Descrição de chapéu Coronavírus

Surto de coronavírus atinge 87% de residentes de asilo no interior de SP

Covid-19 mata 6 idosos no Lar dos Velhinhos de Americana; mais da metade dos funcionários tem doença

Americana (SP)

Um surto do novo coronavírus atingiu 27 dos 31 residentes do Lar dos Velhinhos de Americana, no interior de SP, com um saldo até esta quinta-feira (6) de seis idosos mortos.

A última morte —uma mulher de 84 anos que estava internada no Hospital Municipal e não tinha doenças preexistentes— ocorreu na última terça. Entre os 34 funcionários, 18 tiveram diagnótico de Covid-19 confirmado, sem mortes.

Instituições de Longa Permanência para Idosos (ILPIs) como o Lar dos Velhinhos abrigam o grupo mais vulnerável ao coronavírus, que são pessoas acima de 60 anos, muitas delas com comorbidades. Quando há registro de caso suspeito ou confirmado de Covid-19 em uma unidade, o protocolo é acionar os órgãos de saúde e a Vigilância Sanitária

Entre fevereiro e 12 de junho, 499 Instituições de Longa Permanência para Idosos no município de São Paulo registraram 190 óbitos e 755 casos de Covid-19 , segundo mapeamento do Ministério Público.

Até esta quinta, Americana registrava um total de 2.526 casos confirmados e 88 mortes por Covid-19.

Comemoração dos aniversariantes do mês de julho no Lar dos Velhinhos de Americana (SP)
Comemoração dos aniversariantes do mês de julho no Lar dos Velhinhos de Americana - Lar dos Velhinhos de Americana no Facebook

Os primeiros resultados positivos para coronavírus foram detectados no lar em junho, quando uma parceria com o Rotary Club permitiu a testagem de todos os idosos e funcionários. A casa passou então a ser monitorada pela Vigilância Epidemiológica municipal.

A primeira morte foi registrada em 10 de julho —um homem de 75 anos, com câncer. Após duas novas mortes, os exames de idosos e funcionários foram repetidos em 23 de julho.

"Para nossa surpresa, [houve] um aumento significativo de casos positivo, mesmo a maioria não apresentando sintomas”, afirmou nota do lar na ocasião.

Ainda segundo a nota, mesmo tendo sido adotadas as medidas preventivas recomendadas pelas autoridades, a doença evoluiu de “modo muito rápido”.

Em fotos publicadas em redes sociais, funcionários e residentes do lar aparecem sem proteção adequada em comemorações internas. A maioria dos idosos é vista sem máscara, enquanto funcionários posam com máscaras no queixo abraçando residentes.

As comemorações são pelos aniversariantes do mês, em 30 de julho, e pelos 50 anos da entidade, em 3 de agosto — quando quatro mortes já haviam ocorrido. Procurado pela Folha, o Lar dos Velhinhos informou que apenas a coordenadora, Suellen Estevam Bortolotti, estava autorizada a falar mas estaria disponível apenas na segunda-feira (10).

Posteriormente, em mensagem de e-mail não assinada, o lar informou que "os idosos em geral sempre tiveram dificuldades em utilizar máscaras, inclusive pelo grau de comprometimento cognitivo".

Sobre as comemorações, o lar informou que "as fotos foram tiradas por grupos separados por casos confirmados, onde todos eles já estavam diagnosticados positivo, pelo mesmo período da quarentena, ou seja, não havia risco de transmissão entre os idosos".

"Os funcionários permaneceram residindo na entidade por decisão própria, preservando outra parte dos funcionários até então negativos e, portanto, mantinham os cuidados necessários de proteção."

Em nota, a prefeitura afirmou que "a Vigilância Sanitária esteve no local e não constatou nenhuma irregularidade, sendo que os protocolos recomendados para esse tipo de casa estavam sendo seguidos".

"Diante da gravidade do quadro, o contato com o estabelecimento tem ocorrido diariamente e as visitas têm sido constantes e periódicas", acrescentou.

Quanto às imagens das festas, a prefeitura informou que "a questão será encaminhada à vigilância para que se apure o ocorrido e a possível infração ao protocolo de segurança".

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