Edital seleciona 20 iniciativas de impacto em cultura para aceleração

Podem participar negócios sociais, OSCs, movimentos e coletivos com atuação no estado do Rio

Alunos de dança e teatro da Redes da Maré em projeto cultural na favela Nova Holanda, no Complexo da Maré, no Rio
Alunos de dança e teatro da Redes da Maré em projeto cultural na favela Nova Holanda, no Complexo da Maré, no Rio - Na Lata
Patricia Pamplona
Rio de Janeiro

Para fomentar e fortalecer iniciativas culturais para que ampliem seu impacto social de forma inovadora, o programa Impulso 2018 seleciona organizações que tenham como propósito gerar benefícios para a sociedade por meio da cultura para participar de aceleração no Labora, um laboratório de inovação social.

O anúncio foi feito no evento Novos Impulsos para Impacto Social, na quarta-feira (13), no Rio. Além de mentorias e capacitações nos dez meses de aceleração do Instituto Ekloos, que usa o espaço de coworking do Oi Futuro, no Rio, onde fica o Labora, as iniciativas poderão ter um investimento de R$ 100 mil, a ser dividido entre algumas delas.

"Percebemos que algumas organizações não precisam do investimento, mas do apoio da aceleração. Por isso, vamos escolher algumas para receber o aporte", explicou Flávia Vianna, coordenadora de Inovação Social do Oi Futuro, parceiro do Ekloos no programa, durante o lançamento do edital.

Podem participar não só negócios sociais, como também organizações da sociedade civil, grupos culturais e/ou coletivos do estado do Rio de Janeiro que desejem realizar mudanças em suas realidades por meio da cultura. As inscrições vão até 7 de julho, sem previsão de prorrogação, e podem ser feitas pelo site.

"O público-alvo são pessoas físicas ou jurídicas. Pode ser só uma boa ideia que ainda esteja no papel, mas um pouquinho estruturada", afirmou Andrea Gomides, fundadora do  Ekloos. "Queremos começar também junto com vocês com as ideias que já tenham."

Para Vianna, como o instituto da Oi já vem de um histórico de patrocínio da área da cultura, a aceleração, realizada dentro do Labora, complementa essa trajetória. "Entendemos que tínhamos um espaço maior para atuar, fortalecer e ampliar impacto da cultura no estado do Rio."

IMPACTO E PROPÓSITO

Durante o evento de lançamento, duas mesas discutiram ainda "Como É Empreender para Impacto Social" e "Cenários dos Negócios de Impacto Social no Brasil", com a presença líderes de iniciativas do setor e representantes de Sebrae, Gife e Gávea Angels.

Mediadas pelo jornalista Bruno Leuzinger, do Projeto Draft, as discussões giraram em torno dos desafios e aprendizados, tanto do lado dos empreendedores como dos investimentos.

Zeca Novais, que fundou o Lona na Lua, organização que é um polo de difusão de cultura e cidadania por meio do circo em Rio Bonito, afirmou que seu maior erro foi trabalhar à espera de patrocínio. "Tem que olhar para dentro, levar o princípio da sustentabilidade e de fato ter domínio sobre o seu projeto."

Já Priscila Gomes, que criou o Malalai, um aplicativo de prevenção à violência contra a mulher, disse que seu equívoco foi na hora de buscar respostas. "O erro foi escutar as pessoas erradas e não quem vai usar minha solução."

Para Fernando Senna, da Órbita, que quer democratizar o acesso à energia solar, e Pedro Concy, da Estante Mágica, iniciativa que tem como objetivo desenvolver nas crianças habilidades de leitura e escrita para que sejam protagonistas de história de vida, os erros cometidos fizeram parte do aprendizado. "Precisa aprender rápido [com o erro] e fazer a transformação em cima dele", concluiu Concy.

Na sequência, Erika Sanchez, gerente de Programas do Gife, parceiro do Prêmio Empreendedor Social, Juliana Oliveira, gerente de Projetos de Impacto Social no Sebrae-RJ, e Daniela Balog, coordenadora-executiva do Gávea Angels, associação de investidores-anjos, trouxeram a perspectiva do outro lado da mesa, de quem fomenta financeiramente essas iniciativas de impacto.

"O desafio é avaliação e entender o que é negócio social, o que é impacto, qual sua teoria de mudança na área social", disse Sanchez, para quem a área precisa de diversidade tanto das pessoas quanto das organizações. "Negócio de impacto social não pode ser visto como uma evolução da filantropia."

A repórter viajou a convite do Oi Futuro

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