Startup de impacto em saúde mental recebe R$ 4,5 milhões para ampliar atuação dentro de empresas

Plataforma contribui para a redução do adoecimento emocional de funcionários, com 3.500 psicólogos cadastrados e atuação em mais de 50 países

São Paulo

A Vittude, startup de impacto social que ajuda empresas a cuidarem da saúde mental e bem-estar dos colaboradores, recebeu um aporte de R$ 4,5 milhões, liderado pelo fundo Redpoint eventures.

A rodada também contou com participação da Superjobs, venture capital voltada para negócios de impacto em saúde. 

O investimento será utilizado na ampliação do Vittude Corporate, serviço focado em empresas, cujo principal objetivo é ajudar na saúde mental dos colaboradores das companhias, contribuindo para que gestores reduzam custos oriundos do adoecimento emocional, como o sinistro dos seguros saúde, absenteísmo, presenteísmo, turnover e a baixa produtividade. 

Trata-se de um serviço inovador, que engaja cinco vezes mais os colaboradores do que os tradicionais EAP (Programa de Assistência ao Colaborador).

“Normalmente, esses programas possuem baixo índice de utilização e os canais 0800 são utilizados com foco nos momentos de crise, não direcionando a atenção para a prevenção. Atuar apenas no emergencial não reduz os custos de saúde de forma eficiente e nem contribui no atingimento de metas de negócio”, afirma Tatiana Pimenta, CEO da Vittude.

Além disso, um estudo da KPMG mostra um ROI de quatro vezes para investimentos em saúde mental no ambiente de trabalho.

Tatiana Pimenta e Everton Höpner, fundadores da Vittude
Tatiana Pimenta e Everton Höpner, fundadores da Vittude - Divulgação

Fundada em 2016 por Tatiana e Everton Höpner, a Vittude já atende clientes em mais de 50 países. Atualmente, a plataforma tem cerca de 3.500 psicólogos cadastrados e possui entre seus clientes empresas como a Resultados Digitais, 99, Grupo Positivo e os escritórios de advocacia Trigueiro Fontes e Lobo de Rizzo. 

A empresa foi acelerada pela Artemisia dentro da Estação Hack, primeiro centro de inovação do Facebook do mundo. Foi uma das dez startups selecionadas entre as quase 2.000 que disputavam a vaga na segunda turma da aceleração. 

Segundo Maure Pessanha, diretora-executiva da Artemisia –organização sem fins lucrativos responsável pela aceleração dentro da Estação Hack– a Vittude foi selecionada por ter um time de lideranças consistente, com habilidades complementares, e pelo alto potencial de impacto para a sociedade.

“Saúde mental é uma questão contemporânea que merece atenção urgente frente aos números alarmantes de ansiedade e depressão no país. Levando em consideração que metade dos municípios do Brasil não tem psicólogos, a solução da Vittude tem atuado para democratizar o acesso à terapia, levando a possibilidade de brasileiros e brasileiras serem atendidos por profissionais pela plataforma", afirma Maure.

Um dos pontos fortes da startup é a preocupação com a qualificação da base de psicólogos credenciados.

Para os fundadores da Vittude —que já tiveram depressão e burnout no passado— é preciso um psicólogo experiente para um tratamento eficaz, bem preparado, que se mantenha sempre atualizado, fazendo terapia e supervisão. Por essa razão, a plataforma prima pela qualidade do serviço prestado aos clientes finais, os colaboradores. 

Segundo Romero Rodrigues, sócio da Redpoint eventures, cada dia mais é essencial que as empresas invistam na saúde mental dos colaboradores.

"Escolhemos a Vittude por entender que a empresa havia se posicionado de forma estratégica, primando pela qualidade dos psicólogos e fugindo da guerra de preços. O maior ativo de uma empresa é o cérebro dos seus colaboradores e os melhores gestores já acordaram para o fato de que a mente precisa ser muito bem cuidada", ressalta.

Adepto da psicoterapia desde 2007 —quando era CEO do Buscapé— , Rodrigues entende que essa é uma ferramenta muito importante para empreendedores líderes, gestores e pessoas que trabalham sob pressão e tempo apertado.

"A posição de CEO é muito solitária. Fazer terapia me ajudou no autoconhecimento e em uma leitura melhor do ambiente ao redor", afirma Romero, cujo fundo já investiu em startups como Gesto, Xerpa, Gympass, Rappi, Olist e Creditas.

Para Tatiana Pimenta a rodada representa um marco importante na história da empresa.

"O fato da Redpoint ter escolhido a Vittude, entre outras startups do mercado, é um atestado de credibilidade. Costumo dizer que os psicólogos Vittude são nossos maiores ativos e, por isso, temos muita atenção e cuidado com eles", explica a fundadora.

A empresa, que já havia sido investida pela Vetor Editora —líder em psicometria e testes psicológicos no Brasil— pretende utilizar os recursos captados para ampliar o time de vendas e produtos.

De olho no futuro, os diretores da Vittude já estão pensando em ferramentas e escalas preditivas que possam antever o adoecimento, ajudando gestores médicos e de RH a tomarem decisões mais assertivas e eficientes. 

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