Descrição de chapéu Coronavírus

Startups oferecem teste de coronavírus via Rappi, e a cada exame comprado doarão outro

Movimento batizado de #2em2 quer distribuir exames a hospitais públicos e filantrópicos

São Paulo

Startups e empresas se uniram para oferecer testes sorológicos de coronavírus para a população por meio de aplicativos de entrega. No movimento batizado de #2em2, a cada teste comprado um segundo será doado a hospitais públicos e filantrópicos.

Após confirmação da compra pelos apps da Rappi, ao custo de R$ 251, o cliente agenda um dia e horário e para fazer a coleta de sangue, que terá início na próxima segunda-feira (25) no estacionamento do shopping Iguatemi, zona oeste de São Paulo. Não é necessário pedido médico para realização do exame, contrariando a orientação do Ministério da Saúde.

A iniciativa é da Vitta, startup de saúde, da Cia. da Consulta, prestadora de serviços e consultas médicas, da ONG Renovatio, que leva atendimento oftalmológico a locais remotos, e do estudante de medicina Alberto Davi. Além da Rappi, colaboram o serviço de entregas Loggi, a operadora de máquinas de cartão Stone, o laboratório de análises clínicas Hermes Pardini, o grupo Iguatemi de administração de shoppings, o escritório de advocacia Mattos Filho e a investidora XP.

A doação de testes rápidos para os hospitais visa reduzir a barreira imposta hoje pela falta de insumos para saber a porcentagem dos profissionais de saúde que já foi infectada. Os clientes também poderão escolher doar o segundo teste para uma pessoa conhecida, como um familiar.

De acordo com Felipe Folco, médico e diretor técnico da Cia. da Consulta, o movimento entende que existe uma demanda espontânea dos pacientes por realizar exames sorológicos. Apesar da falta de pedido médico, Filco diz que os pacientes terão orientação e que o laudo laboratorial incluirá outras informações, baseadas nas respostas de questionário realizado no momento do exame, para informar corretamente os pacientes em caso positivo.

O principal propósito do projeto, explica, é gerar informação tanto para o indivíduo se já teve contato com o vírus, principalmente para quem é do setor de atividades essenciais, quanto para as autoridades, uma vez que será feito um mapeamento da disseminação do vírus nas regiões da grande São Paulo.

Os idealizadores lembram também que existem várias iniciativas de testagem em massa em nível municipal e nacional, e que o intuito do movimento é complementar essas medidas.

Os testes realizados são de quimioluminescência, com eficácia maior do que os testes rápidos aprovados pela Anvisa para venda em farmácias. A eficácia dos testes é de 76% a 86%, se realizado até o 14º dia após o contágio inicial e pode chegar a mais de 95% se realizado após o 20º dia de aparecimento dos sintomas, afirma Victor Fiss, da Cia. da Consulta.

De acordo com Fiss , o projeto conta com apoio de médicos especialistas da Faculdade de Medicina da USP, do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, da Faculdade de Medicina do ABC, do Hospital das Clínicas e Universidade do Estado do Rio de Janeiro. A validação dos testes, tanto sorológicos quanto rápidos doados aos hospitais, ficou a cargo da Faculdade de Medicina do ABC.

O resultado do exame é divulgado via email pela Cia. da Consulta em até 72 horas. A notificação para os órgãos de saúde é obrigatória, e todos os resultados positivos são informados via sistema do governo.

“Encontramos muitas barreiras que impedem hoje a testagem em massa da população. Nosso movimento visa destravar essas barreiras, tanto financeira quanto operacionalmente”, diz.

Esse mapeamento, contudo, apresentará um recorte demográfico e social importante, e por isso a doação dos testes para hospitais filantrópicos será essencial, afirma Ralf Toenjes, idealizador da ONG Renovatio e responsável pela logística de doações do projeto.

Toenjes, que foi vencedor do prêmio Empreendedor Social Folha 2017, explica que uma das questões levantadas nas reuniões do grupo foi a dificuldade de acesso dos testes para o coronavírus por pessoas que moram em comunidades carentes e de baixa renda.

“Há carência de testes no SUS. Dos oito países mundiais com maior número de casos, o Brasil é o que menos testa. Não adianta testar apenas aqueles que podem pagar e as pessoas mais vulneráveis não terem acesso aos exames”, diz.

“Sabemos da deficiência que o estado tem hoje em distribuir os testes rápidos aos hospitais e aos profissionais de saúde. Por isso, entendemos que era uma demanda importante e já temos hoje 20 mil testes prontos para a doação”, completa.

Segundo Tiago Barros, da Vitta, além de ser uma ação da iniciativa privada no combate à pandemia, a ideia do movimento é auxiliar o poder público na tomada de decisões, como por exemplo embasar a flexibilização do isolamento ou a implementação de restrições mais rigorosas.

“Nosso objetivo é ter um raio-X mais real da situação da pandemia no país, mas temos que tomar cuidado porque ter tido o vírus por si só não significa que não há mais risco de contágio, não é medida para flexibilizar a quarentena. À medida que as pesquisas científicas avançam e alinhados com a OMS, o Ministério da Saúde e os órgãos públicos, podemos orientar de uma forma diferente, mas por enquanto não existe essa certeza”.

Barros ressalta ainda que é importante entender que o teste positivo não necessariamente significa ter a imunidade, uma vez que imunidade adquirida contra o coronavírus ainda não possui respaldo científico.

Lançado na última quarta-feira (20), o movimento conta com a capacidade no momento de testar até 800 pessoas por dia, embora seus criadores não tenham um número-alvo, mas pretende expandir a operação para outras cidades e regiões.

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