Empresa entra na Justiça contra União e Anvisa para poder plantar Cannabis

Anvisa deve discutir proposta de regulamentação de medicamentos à base de maconha em 8 de outubro

Matheus Moreira
São Paulo

A empresa brasileira Schoenmaker Humako, pertencente ao grupo Terra Viva, entrou na Justiça contra a União e a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) pelo direito de poder importar e plantar sementes da Cannabis para fins medicinais.

Em comunicado, o grupo diz que “entrar com a ação judicial é a única forma de produzir legalmente essa cultura”. O grupo diz ainda que não tem interesse em cultivar a planta para fins recreativos. 

A empresa, fundada por holandeses, produz e vende cereais, flores e plantas ornamentais, eucaliptos, legumes e frutas.

Há mais de cem canabinoides, mas o que a empresa quer cultivar é o conhecido como cânhamo, que não é psicoativo porque tem cerca de 0,3% de THC, a substância que causa os conhecidos efeitos. 

Procurada, a Anvisa afirma não ter sido notificada até o momento de qualquer ação movida pela empresa.

 

Atualmente, não é permitido cultivar ou vender qualquer espécie de Cannabis no Brasil, independente da quantidade de THC presente. 

A situação pode mudar em breve. No dia 8 de outubro, a Anvisa vai apresentar uma proposta de regulamentar o registro de remédios à base de Cannabis no Brasil e que dá aval ao plantio de maconha por empresas para a produção de medicamentos. A discussão levará em conta as manifestações da consulta pública.

Segundo o diretor-presidente da Anvisa, William Dib, se a proposta for aprovada, a previsão é que os medicamentos à base da planta demorem ao menos um ano para chegar ao mercado. Apesar de enfrentar resistência por parte do governo Bolsonaro, o diretor se diz otimista sobre a aprovação da medida.  

“Essas coisas [pressão do governo] para mim são normais. Tem gente que não admite o jogo democrático. Acho que faz parte do processo. Vai parecer que estou criticando o governo, mas não estou. Não faz parte da minha cultura discutir o que não é meu dever. Só posso discutir medicamento à base de Cannabis. Fora isso, não é meu papel”, disse em entrevista à Folha

Entre os principais críticos está o ministro da Cidadania, Osmar Terra, que disse que a Anvisa estaria tentando legalizar a maconha no Brasil. 

Nesta semana, Terra criticou reportagens da Folha sobre maconha medicinal por, segundo ele, apoiar um “poderoso lobby maconheiro”. Em seguida, o ministro reconheceu que o canabidiol “pode ter efeito medicinal”. 

A série de reportagens partiu de iniciativa da própria redação, já que a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) está prestes a publicar novas propostas de regulamentação da maconha medicinal no país.

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