Rafaela Silva se afasta de polêmica sobre racismo e vive fase popstar

Celebridade do esporte, judoca passou a evitar temas espinhosos na internet

Daniel E. de Castro
Pindamonhangaba

Convidada para palestrar em Harvard no começo do mês, Rafaela Silva ficou impressionada com a estrutura da universidade americana. "Só conhecia por séries de TV. O auditório parecia uma nave", afirma a judoca.

Desde 2016, quando levou a medalha de ouro na Olimpíada do Rio, a atleta de 25 anos tornou-se uma celebridade do esporte brasileiro. Passou a ser tietada por artistas e chegou a participar de três a quatro eventos por semana.

"Esses ambientes que a gente frequenta realmente mexem muito com a cabeça. Chego no evento onde estão só os globais e eles pedem para tirar foto comigo. Quando eu era mais nova, eu queria tirar foto com eles", conta.

Para voltar ao ritmo de treinos que o judô de alto nível exige, ela teve de diminuir os compromissos comerciais, que ficaram praticamente restritos aos fins de semana.

Outro freio que Rafaela precisou acionar nos últimos meses foi nas redes sociais.

Em 22 de fevereiro, a judoca relatou em seus perfis que a Polícia Militar do Rio parou o táxi em que estava voltando para casa. Segundo o depoimento, a abordagem dos agentes foi preconceituosa.

"Nesta altura do campeonato, chegando no Rio de Janeiro, tive que passar vergonha e descobrir que preto não pode andar de táxi", disse na ocasião. A PM negou ter agido de forma preconceituosa.

Em meio à intervenção federal na segurança do estado, a judoca recebeu apoio e também reprovação.

"Como estavam repercutindo muito os assassinatos de policiais, as pessoas me agrediram para defender a polícia", diz.

Orientada por pessoas próximas, ela afirma que preferiu se distanciar de temas espinhosos e abafar o caso: "Antes, qualquer coisa que eu falasse para os meus amigos ficaria aqui. Agora, qualquer coisa que eu boto nas minhas redes sociais sai na imprensa. Eles pediram para evitar".

A última competição internacional de Rafaela Silva foi em dezembro de 2017. Em janeiro, ela passou por uma cirurgia no cotovelo. 

De volta aos treinos há algumas semanas, a atleta se prepara para o Grand Prix de Hohhot, na China, realizado a partir de 25 de maio.

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