Coutinho volta ao seu palco preferido em busca de protagonismo na seleção

Meia ex-Liverpool atuará na função de Neymar, que retorna de lesão e ficará no banco em amistoso

Luiz Cosenzo Sérgio Rangel
Londres

Philippe Coutinho, 25, venceu o desafio de se destacar em uma das mais disputadas ligas do mundo. Em cinco anos no Liverpool, jogou 201 partidas e tornou-se o maior artilheiro brasileiro na história do bilionário Campeonato Inglês, com 41 gols.

Ídolo entre os torcedores dos “Reds”, o jogador do Barcelona voltará ao seu palco preferido na Inglaterra, o centenário Anfield (estádio do time inglês inaugurado em 1892), para encarar um novo objetivo: mostrar que pode ser o protagonista da seleção brasileira na ausência de Neymar. Nem que seja por 45 minutos.

O atacante do Paris-Saint Germain começará no banco de reservas no amistoso contra a Croácia, neste domingo (3), às 11h (de Brasília). Segundo o técnico Tite, é certo que ele entrará no segundo tempo. Ele ainda se recupera de cirurgia no quinto metatarso do pé direito, realizada no dia 3 de março.

Após a temporada mais goleadora da sua carreira (fez 22 gols em 42 partidas), Philippe Coutinho será escalado como meia-atacante pela esquerda, posição que costuma ser ocupada por Neymar na seleção comandada por Tite.

O jogador do Barcelona formará o trio ofensivo com Gabriel Jesus e Willian.

“Criei uma história com os torcedores. Foram anos muito felizes, só tenho boas recordações”, disse Coutinho, que pisará pela primeira vez no gramado de Anfield após deixar o clube, em janeiro.

Ele ainda não sabe como será a sua recepção na cidade. Parte da torcida do Liverpool ficou irritada com a saída do jogador para o Barcelona.

A transferência para o clube catalão por 160 milhões de euros (quase R$ 700 milhões) foi a segunda mais cara de um brasileiro na história, ficando atrás apenas de Neymar, que trocou o Barcelona pelo PSG após pagamento de 222 milhões de euros (aproximadamente R$ 970 milhões).

Pelo time inglês, o carioca deixou o status de promessa para se tornar uma referência. Em cinco anos, fez 54 gols com a camisa do Liverpool.

A marca de brasileiro com maior número de gols na badalada liga inglesa foi alcançada no ano passado, quando ele ultrapassou Juninho Paulista, autor de 29 gols pelo Middlesbrough.

Seis meses depois de chegar ao Barcelona, já fez dez gols.

“Todos os jogadores são bem bacanas, humildes. Eu me senti ambientado desde que cheguei lá. Além de ter me recebido muito bem, o Messi é realmente de outro planeta dentro de campo. É sempre bom jogar ao lado dele”, disse Philippe Coutinho.

Desde que Tite assumiu o cargo de técnico da seleção brasileira, em 2016, ele é um dos mais assíduos no time, junto com Renato Augusto e Paulinho. Os três só ficaram fora de uma convocação.

“Ele [Tite] está sempre conversando, incentivando os atletas. Mesmo quando estava na reserva, ele me fazia sentir importante. Isso conta muito”, afirmou Coutinho, que foi testado pelo treinador já na sua estreia no comando da equipe, contra o Equador, em setembro daquele ano.

O jogador entrou no segundo tempo daquela partida, no lugar de Willian. No jogo seguinte, contra a Colômbia, a substituição se repetiu. Dali em diante, Philippe Coutinho não saiu mais da equipe titular. 
Em março, quando Neymar estava lesionado, o jogador foi um dos destaques da equipe verde e amarela nas vitórias em amistosos contra Rússia (3 a 0) e Alemanha (1 a 0) .

Mesmo quando o atacante do Paris Saint-Germain está em campo, Coutinho permanece como titular. A parceria entre eles é antiga: os dois jogam juntos nas divisões de base da seleção desde os 15 anos. 

“Ele está recuperado e muito feliz. Isso é ótimo. Mas gosto de dizer que o importante na seleção é o coletivo”, afirmou o jogador, revelado pelo Vasco e negociado com a Inter de Milão, da Itália, aos 16 anos.

O preparador físico da seleção, Fábio Mahseredjian, é um dos fãs de Coutinho na comissão técnica. Ele acredita que a subida de produção do jogador em campo tem relação com a melhora do seu condicionamento físico.

Segundo Mahseredjian, antes de chegar ao Liverpool, Coutinho não dava importância ao trabalho na academia.

“Eu me lembro do início do Coutinho, ainda com o Dunga. Ele fazia nos treinamentos coisas que não imaginava. Saía com a bola dominada no meio de três adversários”, diz.

Das ruas do subúrbio do Rio, Coutinho foi para os campos da Europa. E agora tenta se acostumar com os holofotes, tanto dentro quanto fora de campo. Ele é uma das estrelas da nova campanha publicitária da marca de roupas e perfumes Hugo Boss.

“Estou muito motivado. Vou realizar um sonho jogando a Copa do Mundo e quero fazer isso da melhor maneira possível”, disse Philippe Coutinho.

O amistoso da seleção contra a Croácia será o penúltimo antes da estreia do Brasil no Mundial. O time ainda enfrentará a Áustria no dia 10. A estreia da seleção na Rússia será contra a Suíça, no dia 17, em Rostov.


Philippe Coutinho, 25
Nascido no Rio de Janeiro em 1992, ele chegou ao Vasco com 7 anos para jogar futsal. Aos 16, estreou entre os profissionais. Transferiu-se para a Inter de Milão em 2010, e em 2012 foi emprestado ao Espanyol. De volta à Itália e sem chances no time titular, acabou negociado com o Liverpool, onde viu sua carreira deslanchar. Em janeiro, foi vendido para o Barcelona


BRASIL x CROÁCIA
11h (de Brasília), Anfield (Liverpool)
Na TV: Globo e SporTV

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