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Professores de escola de elite em São Paulo entram em greve

Docentes se opõem a aula presencial; outros colégios também veem resistência

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São Paulo

Professores do colégio São Domingos, em Perdizes, na zona oeste de São Paulo, entraram em greve contra as aulas presenciais. O movimento é chamado de greve sanitária e consiste em realizar o trabalho apenas de forma remota.

Outras escolas particulares voltadas às classes média e alta, como Equipe, Vera Cruz e Escola da Vila, enfrentam resistência do corpo docente para a reabertura, autorizada pela prefeitura da capital há duas semanas, desde 12 de abril.

A greve no São Domingos foi iniciada nesta segunda-feira (26). Em comunicado, a direção demonstrou aprovação ao movimento diante da gravidade da pandemia.

O secretário estadual da Educação de SP, Rossieli Soares, que recomenda a retomada de aulas presenciais, em escola estadual
O secretário estadual da Educação de SP, Rossieli Soares, que recomenda a retomada de aulas presenciais, em escola estadual - Rivaldo Gomes - 14.abr.21/Folhapress

"Entendemos a postura adotada pelos professores como uma forma de respaldar a preocupação sustentada pelo colégio São Domingos ao longo desse período extraordinário", diz o texto. Desde o ano passado, a direção tem feito críticas às autorizações dadas pelo governo e pela prefeitura à reabertura das escolas.

À Folha, o diretor, Silvio Barini Pinto, afirmou que "a direção compreende que as condições são absolutamente críticas e que envolvem riscos para todos". Ele afirma que a escola reabriu em fevereiro e início de março e teve tantos contágios por Covid que alertou os órgãos de controle sanitário.

"Hoje o quadro é bem pior do que à época. Portanto, a direção entende que a greve dos professores não é contra a escola nem contra a comunidade, mas é dirigida à falta de segurança mínima para reunir pessoas." Ele diz que a decisão tem sido respaldada pela maioria das famílias e que só recebeu e-mails com elogios.

Um empresário que tem a filha no ensino fundamental 2, no entanto, afirmou à Folha que há famílias que têm questionado a escola e que, diante da falta de perspectiva em relação à reabertura, cogitam buscar outras escolas.

No Vera Cruz, na Vila Madalena (zona oeste), famílias de matriculados a partir do 3º ano haviam sido informadas de que as aulas presenciais não seriam retomadas por ora em razão da resistência de professores e que coordenadores iriam receber os alunos.

Pais cobraram a direção sobre o retorno, que respondeu que obrigar os professores a dar aulas presenciais não seria um bom caminho e que tentaria um entendimento.

O colégio está pagando transporte por carro de aplicativo para que os funcionários evitem transporte público e tem consultoria do Hospital Albert Einstein para protocolos de saúde. Neste final de semana, segundo a Folha apurou, houve nova assembleia do corpo docente, na qual 80% votaram pela retomada das aulas presenciais.

Procurada, a direção do Vera não concedeu entrevista e, por meio de sua assessoria de imprensa, afirmou que, "no momento, temos a informar que a Escola Vera Cruz funciona com seus professores presentes e dentro dos limites estabelecidos pela Secretaria da Educação".

O Colégio Equipe, em Higienópolis (região central), não atendeu o pedido de entrevista para comentar a decisão de seguir no ensino remoto. De acordo com sua assessoria de imprensa, o colégio está estudando a possibilidade de oferecer algumas atividades presenciais ao ar livre, como educação física.

Na Escola da Vila, com unidades no Butantã, Morumbi e Granja Viana, as aulas seguem em formato remoto e há atendimento presencial para quem precisa de assistência imediata, segundo comunicado enviado às famílias, sendo feito por professores voluntários, ou seja, aqueles que concordam em ir à escola.

A Secretaria de Estado da Educação afirmou que, na rede estadual, a adesão à chamada greve sanitária foi baixa e que os professores que não ministrarem aulas presenciais sem justificativa médica terão os salários descontados.

No caso da rede privada, a volta na fase atual do Plano SP é opcional para as escolas, mas tem sido recomendada pelo secretário Rossieli Soares. Com a educação decretada como atividade essencial, as escolas podem seguir abertas mesmo durante os períodos mais graves da pandemia, tendo o limite de 35% de alunos para as fases vermelha e laranja.

De acordo com o Sieeesp (Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino no Estado de São Paulo), a resistência à reabertura se dá na minoria das escolas e está concentrada nas de elite econômica. A Abepar (Associação de Escolas Brasileira de Escolas Particulares), que reúne colégios da classe A como Vera Cruz, Santa Cruz e Escola da Vila, diz que a orientação é para que abram dentro dos protocolos.

Maria Helena Guimarães de Castro, presidente do Conselho Nacional da Educação, diz que a recomendação é para que as escolas abram sempre que houver autorização governamental, especialmente após o longo período com ensino remoto. O fechamento prolongado é considerado pelo conselho risco à saúde mental e ao aprendizado, bem como à segurança de crianças e jovens vulneráveis. Deve também agravar a evasão escolar no país.

Sindicatos de professores são contrários à retomada às aulas presenciais até que todos os profissionais do setor estejam vacinados. Em São Paulo, a categoria já entrou como prioridade na vacinação. Aqueles que têm a partir de 47 anos estão tomando a primeira dose, mas ainda não há previsão para a segunda dose nem para a vacinação dos mais novos.

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