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Índia dá sinal verde para exportar vacinas contra a Covid-19 para o Brasil; doses devem chegar na sexta

País receberá 2 milhões de doses das vacinas Oxford/AstraZeneca; Índia havia segurado remessas

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Sanjeev Miglani Daniel Carvalho
Nova Déli e Brasília | Reuters

O governo da Índia deu sinal verde para a exportação comercial de vacinas contra a Covid-19, e as primeiras remessas serão envidas ao Brasil e ao Marrocos, segundo o ministro de Relações Exteriores indiano disse à Reuters.

O Palácio do Planalto informou que o carregamento de 2 milhões de doses da vacina Oxford/AstraZeneca deve chegar ao Brasil no fim da tarde de sexta, por volta das 18h, em um voo comercial da companhia Emirates. A aeronave pousará em Guarulhos (SP) e, após os trâmites alfandegários, seguirá em aeronave da Azul para o aeroporto internacional Tom Jobim, no Rio de Janeiro.

As doses desenvolvidas pela Universidade de Oxford e a AstraZeneca estão sendo fabricadas no Instituto Serum, o maior produtor mundial de vacinas e que recebeu pedidos de diversos países.

O Brasil, que tem o segundo maior número absoluto de mortes por Covid-19 depois dos EUA, fez diversos apelos ao governo indiano pela vacina.

O governo indiano segurou a exportação até começar seu próprio programa de imunização na semana passada. No início desta semana, mandou suprimentos gratuitos para seis países vizinhos.

O ministro Harsh Vardhan Shringla disse que as exportações comerciais começariam na sexta, alinhado com o compromisso do primeiro-ministro Narendra Modi de usar as capacidades industriais do país para ajudar toda a humanidade de lutar contra a pandemia.

"Ao seguir essa visão, nós temos respondido de forma positiva aos pedidos de países do mundo todo, começando pelos nossos vizinhos", disse ele, referindo-se aos suprimentos gratuitos.

"O suprimento de quantidades comercialmente contratadas vai começar amanhã, iniciando com o Brasil e o Marrocos, seguidos por África do Sul e Arábia Saudita."

Na tarde desta quinta-feira (21), o presidente usou suas redes sociais para comemorar a liberação e agradecer ao trabalho do ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, que está sob pressão pela dificuldade que o país tem encontrado de importar vacinas e insumos.

"Meus cumprimentos ao Ministro Ernesto Araújo e servidores do Itamaraty pelo trabalho realizado", escreveu o presidente.

O chanceler agradeceu também em uma publicação em rede social.

"Muito obrigado, presidente. O governo da Índia colocou o Brasil na mais alta prioridade: somos um dos dois primeiros países a receber vacinas contra Covid compradas na Índia (ontem a Índia fez doação a 2 países). Agradeço em especial ao chanceler Dr. S. Jaishankar."

O embaixador da Índia no Brasil, Suresh Reddy, agradeceu as mensagens de ambos e disse que os dois países compartilham "um vínculo especial e são verdadeiros parceiros".

"A Índia está empenhada em usar sua capacidade de produção de vacinas para o benefício de toda a humanidade", escreveu na mensagem a Bolsonaro.

"Índia e Brasil compartilham uma parceria estratégica e relacionamento especial como duas grandes democracias. A Índia está comprometida em usar sua capacidade de produção de vacinas para apoiar a humanidade durante esta crise", disse a Araújo.

Segundo relatos feitos à Folha, Bolsonaro recebeu a notícia quando estava no avião, voltado de uma agenda na Bahia rumo a Brasília. Acompanhantes do presidente disseram que ele leu a notícia para os outros passageiros.

Adversário político de Bolsonaro, o governador João Doria (PSDB-SP) comemorou a notícia da liberação da vacina Oxford/AstraZeneca. Até agora, o Brasil imuniza apenas com a Coronavac, imunizante chinês obtido por intermediação do governo paulista.
"Feliz com a notícia do envio das vacinas de Oxford, da Índia para o Brasil. Precisamos de mais vacinas para imunizar os brasileiros. Aguardamos também a liberação de insumos da China para a fabricação das vacinas do Butantan e da Fiocruz. Todos na luta pela vida", escreveu Doria em uma rede social.
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