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Ribeirão Preto adota lockdown para tentar frear Covid-19

Medida, que prevê fechamento de supermercados e bancos, entrará em vigor nesta quarta-feira e deve ser seguida por outras cidades da região metropolitana

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Ribeirão Preto

O crescimento acelerado de casos, internações e óbitos provocados pelo novo coronavírus fez a Prefeitura de Ribeirão Preto (a 313 km de São Paulo) anunciar nesta terça-feira (16) o fechamento de supermercados, bancos e restrição na operação de postos de combustíveis.

Supermercados, hortifrutis, mercearias e empresas de entrega de gás não poderão operar de forma presencial e, mesmo internamente, haverá restrições. Supermercados só poderão operar com 30% da capacidade, para atender delivery, e restaurantes com 50%, também para atender os pedidos de entrega.

Bancos também não poderão abrir —exceto autoatendimento—, assim como lotéricas. O transporte coletivo e serviços públicos da prefeitura também serão suspensos. Já os postos de combustíveis terão horário de funcionamento reduzido, das 6h às 20h.

Área hospitalr com uma fileira de leitos (com pacientes neles); ambiente todo branco
Hospital das Clínicas da USP, em Ribeirão Preto - FMRP-USP

Poderão funcionar farmácias, hospitais, unidades e serviços de saúde e haverá, segundo a prefeitura, controle na circulação de pessoas. As regras inicialmente valerão entre esta quarta-feira (17) e domingo (21).

“São medidas difíceis, mas necessárias nesse momento, para superar essa extrema dificuldade, gravíssima, que estamos vivendo”, disse o prefeito de Ribeirão, Duarte Nogueira (PSDB).

Os leitos públicos de UTI (Unidade de Terapia Intensiva) disponíveis para pacientes diagnosticados com Covid-19 alcançaram 100% de ocupação nesta segunda-feira (15) na maioria dos hospitais de Ribeirão e em cidades da região metropolitana. Em três municípios, a ocupação ultrapassa a capacidade de atendimento.

O avanço da pandemia fez com que 7 dos 10 hospitais que disponibilizam vagas exclusivas para contaminados pelo vírus em Ribeirão, incluindo dois da rede privada, ficassem sem nenhum leito disponível no decorrer da tarde desta segunda.

“Com essa ocupação, não conseguimos garantir atendimento a todos. Estamos num limite muito tênue, uma situação muito perigosa [...]. Isso significa que, quando não temos recursos para atender todos, temos de fazer opções. Os médicos vão ter de começar a fazer opções sobre quem vai ter acesso ao pouco recurso que tem sobrando”, disse o secretário da Saúde da cidade, Sandro Scarpelini.

Nogueira afirmou que após os cinco dias iniciais de restrições será feita uma avaliação da evolução da doença na cidade para que, na segunda-feira (22), sejam anunciadas outras modificações ou, caso o cenário melhore, algumas atividades sejam retomadas.

Ainda conforme o prefeito, governantes de outros municípios da região metropolitana foram procurados e receberão o decreto local com todas as medidas que estão sendo adotadas em Ribeirão.

“Certamente muitos deles, devido à situação semelhante, deverão nos acompanhar, o que é muito bom. Teremos uma região expandida com medidas de distanciamento e emergenciais até o próximo domingo, que é o tempo que vamos levar para avaliar como é que vai se comportar a doença”, disse o prefeito.

As cidades da região também estão em situação de saturação na rede hospitalar. Nesta segunda-feira, em Monte Alto havia excesso de dois pacientes em UTIs. Com 16 vagas, havia 18 pacientes internados.

Em Mococa, a ocupação em leitos de UTI chegou a 123% nesta segunda, com 16 pacientes, segundo a Vigilância Epidemiológica, p ara um lugar que comporta 13.

Em Batatais, os 7 leitos na UTI da Santa Casa de Misericórdia também estavam ocupados. Na enfermaria, chegou a 116,6%, com a criação de uma vaga onde não existia.

Já em Sertãozinho, os 10 leitos de UTI também estavam ocupados, mesmo número existente no Hospital Estadual de Serrana, também com índice de 100%.

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