Descrição de chapéu Financial Times Coronavírus

EUA registram mais de 4 mil mortes de Covid-19 em um dia pela primeira vez

Arizona, Califórnia e Texas lideram aumento, atribuído à temporada de férias

Nova York | Financial Times

Os Estados Unidos tiveram o dia com mais mortes desde o início da pandemia de coronavírus nesta quinta-feira (7), registrando mais de 4.000 óbitos pela Covid-19 pela primeira vez, conforme casos e hospitalizações vêm atingindo níveis recordes após a temporada de férias.

O país registrou um total de 4.033 mortes atribuíveis ao coronavírus, de acordo com dados do Covid Tracking Project, liderados por aumentos no Texas, Arizona e Califórnia. O número de mortos ultrapassou o recorde anterior de 3.903 em 30 de dezembro.

O número de pessoas atualmente em hospitais dos EUA com Covid-19 diminuiu para 132.370, 94 a menos que no pico de quarta-feira (6). Os estados relataram 266.197 novas infecções, o segundo maior aumento em um dia desde o início da pandemia. Nova York, Flórida e Carolina do Norte superaram a marca diária de mais de 10 mil novos casos cada.

Na semana passada, 19.418 mortes nos Estados Unidos foram atribuídas ao coronavírus, um recorde para um período de sete dias, ou uma média de 2.774 por dia.

Os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) previram na quinta-feira que de 12.900 a 24.900 mortes “provavelmente serão relatadas” na semana que termina em 30 de janeiro.

Nessa data, a projeção é que o número total de mortos no país fique na faixa de 405 mil a 438 mil.

Anthony Fauci, que será o conselheiro médico chefe do presidente eleito Joe Biden, disse em entrevista à rádio NPR acreditar que "as coisas vão piorar à medida que entrarmos em janeiro".

“Isso provavelmente será um reflexo das viagens na temporada de férias e dos ambientes congregados que geralmente acontecem socialmente durante esse período de tempo”, afirmou.

O aumento recente nas mortes por coronavírus veio de estados no Sul e Oeste do país, que foram duramente atingidos durante o verão e estão vendo os recursos hospitalares minguarem. A alta está mais do que compensando as tendências de declínio de fatalidades no meio-oeste.

Texas e do Arizona na quinta-feira relataram o dia mais mortal da pandemia, com 393 e 297 mortes, respectivamente, além de níveis recordes de hospitalizações.

A Califórnia registrou 583 mortes, apenas duas a menos que o seu pico em 1º de janeiro, mas as hospitalizações atingiram um recorde de 22.851. Existem apenas 1.210 leitos em unidades de terapia intensiva disponíveis em todo o estado, um recorde negativo.

Vacinação

Joe Biden, presidente eleito dos Estados Unidos, planeja liberar quase todas as doses de vacina contra a Covid-19 disponíveis para garantir que os americanos que mais precisam consigam ser imunizados o mais rápido possível, segundo declarou sua equipe de transição.

O posicionamento representa uma ruptura em relação à prática que vem sendo adotada pela administração de Donald Trump, que tem segurado parte da imunização com a justificativa de garantir que aqueles que já foram vacinados recebam a segunda dose —os dois imunizantes aprovados até o momento requerem duas aplicações.

Até quinta-feira (7), 5,9 milhões de americanos haviam recebido uma dose da vacina. Biden prometeu que serão aplicadas cem milhões de doses nos seus cem primeiros dias na presidência.

Funcionários da Food and Drug Administration se manifestaram veementemente contra a mudança do esquema de dosagem, chamando tal movimento de “prematuro e não fundamentado solidamente nas evidências disponíveis”, segundo o New York Times. Isso porque a alteração eleva o risco de que a segunda dose não seja aplicada a tempo.

Porta-voz da equipe de transição, T.J. Ducklo afirmou que Biden “apoia a liberação das doses disponíveis imediatamente e acredita que o governo deve parar de reter o fornecimento.”

“Ele compartilhará detalhes adicionais na próxima semana sobre como sua administração começará a liberar as doses disponíveis quando ele assumir o cargo em 20 de janeiro”, afirmou.

Erramos: o texto foi alterado

Versão anterior dizia no título que EUA registravam 4.000 casos de Covid-19. O texto foi corrigido.

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