Descrição de chapéu Coronavírus

Estados recorrem ao Amazonas para oferecer teleaulas durante pandemia

Conteúdo feito para 40 mil alunos pode chegar a mais de 4 milhões em isolamento por causa do coronavírus

São Paulo

Com quase nenhuma experiência de ensino a distância, estados brasileiros de diversas regiões do país recorreram ao Amazonas para oferecer teleaulas aos estudantes da educação básica durante o isolamento de combate ao coronavírus.

A dificuldade de acesso a alguns municípios e comunidades ribeirinhas fez com que o Amazonas desenvolvesse nos últimos dez anos um centro especializado na produção de conteúdos escolares televisivos.

Gravação de aula ao vivo em estúdio da Secretaria da Educação do Amazonas
Gravação de aula ao vivo em estúdio da Secretaria da Educação do Amazonas - Dirceu Neto - 1.nov.2016/Folhapress

As teleaulas transmitidas antes para 40 mil alunos agora serão disponibilizadas para mais de 4,3 milhões em quatro estados. O número ainda pode crescer, já que parcerias também estão sendo feitas com redes municipais de ensino.

“O que os outros estados estão correndo para fazer e atender emergencialmente as suas escolas, nós já temos muito bem estruturado há tempos. Nós temos sete estúdios, uma equipe técnica de mais de 100 professores especializados e formados para desenvolver e dar aulas motivadoras nesse formato”, diz o secretário de educação do Amazonas, Luis Fabian.

O estado já celebrou convênio, sem nenhuma cobrança, com o Distrito Federal, Espírito Santo, Sergipe e São Paulo. Essas unidades da federação informaram que o conteúdo poderá ser acompanhado também por alunos das redes municipais e de escolas públicas, por isso, o alcance das teleaulas pode ser maior.

Apesar de afirmar que não é possível garantir o acompanhamento de todos os alunos, Fabian diz que no Amazonas o conteúdo transmitido pela televisão será contabilizado para o cálculo das 800 horas letivas anuais obrigatórias por lei. “Quando voltarmos à normalidade, o professor vai fazer a verificação da aprendizagem nesse período. Vamos usar várias estratégias para essa checagem, não apenas avaliação do aluno. Assim, identificamos os casos que vão precisar de reforço escolar."

Nos estados que importaram o conteúdo amazonense, os secretários afirmam que as teleaulas, ao menos inicialmente, não vão entrar no cálculo das 800 horas letivas. “Ainda não sabemos quanto tempo o isolamento pode durar e como os alunos vão se adaptar ao novo modelo de ensino. Vamos avaliar nas próximas semanas e depois decidir”, diz Vitor de Angelo, secretário de educação do Espírito Santo.

Os secretários afirmam que a análise sobre o acompanhamento e rendimento dos alunos poderá ser feita pela audiência dos canais de transmissão e por aplicativos de celular. Os estados desenvolveram plataformas em que os alunos podem tirar dúvidas sobre os conteúdos das aulas e fazer exercícios.

“Reconheço que não é uma solução universal, nem todos os alunos vão ter acesso mesmo pela televisão. Mas eu não posso deixar todos os estudantes sem ao menos uma opção de atividade escolar. Não propor nada nesse momento é mais grave”, disse Angelo. Para ele, a interrupção do vínculo com o ensino pode favorecer o abandono escolar quando o isolamento terminar.

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