Com menos doações, Consultório na Rua precisa dividir álcool em gel em frascos menores para dar a sem-teto

Iniciativa concorre na Escolha do Leitor em que público poderá, além de votar em suas preferidas, doar para ações de enfrentamento à Covid-19

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São Paulo

“Se a gente não cuidar de quem tá na rua, não vamos acabar com a Covid nunca”. A frase é de Marta Regina Akiyama, 50, assistente social e coordenadora do Consultório na Rua, iniciativa que promove atendimento médico para pessoas que vivem sob pontes e viadutos em São Paulo.

Ela traça um paralelo com a tuberculose, doença que acomete essa população há décadas. “Essas doenças são comunitárias, o problema é de todos. Temos que cuidar uns dos outros” diz.

Em 2020, o Consultório na Rua criou a campanha #SeparadosSomosMaisFortes, referência ao distanciamento social, para evitar que a Covid-19 se tornasse tragédia maior entre as 24 mil pessoas que vivem nestas condições em São Paulo, de acordo com censo da prefeitura de 2019.

A iniciativa que foi destaque no Prêmio Empreendedor Social do Ano em Resposta à Covid-19 agora opera com 20% de sua capacidade. “As doações diminuíram bruscamente em 95%”, aponta Akiyama.

Uma das maneiras de compensar a falta de kits de higiene, por exemplo, foi dividir o álcool em gel em recipientes menores para alcançar mais pessoas. Um pote de 300ml se torna três de 100ml.

As 10.000 máscaras mensais hoje são apenas 500, o que não dá para um dia de ação na rua. E as garrafinhas de água, fundamentais nos períodos em que os parques são fechados ao público, minguou para 2.000 por mês. “Temos o bazar e estamos fazendo rifa, vendendo cosméticos, nos virando”.

Marta acredita que a pandemia deu visibilidade para pessoas em situação de rua e quebrou preconceitos. “O que podemos fazer pelas gestantes e crianças que estão nas ruas? Não podemos só dar remédio e fazer curativo e ver essa miséria toda”, diz.

As equipes, compostas por profissionais e agentes de saúde, visitam albergues e equipamentos de assistência social, além das ruas. Fazem curativos, controlam a pressão e a temperatura, examinam os pulmões e monitoram os sintomáticos.

“A segunda onda está contaminando mais a população de rua que a primeira”, afirma Marta. Em uma das casas, com capacidade para 40 pessoas e média de 18 atendidos, o espaço está lotado. A contaminação também foi frequente entre os profissionais e gerou rotatividade enorme no projeto. “Chegamos a 75% deles diagnosticados com Covid”, diz.

Como finalista na categoria Ajuda Humanitária do prêmio, a campanha #SeparadosSomosMaisFortes vai à votação popular, concorrendo com outras nove iniciativas na Escolha do Leitor.

O público poderá eleger seu finalista favorito em cada uma das categorias ao longo de três meses, em formato inovador no qual a enquete, no site da Folha, torna-se também plataforma de doação.

COMO VOTAR NA ESCOLHA DO LEITOR

Passo 1 Acesse folha.com/escolhadoleitor2021 e escolha a iniciativa que mais fez seus olhos brilharem

Passo 2 Clique no botão "Quero votar" e aguarde a confirmação

Passo 3 Faça uma doação para uma delas clicando em "Doar agora"

Passo 4 Preencha seus dados, valor da doação e clique em "Enviar"

Os vencedores da Escolha do Leitor, tanto os recordistas de votos quanto os líderes na captação de doações, serão anunciados em um dos eventos de comemoração aos 100 anos do jornal ao longo de 2021.

As doações obtidas na premiação serão destinadas para a compra de máscaras e kits de higiene para a população em situação de rua. “Queremos retomar o projeto em 100%”, aposta Marta.

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