Descrição de chapéu Dias Melhores

'Meus filhos voltam da escola com o buchinho cheio', diz sertaneja

Família do interior de Pernambuco teve acesso a escola, moradia e assistência à saúde em ações coordenadas dos Amigos do Bem

Eliane Trindade Cristiano Cipriano Pombo Rodolfo Stipp Martino
Buíque e Inajar (PE) e São Paulo

Maria José da Silva, 30, não esconde a emoção de ver os filhos Tereza, 13, e Rodrigo, 12, irem para a escola de ônibus, voltarem para casa com segurança e bem alimentados. "Com o buchinho cheio." 

Orgulha-se da casa nova de alvenaria, que fica ao lado da antiga de taipa, onde não tinha cama nem banheiro. Não sabia usar chuveiro. 

Todas as transformações chegaram com os Amigos do Bem. A alagoana Lia, como é conhecida, mora em Poço do Arroz, em Inajá (PE), uma das localidades mais pobres do estado, e viu seu dia a dia ser transformado pela ações estruturantes lideradas por Alcione Albanesi, 57, finalista do Prêmio Empreendedor Social 2019

A ação assistencialista contra a fome e a miséria foi tomando corpo e, a partir de 2002, transformou-se numa intervenção sistêmica, com o grupo de voluntários inovando com programas de geração de renda, de substituição de moradias insalubres e de oferta de educação de qualidade e formação profissionalizante.

“Os Amigos do Bem aparecerem na minha vida foi algo de Deus. Sonho que meus filhos vão ter um emprego. O estudo é uma porta que se abre para você arrumar um emprego bom”, afirma Lia, que se tornou voluntária no Centro de Transformação construído pela organização no município. 

A seguir, o depoimento da sertaneja que se orgulha da letra linda dos filhos e que passou a sonhar com dias melhores.

A Escolha do Leitor está com votações abertas; conheça os finalistas e participe

Poder abrir a janela de casa e sentir o vento no rosto é uma bênção tão especial para mim, porque eu vivia em uma casinha sem janela, de barro, sem cama, sem banheiro, com bicho, barbeiro. 

E passei a morar em um lar, com colchão, chuveiro e durmo com aquele conforto, na cama. É o meu tesourinho.

Só tenho a agradecer a Deus e a quem doou a minha casa. Não tem comparação sair de onde eu estava para cá e, principalmente, ter escola boa para os meus filhos.

Eu não tive estudo, e meus filhos estão em uma escola muito boa. Eles tomam café, almoçam, jantam e voltam alimentados. Chegam em casa com o buchinho cheio. Sei o conforto que meus filhos estão tendo. Essa é uma chance que eu não tive.

É maravilhoso ver os meus filhos irem e voltarem da escola com segurança. O ônibus dos Amigos do Bem nunca deixou de vir. Isso é um sonho. Eu olho com orgulho o caderno completo de lição. Tudo bonito, com aquelas letras lindas que eles têm. 

Estudei até a segunda série, por causa das dificuldades. Nós não tínhamos merenda, e era muito longe para eu ir estudar. Só aprendi o meu nome e pronto. Fui morar no mato.

É muito importante ver um filho escrever o meu nome, fazer uma carta e uma flor no Dia das Mães, o que eu nunca fiz para a minha.

Tem também o CT [Centro de Transformação, com salas de aula, auditório, biblioteca, brinquedoteca, quadra poliesportiva, refeitório e outras estruturas] para frequentar. Lá teve um almoço [no Dia das Mães] para nós, com bolo e até tapete vermelho.

Vi meus filhos cantando e dançando, com os sorrisos estampado nos rostos. Isso ficou na minha mente.

Sonho que eles vão ter um emprego. O estudo é uma porta que se abre para arrumar um emprego bom. Pode ser em algum mercado, para embalar os produtos que os clientes comprarem. Mas eles estudam em computador, já estão dando um passo para a frente.

Saiba quem são as sete iniciativas finalistas do Prêmio Empreendedor Social 2019

Só tenho que agradecer aos Amigos do Bem e a Alcione [Albanesi, presidente da entidade]. Ela é uma guerreira, que abriu essa porta para que nós tivéssemos uma vida melhor.

Nós vivemos com a ajuda da feira [doação de cestas de alimentos] que eles proporcionam. Se não fosse essa feira, iríamos passar fome. O que nós plantamos não conseguimos colher. Também não há emprego nem serviço para ninguém aqui. 

O Bolsa Família ajuda, mas não é o suficiente. A feira e a alimentação que os meninos fazem na escola ajudam. 

Eu passei fome na casa dos meus pais. Quando eu me juntei com meu marido, a situação não melhorou. No fim de semana, a gente ia para a casa da minha sogra, que era aposentada. O pouco que ela tinha ela rachava com a gente. 

Hoje, o apoio que recebo é muito grande. Ganho roupa, calçado, lençol. A roupa que estou vestida não é comprada. É dada. Vem dos Amigos do Bem. 

Também temos acesso aos médicos e dentistas. Passei cinco dias com os dentes doendo, fui tratada e agora estou boa, pronta para o que der e vier.

E sou voluntária lá no Centro de Transformação, porque eles me ajudam tanto que eu sinto que devo fazer o mesmo.

E dou graças a Deus. Só coisas boas estão aparecendo aqui. Posso sonhar com dias melhores.

Comentários

Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.