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José Dias

Eleições municipais: o povo pode mais?

José Dias

Formado em ciências econômicas, é coordenador e captador de recursos do Centro de Educação Popular e Formação Social (CEPFS). É empreendedor social da Ashoka e da Rede Folha de Empreendedores Socioambientais.

As eleições municipais representam um momento importantíssimo no processo de consolidação da democracia, oportunidade em que cidadãos e cidadãs disputam espaços no executivo e legislativo, ao mesmo tempo em que exercem o direito de votar e ser votado, elegendo seus representantes.

É um momento em que pronunciamos e escutamos vários slogans, entre eles “o povo pode mais!”.

Mas, nem sempre é o povo que pode mais. A estrutura de dominação que há séculos desenvolve formas de entrar ou manter-se no poder por meio de grupos políticos tradicionais consegue planejar estratégias a partir da realidade cultural de dependência econômica, formação despolitizada, para manipular grande parte da sociedade, de tal modo que o povo pronuncie o slogan “o povo pode mais”, mas não consiga se apropriar desse poder.

Infelizmente o que acontece na maioria dos municípios é o fortalecimento de um grupo político que já estava no poder ou outro que entrará a partir do referendo do povo, e ficará por 4 anos sem criar nenhum espaço de participação da sociedade, de tal modo que o slogan “o povo pode mais” venha a se configurar como uma estratégia de gestão.

Muitos outros slogans são trabalhados de tal modo que o próprio povo termina assumindo o desenvolvimento das campanhas, se envolvendo ao máximo a ponto de gerar desavença com amigos e até com familiares, na defesa dessa ou daquela cor, pouco se importando com a essência das propostas e conduta dos candidatos.

Devido à disseminação da cultura tradicional de que cabe aos eleitos fazer para o povo, torna-se muito difícil mobilizar a população para criar espaços de acompanhamento da ação dos eleitos, de modo a assegurar que o povo que elegeu seus representantes possa assumir as rédeas do poder.

A história tem demonstrado que só votar não basta. A população precisa se articular para ir além. Exercendo apenas o direito de votar o povo estará simplesmente tirando o poder que possui e transferindo-o para um líder ou um grupo político que, na maioria dos casos, exercerá suas atribuições de maneira dominadora, excludente. Portanto, muito se precisa avançar para se conquistar espaços capazes de colocar em prática o mote “o povo pode mais”.

É possível analisar quais os candidatos que, dada a sua trajetória de vida e coerência, apresentam mais indicação de que,em caso eleição ou reeleição, criarão as condições para que o povo realmente possa mais.

O momento das eleições é importante, portanto, ao invés de ficar ligado só nas cores, promovendo discórdia com amigos e até familiares ao defender seus partidos, procurem conhecer o plano de governo e analisar a coerência dos candidatos, de modo a encontrar, em suas trajetórias de vida, indícios de que eles farão governos participativos, de conformidade com as condições de cada município para o exercício do povo no poder.

Dialogar com os amigos, com os vizinhos sobre a importância da gestão do poder após o voto pode ser um caminho. Será uma oportunidade para conquistas importantes na implementação e gestão das políticas públicas,viabilizando sonhos e necessidades da população, a partir dos seus reais interesses e condições de cada município.

“O povo pode mais” será possível a depender do nosso comportamento no processo das eleições.

Para grande parte dos governantes interessa apenas o voto e seus próprios interesses, mas aos eleitores deve interessar muito mais: o desenvolvimento por meio da aplicação correta dos recursos em políticas públicas eficientes para atender as necessidades da população

O histórico da gestão pública evidencia que isso só será possível com participação popular, portanto, depende de nós.

É com essa abordagem de entendimento que o Centro de Educação Popular e Formação Social (CEPFS)desenvolve suas atividades ao logo de sua trajetória de atuação, acreditando que juntos se pode mais, juntos se consegue enxergar o que isolados não é possível.

O trabalho conjuga atividades de formação e apoio às famílias para o desenvolvimento de tecnologias sociais para a convivência com as adversidades do clima semiárido, no sertão da Paraíba. São iniciativas muito importantes, mas sua escalabilidade depende das políticas públicas.

Para a continuidade e ampliação desse trabalho, necessita-se da colaboração de pessoas físicas e jurídicas. Contamos com seu apoio.Visiteo site https://cepfs.org.br/, conheça a causa.

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