'Doença não vai me vencer', diz recordista paraolímpica

Beth Gomes recebeu o diagnóstico de esclerose múltipla há 19 anos

Letícia Sé
Praia Grande (SP)

Não é fácil entrevistar Beth Gomes, 54. A conversa, num evento sobre esporte adaptado na Praia Grande (SP), é interrompida por pessoas que querem tirar fotos e abraçar a paratleta e recordista mundial. Os últimos ouros foram conquistados neste ano nos Jogos Parapan-Americanos, no Peru.

A esportista nasceu perto dali, em Santos, onde vive com o irmão. “É uma cidade plana, posso ir e vir sem barreiras. São Paulo tem muita ladeira”, diz, comparando sua região com a capital paulista, onde integrou o time de basquete sobre rodas do Hospital das Clínicas de 1997 a 2000. 

Mas o basquete não foi sua primeira paixão. “Quando era andante, amava o vôlei”, afirma. Naquela época, Gomes jogava com a equipe da guarda municipal, em que fez carreira. 

  
 

Em 1993, aos 28 anos, perdeu o equilíbrio tentando pular uma poça d’água. Caiu e fraturou a perna esquerda. “Já era um sintoma da doença”, diz, referindo-se à esclerose múltipla de tipo remitente recorrente (forma mais comum), diagnosticada no ano 2000. 

Por sete anos, ela teve crises esporádicas e sofreu com fadiga, tontura, perdas temporárias da visão e formigamentos. As suspeitas eram de AVC e de um tumor no cérebro. “Os médicos não tinham tanto conhecimento sobre esclerose múltipla.” O diagnóstico veio depois de um surto em que ela perdeu a movimentação das pernas.

Gomes precisou se aposentar e encontrou refúgio num time masculino de basquete adaptado —não havia equipe feminina em Santos. “O esporte me tirou da cama.” No ano seguinte, ela foi jogar no time de basquete feminino do HC.

Em 2010, trocou o basquete pelo atletismo, com o qual flertava desde 2006. Seus ouros e recordes desde então têm sido no lançamento de peso e de disco. 

Gomes divide a semana entre os treinos para o Mundial de Atletismo em Dubai, nos Emirados Árabes, que acontecerá em novembro, e o trabalho voluntário no Centro de Atendimento e Tratamento de Esclerose Múltipla, na Santa Casa de Santos. No centro, ela promove conversas motivacionais com pacientes atendidos pelo SUS. “Sempre há uma nova chance para a vida. A esclerose múltipla não vai me vencer.”

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