Descrição de chapéu Coronavírus

Governo de SP estima que casos de coronavírus podem dobrar e chegar a 265 mil em junho

Equipe da saúde estadual sustenta que números mostram redução no contágio

São Paulo

A gestão João Doria (PSDB) prevê que o número de casos confirmados de coronavírus no estado de São Paulo pode, no mês de junho, até dobrar em relação ao registrado até agora.

A projeção foi apresentada nesta quarta-feira (3), em uma entrevista coletiva no Palácio dos Bandeirantes, no Morumbi, zona oeste de São Paulo.

De acordo com estudo apresentado, o estado pode sair de 118 mil casos no início do mês para entre 190 mil e 265 mil casos. O governo afirma que a doença aumentou 10 vezes de abril a maio. Em maio, aumentou 3,6 vezes. Neste mês, o aumento seria de entre 1,7 e 2,4 vezes.

"Não há surpresa nos números que estão sendo anunciados todos os dias, em casos e em óbitos. A mesma projeção que o governo de São Paulo fez para o passado e se confirmou", disse o vice-governador Rodrigo Garcia (DEM). "Os números apresentados estão previstos nos cenários, lembrando que são a referência para o sistema de saúde."

Nesta quarta (3), o número de casos confirmados de coronavírus no estado estava em 123.483 e o número de mortes pela doença, em 8.276. Além disso, há 7.432 internados em enfermaria e 4.527 em UTI em São Paulo. Na Grande São Paulo, 84,7% dos leitos de UTI estão ocupados; já no estado, são 72,3%.

Doria afirmou que mais da metade do estado continua sob as mesmas restrições desde o começo da quarentena e que segue a ciência em suas decisões. A decisão da reabertura tem sido criticada por diversos especialistas, mas o governo sustenta que se tratam de etapas pensadas de acordo com a capacidade do sistema de saúde e índices estabelecidos.

De acordo com o governo, entre os dias 26 de maio e 2 de junho houve melhora em três dos cinco critérios na média estadual. "A taxa de ocupação de leitos de UTI caiu de 73,5% para 72,4%, o número de vagas por 100 mil habitantes foi de 11,8 para 13,3 e as internações decresceram três pontos percentuais. Com a ampliação da testagem, houve aumento na índices de casos (61%) e de mortes (23%) por COVID-19", diz o governo, em nota.

Doria afirmou voltou a afirmar que a avaliação será diária e semanal. "Da mesma forma que oferece regras para a retomada, [o plano] também apresenta indicadores para a revisão imediata das medidas e, se necessário, retorno à situação anterior", disse.

Na semana que vem, cidades poderão ser "rebaixadas" e outras progredirem na retomada, o que deve acontecer a cada 15 dias. Mas o governo estadual anunciou o viés de cada região que, se mantido, pode definir áreas que terão de fechar novamente ou poderão avançar de fase.

Após o anúncio de reabertura, ruas de cidades do interior ficaram lotadas e houve até filas em shoppings. Questionado pela Folha sobre o assunto, Doria afirmou que a reação era esperada em um primeiro momento.

"É normal no primeiro momento de uma reabertura gradual e faseada que haja uma certa vontade e desejo das pessoas de frequentarem e na aquisição de algum bem, produto ou serviço que durante a quarentena não pôde fazer", disse Doria. Segundo o tucano, porém, isso se dá dentro dos protocolos estabelecidos.

O governo afirmou que as regiões de Bauru e Barretos tiveram piora nos índices e, com isso, podem regredir na reabertura da quarentena. Por outro lado, se mantiver os índices atuais, o litoral poderá reabrir comércios.

A decisão só será tomada com números fechados na próxima semana.

São Paulo foi incluída na chamada área laranja, na classificação de cinco fases do governo: vermelha, laranja, amarela, verde e azul. Na primeira, há restrição total, que vai desaparecendo gradualmente até chegar na fase azul, de abertura.

As duas regiões, de Bauru e Barretos, estavam na fase amarela, que permite a reabertura de comércios e escritórios. Já o litoral está na fase vermelha, que permite abertura apenas de atividades essenciais.

Segundo índices mostrados pelo governo estadual, a Grande SP, se mantiver atual situação, pode continuar na chamada zona vermelha.

"Nós tivemos a Baixada Santista com uma melhora significativa, na ocupação e também no número de casos. Por isso, com viés laranja já, a Baixada Santista", afirmou o secretário de Desenvolvimento Regional, Marco Vinholi.

Ele também citou melhora no Vale do Ribeira e no Vale do Paraíba.

Ocupação de leitos

Segundo o prefeito de São Paulo, Bruno Covas (PSDB), pelo segundo dia consecutivo a taxa de ocupação de leitos de UTI na cidade ficou abaixo de 70%. Desde abril, a ocupação estava acima desse índice.

Segundo Covas, a ocupação nesta quarta estava em 63%. Em todo o estado, a taxa de ocupação de leitos de UTI é de 72,3%.

"Estamos em fase decrescente de solicitação de leitos de UTI na cidade e a nossa preocupação central neste momento é que essa demanda não volte a crescer. Estamos com indicadores abaixando na cidade, o que indica um controle da pandemia", disse o prefeito.

A capital paulista registrou 4.305 óbitos por coronavírus.

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