Erro faz 46 pessoas receberem vacina contra a Covid-19, entre elas 1 gestante e 28 crianças

Problema ocorreu em Itirapina (SP); pacientes serão monitorados por 14 dias

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Ribeirão Preto

Um envio errado de frascos da Coronavac, vacina contra a Covid-19, para um local em que estava sendo realizada a campanha de vacinação contra gripe fez com que 46 pessoas fossem imunizadas indevidamente contra o novo coronavírus, entre elas uma gestante e 28 crianças.

O problema ocorreu em Itirapina (a 215 km de São Paulo) e foi detectado nesta quarta-feira (14) pela própria prefeitura, que informou ter aberto investigação para a apuração de responsabilidades.

Foram imunizados erroneamente na terça-feira (13) 18 adultos, entre elas a gestante, e 28 crianças, no posto de vacinação montado na escola municipal José Cruz.

A falta das 46 doses da Coronavac foi percebida durante o controle do estoque das vacinas e, de acordo com a prefeitura, imediatamente verificou-se a possibilidade de que o erro pudesse ter sido cometido por uma técnica de enfermagem ao fazer a separação da caixa com os frascos da vacina.

Após detectar o erro, a Secretaria da Saúde de Itirapina procurou pessoalmente as famílias dos 46 vacinados para informar sobre o engano. A Vigilância Epidemiológica de Piracicaba foi informada sobre o episódio e também sobre quais medidas deveriam ser tomadas pela administração em relação ao caso.

Até o momento, nenhuma anormalidade foi detectada, de acordo com a administração.

As pessoas que deveriam receber a vacina da gripe (influenza), mas que receberam a Coronavac, serão acompanhadas por 14 dias por uma equipe médica.

Nesta quinta-feira (15), 26 dos 46 vacinados indevidamente passaram por consultas médicas, inclusive a gestante, que foi atendida por um clínico geral e um obstetra.

Já as famílias das crianças, de acordo com a prefeitura, também estão sendo orientadas por uma pediatra, que está fazendo a avaliação das imunizadas.

A prefeita de Itirapina, Maria da Graça Zucchi Moraes, a Dona Graça (PSDB), disse nesta sexta-feira (16) que a aplicação das vacinas ao grupo de 46 pessoas foi “lamentável”.

“É um fato que ocorreu, já está efetivado, pessoas receberam vacina de forma errônea. Foram para receber uma vacina e receberam outra. Isso nós não podemos mudar. Eu não quero crucificar ninguém, mas quero me solidarizar com todos aqueles que de uma forma ou de outra foram enganados na hora de receber a vacina”, disse.

Segundo ela, as providências necessárias foram tomadas, principalmente em relação à saúde dos vacinados, com a colocação de médicos para atender todos, especialmente a gestante, e para acompanhá-los nas próximas semanas.

“Conversamos na Vigilância sanitária regional, que nos passou algumas informações e orientações, conversamos com os médicos, que nos deixaram mais tranquilos, porque nos informaram que não é para acontecer nada de anormal [...] Colocamos equipes médicas para receber as pessoas, as crianças, os adultos, a gestante em especial, para fazer um acompanhamento agora, para ter essa noção se houve algum efeito colateral, mas estamos mais tranquilos quanto a isso porque já recebemos essas orientações”, disse a prefeita, por meio de vídeo.

Sobre a apuração de responsabilidades, ela afirmou que está sendo investigado como o erro aconteceu. “A gente acha imperdoável, embora não queiramos crucificar ninguém. Mas essa falta de atenção, essa displicência, talvez porque estão cansados, o pessoal vem vindo de uma jornada longa de vacinação, pode ser isso? Mas temos que apurar e tomar as medidas que devem ser tomadas.”

Itirapina registrou até aqui 32 óbitos e 1.282 casos confirmados da Covid-19.

O Butantan informou que, conforme indicado em bula, a vacina Coronavac é indicada para indivíduos com 18 anos ou mais e que, no caso de crianças e gestantes expostas à vacina, não é indicada a aplicação da segunda dose do imunizante.

“Não há conclusões científicas até o momento de segurança ou eficácia da vacina adsorvida Covid-19 [inativada] na população pediátrica ou em gestantes”, diz trecho da nota do instituto.

Ainda de acordo com o Butantan, é importante que, em situações como a ocorrida em Itirapina, a vigilância municipal acompanhe e colete informações individuais das gestantes e das crianças expostas ao imunizante.

Além disso, devem solicitar que os vacinados equivocadamente “busquem orientação imediata nos serviços de saúde caso apresentem algum evento adverso”. “Também é recomendável que essas pessoas, vacinadas erroneamente com a Coronavac, aguardem por 14 dias antes de receberem a vacina contra a gripe.”

Tomar a vacina errada não é um fato inédito em São Paulo. Na terça-feira (13), devido a uma falha interna de comunicação na Secretaria Municipal da Saúde, 103 agentes de trânsito da CET (Companhia de Engenharia de Tráfego) receberam por engano a primeira dose da vacina contra a Covid-19 na capital. Todos deveriam ter sido imunizados contra a gripe.

No texto, é afirmado que agentes da CET estavam autorizados a tomar “a vacina contra a Covid-19”. Menos de duas horas depois, um novo comunicado foi enviado, informando que a vacina correta seria contra a influenza.

Entre um comunicado e outro, 103 agentes foram vacinados em postos na Vila Medeiros (Zona Norte), Penha (Zona Leste), Cambuci (Centro) e Butantã (Zona Oeste). Eles receberão a segunda dose da vacina, segundo a Secretaria da Saúde.

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