Primo pobre do PSG sonha com volta à elite após 39 anos

Paris FC, que já fez parte do Paris Saint-Germain, tem média de público de 2.684 pessoas na segunda divisão

Tchokounte, do Paris FC, cobra pênalti em partida contra o Auxerre, pela segunda divisão
Tchokounte, do Paris FC, cobra pênalti em partida contra o Auxerre, pela segunda divisão - Divulgação/Paris FC
Alex Sabino
São Paulo

Pierre Ferracci sabe o que faria se se tivesse 222 milhões de euros no banco: "Posso assegurar que nosso time seria bem diferente."

Este foi o valor pago pelo Paris Saint-Germain para comprar Neymar em julho de 2017. A mais cara transação da história do futebol.

Consultor, especialista em políticas sociais e próximo a movimentos sindicais franceses, Ferracci é presidente do Paris FC, equipe da capital francesa que disputa a segunda divisão do país. Pode ser considerado o primo pobre do milionário PSG.

Antes do início da atual temporada, o clube fez 15 contratações para reformular o elenco. Todos chegaram de graça. Entre eles, o atacante Tchokounte, artilheiro do time na liga, com sete gols.

"Se você olhar a região de Paris, há 12 milhões de pessoas. Acredito haver espaço para duas equipes da cidade na primeira divisão. Estamos tentando chegar lá", completa o dirigente francês.

O raciocínio do presidente é lógico, mas não encontra respaldo nas estatísticas do torneio. Como mandante, o Paris FC tem a segunda pior média de público da segunda divisão, com 2.684 pessoas por jogo. A equipe atua no estádio Charléty, com capacidade para 20 mil pagantes. A média do PSG é de 45.317.

O acesso é possível apesar das restrições orçamentárias. Está na quarta posição, com 42 pontos. Sobem os dois melhores colocados. O terceiro disputa repescagem.

"A comparação entre os dois clubes é inevitável, mas nós vivemos outra realidade. Queremos estar próximos do Paris Saint-Germain, mas não podemos alcançá-lo", reconhece Ferracci.

As coisas mudam. Em passado não muito distante, era o PSG que teria dificuldade para se comparar ao Paris FC.

A palavra Paris da sigla PSG vem do Paris FC. No início da década de 1970, os dois clubes eram um só. O Paris se fundiu ao Stade Saint-Germain para que a capital francesa tivesse um clube na elite do futebol francês. Em 1972, porém, a prefeitura se recusou a dar apoio financeiro para uma equipe que não tivesse a sede na cidade, já que o então PSG ficava em Saint-Germain-en-Laye.

Desfeita a união, o Paris FC ficou com a vaga na elite, o estádio Parque dos Príncipes (onde o PSG atua hoje) e todos os jogadores do elenco. Uma decisão administrativa rebaixou o agora Paris Saint-Germain à terceira divisão.

Era para ser o momento de afirmação, mas foi o começo da queda. A última vez que o time disputou a liga principal foi em 1979. Para tentar se salvar, em 1983 fez parte de outra fusão, com o Racing Club. Não deu certo, e quando o negócio foi desfeito, o Paris foi para a quarta divisão.

Nos anos 1970 era o clube de maior torcida da capital. Depois foi superado com folgas pelo PSG, não apenas na popularidade. Em tudo.

"Temos um time bem experiente, com jogadores que sabem onde podem chegar e que não olham para o PSG como um espelho. Jogamos com simplicidade, nosso estilo é simples e nossos objetivos também", analisa Fabien  Mercadal, técnico responsável pelo ressurgimento da equipe em campo. Nos últimos três meses, perdeu apenas uma partida.

A volta à elite poderia significar aumento da torcida, especialmente entre os parisienses que rejeitam o modelo de negócios do PSG, comprado em 2011 pelo Qatar Sports Investment, fundo de investimento ligado à família real do país que vai sediar a Copa do Mundo de 2022.

Queremos conquistar o coração das pessoas. Paris é grande o suficiente para dois amores, sonha Ferracci.

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