Jair Bolsonaro (PSL), ou extensão do prazo de aplicação.

A Folha apurou que funcionários do instituto informaram a coordenadores estaduais de avaliação de que não haveria possibilidade de entregar a tempo todas as provas previstas para a aplicação. O encontro ocorreu na segunda-feira, 30, na Cesgranrio, fundação contratada para fazer a aplicação do exame.

O presidente do Inep, Alexandre Lopes, com o ministro da Educação, Abraham Weintraub, em evento em Brasília
O presidente do Inep, Alexandre Lopes, com o ministro da Educação, Abraham Weintraub, em evento em Brasília - Antonio Cruz - 3.jul.19/Agência Brasil

As provas do Saeb compõem o Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) para o 5° e 9° anos do ensino fundamental e 3° ano do médio, além de prever neste ano avaliações na educação infantil e uma prova amostral de alfabetização. É prevista a participação de 6,8 milhões de alunos.

Questionado, o Inep diz que não há previsão de adiamento da aplicação do Saeb. A reportagem questionou a gráfica Valid, contratada para o trabalho, que não respondeu à reportagem.

Apesar de o início da aplicação estar previsto para o próximo dia 21, a impressão só teve início na semana passada, segundo informações repassadas a dirigentes educacionais.

O Inep afirma que analisa a possibilidade de estender o prazo de aplicação para além da data final prevista, de 1º de novembro. Mas, de acordo com nota do instituto, isso ocorreria por causa de pedidos feitos pelos estados.

A Folha questionou quais estados fizeram esses pedidos e quais foram os motivos, mas até a publicação desta reportagem não havia resposta sobre isso.

O Consed, que representa os secretários estaduais de Educação, informou que os estados não solicitaram essa prorrogação. A Folha apurou que funcionários do MEC é que têm sugerido a Estados que se proponham adiar a aplicação.

A Valid foi contratada pelo governo em janeiro de 2019 por R$ 143 milhões para imprimir o Saeb e outras avaliações, como Encceja (de certificação de jovens e adultos), Enade (para concluintes do ensino superior) e pré-testes (procedimento para validar as questões usadas nas avaliações).

Além desse contrato, a mesma gráfica garantiu a impressão do Enem deste ano depois que a gráfica que fazia os trabalhos, a RR Donnelley, anunciou falência. O TCU (Tribunal de Contas da União) investiga supostas irregularidades no certame.

O atraso de impressão atinge apenas o Saeb. As provas do Enem já estão todas impressas, segundo o Inep —o Enem está marcado para os dias 3 e 10 de novembro.

A diretoria responsável por avaliações da educação básica no Inep ficou mais tempo vaga do que ocupada sob o governo Jair Bolsonaro (PSL). O governo nomeou no dia 4 de setembro o general Carlos Roberto Pinto de Souza para o cargo, que estava vago desde maio.

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