USP e Unicamp preveem manter ensino a distância em parte dos cursos após pandemia

Tempo de aulas teóricas poderia ser usado para debates e atividades práticas, dizem pró-reitores

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São Paulo

​Implantado às pressas em razão da pandemia de coronavírus, o ensino a distância (EAD) deve continuar a ser usado para parte dos conteúdos de graduação mesmo quando as aulas presenciais voltarem, avaliam os responsáveis pela área na USP (Universidade de São Paulo) e na Unicamp (Universidade Estadual de Campinas).

As atividades presenciais nas duas universidades estão suspensas desde março do ano passado, e não há previsão de volta por enquanto.

Pró-reitor de Graduação na USP, Edmund Baracat afirma que a pandemia do coronavírus mostrou que o ensino remoto pode ser útil para determinados conteúdos, deixando o tempo de aulas no campus para atividades que requeiram maior interação entre alunos e deles com os docentes.

Ele cita como exemplo projetos, reuniões e discussões em pequenos grupos, além de atividades práticas.

“O ensino de piano e violão é prático. O internato na medicina, também. [Mas] talvez a gente possa fazer uma reengenharia para continuar com atividades remotas e guardar para o presencial atividades práticas ou as teóricas em que é necessária a interação com o docente”, afirma à Folha.

“Ainda teremos grandes conferências na FFLCH (Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas), por exemplo. Mas será que toda aula teórica precisa reunir na mesma sala 70 alunos ou mais?”

Ele ressalta que cada unidade da USP teria que definir o modelo mais conveniente. Na universidade, elas gozam de autonomia considerável para definir currículo e didática.

A ideia, porém, não é exclusiva da mais antiga universidade paulista.

Para Eliana Amaral, pró-reitora de Graduação da Unicamp, a utilização de recursos do ensino remoto é uma tendência que pode se concretizar em determinadas disciplinas.

Ela cita o exemplo de sua área, obstetrícia. “Eu dou aula sobre parto. Passo conteúdo teórico, mostro vídeo e discuto casos práticos com os alunos. Eu posso pedir que eles [remotamente] vejam o vídeo e os slides da aula e que a gente gaste o tempo juntos para discutir os casos”, diz.

“O ensino remoto mostrou que dá para usar os recursos de forma complementar. Não é novidade, mas as pessoas resistiam a eles por medo de o curso virar EAD. Não faz parte da proposta da Unicamp ter curso de graduação a distância, mas faz parte da boa prática usar recursos digitais complementares”, diz.

A utilização massiva do ensino remoto, no entanto, depende ainda de alguns ajustes no ensino superior paulista, ainda que seja a única alternativa disponível no momento.

Um dos obstáculos são os equipamentos e a conexão dos alunos, ainda mais em um momento em que as universidades recebem mais jovens de baixa renda.

As instituições, no entanto, têm tentado driblar o problema com distribuição de notebooks e chips com intenet. Recentemente, a Unicamp, que tem um vestibular indígena, conseguiu levar por meio de um ex-aluno equipamentos a estudantes no Xingu.

Outra dificuldade é a profusão de aulas em que todos ou quase todos os estudantes desligam a câmera, motivo frequente de queixas dos docentes, que dizem sentir falar para o vazio. A Procuradoria da USP analisa o tema e deve editar uma regulamentação para disciplinar questões de privacidade e utilização em provas.

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