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Jovem é rejeitada por oficinas mecânicas e abre curso para mulheres

Tainná tomou a rejeição como estímulo para alcançar a própria independência e a das alunas

Giovanna Reis
São Paulo

Por ter nascido mulher, Tainná Santos, 23, foi rejeitada ao procurar trabalho em oficinas de mecânica em Porto Alegre, área ocupada quase que completamente por homens. A decepção motivou a jovem gaúcha a desenvolver o Mulher Não Fica Empenhada, curso que ensina a mulheres tudo o que precisam saber sobre seus veículos para não mais dependerem da ajuda masculina.

Nascida em Sarandi, comunidade de Alvorada (RS), Tainná é filha de uma diarista e de um pedreiro. Hoje, com o sucesso da iniciativa, a empreendedora tem casa e carro próprios, comprados com a renda do negócio de impacto.

O nome da iniciativa surgiu do significado informal atribuído à palavra "empenhada" na região sul do país. Tainná explica que a gíria é sinônimo de 'ficar na mão' ou 'de mãos atadas', exatamente como ficam as mulheres quando têm problemas com o carro e não sabem resolver.

O curso Mulher Não Fica Empenhada introduz mulheres à mecânica automotiva através de aulas práticas e teóricas
O curso Mulher Não Fica Empenhada introduz mulheres à mecânica automotiva através de aulas práticas e teóricas - Divulgação

De acordo com a jovem, o curso foi desenvolvido para todas as brasileiras que já passaram por apertos em estradas e tiveram que pagar valores absurdos a mecânicos pela assistência, sem ao menos saber os nomes das peças.

Vencedora do Prêmio Baita Empreendedor, organizado pela prefeitura de Porto Alegre, Santos administra o programa de empoderamento feminino ao lado de sua esposa, Marcia Carolina Quadros. As palestras duram quatro horas e meia e reúnem entre 90 e 120 participantes em aulas teóricas e práticas. 

"Na aula prática convidamos nossas alunas a botar a mão na massa, trocando pneu para aprender como se posiciona um macaco corretamente. Depois, apresentamos as peças e seus nomes, mostrando todos os procedimentos corretos que têm que ser feitos", conta Tainná.

As alunas aprendem a trocar pneu sozinhas e conhecem mais sobre o próprio veículo e suas peças
As alunas aprendem a trocar pneu sozinhas e conhecem mais sobre o próprio veículo e suas peças - Divulgação

O programa foi desenvolvido com base nos conhecimentos transmitidos pela ByNecessity, metodologia de ensino idealizada por Vinícius Mendes Lima, fundador do Instituto Besouro de Fomento a Iniciativas Sociais. Segundo Lima, Tainná tinha a ideia do negócio, mas faltava a parte de planejamento e estruturação da empresa.

"Foi nesse momento em que a Besouro entrou: a gente forneceu o conhecimento técnico para que ela pudesse tornar aquela ideia um empreendimento rentável, que é inovador no sentido de empoderar as mulheres", conta o fundador do instituto.

Para janeiro de 2020, Tainná deseja ter sua própria mecânica automotiva, com produção feita exclusivamente por mulheres em todas as etapas de procedimento. Ela busca ser um exemplo às brasileiras, mostrando-as na prática que todas têm direito de trabalhar com o que amam.

A empreendedora conta também que ela e a esposa não pretendem manter o curso apenas em Porto Alegre, e que já fecharam contrato com empresas de São Paulo e da Argentina. "Queremos levar o Mulher Não Fica Empenhada para fora do Brasil e mostrar para todas as mulheres que lugar de mulher é onde ela quiser."

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