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Moradores de Manaus criam força-tarefa para abastecer cilindros de oxigênio para doentes

Capital do Amazonas enfrenta colapso no sistema de saúde e tem escassez de oxigênio para pacientes

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Manaus

“Todo manauara é um voluntário”. Esse é o slogan dos moradores de Manaus diante da crise que afeta as unidades de saúde da capital do Amazonas pela falta de oxigênio.

O produto hospitalar é ainda mais indispensável neste momento devido à pandemia de Covid-19, doença que lesiona e afeta o funcionamento dos pulmões.

Os moradores têm feito vaquinha entre si e, com os próprios carros, ido às unidades públicas de saúde para transportar os cilindros até as fábricas localizadas no distrito industrial da cidade.

O policial Rodrigo Pinto, 29, sobre pilha de cilindros que ele e seu grupo de amigos pretende reabastecer e doar para unidade pública de saúde em Manaus - Dhiego Maia/Folhapress

A Folha apurou com os voluntários que a fila —enorme— tem ordem de chegada, e a disponibilidade do produto é cada vez mais escassa pela grande demanda.

“É uma operação de guerra”, diz o policial Rodrigo Ricardo Ramos Pinto, 29, que também dá aulas de Crossfit numa academia.

Rodrigo conversou com a Folha no final da manhã desta sexta-feira (15) em cima da carroceria de uma caminhonete carregada com sete cilindros vazios de oxigênio hospitalar.

Ele estava de folga e se juntou aos amigos para socorrer o serviço de pronto-atendimento do bairro Redenção, na zona centro-oeste de Manaus.

A unidade virou um emblema da crise de saúde de Manaus por ter registrado a morte de ao menos seis pacientes no seu setor de emergência por falta de oxigênio nesta última quinta-feira (14).

“Esre é o momento em que devemos esquecer as posições políticas e as diferenças e darmos as mãos para sairmos dessa crise”, disse o PM.

Rodrigo disse que conseguiu reunir doações de empresários inscritos nas aulas de Crossfit para doar os cilindros às unidades de saúde.

“Estamos fazendo esse mutirão que não vai ficar só aqui no Redenção. Iremos atender quantas unidades nós conseguirmos”, afirmou.

O movimento de voluntários é tão intenso que, ao lado da caminhonete de Rodrigo, outro veículo de mesmo porte estava lotado de cilindros vazios para serem reabastecidos.

O empresário Paulo de Castro, 52, cedeu o próprio carro para a missão. “É uma questão humanitária. Estamos vendo a dificuldade da população e não podemos cruzar os braços. Não é porque eu não tenho ninguém internado que não vou ajudar. Todos nós somos irmãos”, afirmou o empresário.

“Não dá para esperar só os governantes. Já vimos que não deu certo”, complementou Castro.

Para sensibilizar as empresas, as unidades de saúde estão emitindo receituários com a urgência recomendada de compra que são apresentados pelos voluntários.

COLAPSO DA SAÚDE

A explosão de novos casos da Covid-19 fez com que a demanda por oxigênio chegasse a 76 mil metros cúbicos diários no Amazonas.

Por outro lado, a produção diária de White Martins, Carbox e Nitron, que são as três fornecedoras do insumo para o governo do Amazonas, é 28,2 mil metros cúbicos por dia. A White Martins tenta importar o produto da Venezuela.

Na madrugada dessa sexta-feira, a Força Aérea Brasileira desembarcou em Manaus uma carga de 6.000 litros de oxigênio líquido da empresa White Martins, fornecedora do Governo do Estado.

A carga, que veio de São Paulo, transportada em seis isotanques de mil litros e vai ser distribuída nos hospitais da rede estadual.

A previsão é que um total de 22 mil metros cúbicos de oxigênio seja encaminhado ao longo da semana para Manaus, em operação a partir de Guarulhos, cidade da Grande São Paulo.

Com o apoio da FAB, o governo do Amazonas iniciou nesta sexta-feira a transferência de pacientes com Covid-19 para hospitais de outros estados.

Em uma mudança do plano previsto inicialmente, apenas nove pacientes que estavam internados na rede pública estadual foram transferidos para Teresina, no Piauí. A expectativa era que fossem enviados 30.

De acordo com o governo do Amazonas, quatro pacientes apresentaram instabilidade e, por isso, não puderam ser embarcados. Outro paciente desistiu.

Estes foram os primeiros pacientes 235 que serão enviados para cinco estados brasileiros. Um segundo grupo de 15 pacientes deve ser encaminhado para São Luís, no Maranhão, também nesta sexta-feira.

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