Com Simeone e títulos, Atlético de Madri se aproxima de Barcelona e Real

Com dinheiro e chance de ser campeão europeu em casa, time estreia no Espanhol

Homem com camisa vermelha beija taça de prata
Griezmann dá um beijo na taça da Supercopa Europeia - Pavel Golovkin/Associated Press
Bruno Rodrigues Eduardo Geraque
São Paulo

​O cada vez mais rico Atlético de Madri estreia nesta segunda (20) no Campeonato Espanhol em Valência, contra o time da casa, com ambições gigantescas.

Apesar do discurso de humildade do técnico argentino Diego Simeone, 48, desde dezembro de 2011 no clube, o time cada vez mais se aproxima da dupla Real Madrid e Barcelona tanto dentro, por causa dos nomes internacionais, quanto fora de campo.

Para esta temporada, o Atlético pagou cerca de 70 milhões de euros (R$ 314 milhões) pelo atacante francês Thomas Lemar, 22. A quantia transferida ao Monaco é a maior feita na história do clube.

Não bastasse isso, destaques da Copa da Rússia como o campeão do mundo Griezmann, 27, e o atacante Diego Costa, 29, da Espanha, foram mantidos. A dupla de zaga é titular da seleção do Uruguai: Godín, 32 e Giménez, 23.

Fora de campo, os números das finanças do clube ajudam a corroborar a tese de que o desempenho esportivo das últimas cinco temporadas, todas com Simeone, só tem feito crescer o dinheiro disponível no ano seguinte.

Entre 2013 e 2017, o faturamento do clube, segundo estudo da consultoria Deloitte, passou de 120 milhões de euros (R$ 539 milhões) para 273 milhões de euros (R$ 1,2 bilhão). Crescimento de 128%. A receita do Real Madrid, atual tricampeão europeu, cresceu 30% no mesmo período. E a do Barcelona, 34%.

Nos últimos cinco anos, a aproximação com o Real é nítida. A receita que era quatro vezes maior a favor do primo rico caiu para 2,5 vezes na temporada passada.

Boa parte do crescimento econômico do Atlético vem da rubrica dos direitos de TV. Entre 2013 e 2017, enquanto esta conta cresceu 204% no Atlético, ficou apenas 26% maior no rival da cidade.

Ao contrário do que ocorre no Brasil, tanto a política da Uefa, entidade que controla o futebol europeu, quanto as regras da liga espanhola passaram a prever uma maior distribuição das verbas de televisão por meritocracia. Mesma estratégia usada na Inglaterra com a Premier League. 

"Por trás destes resultados [dentro de campo] existe um trabalho tremendo de Miguel Ángel [Gil Marín, um dos principais executivos do clube] e do Enrique [Cerezo, presidente de fato]", afirmou Simeone na quarta-feira (15), após vencer a Supercopa da Europa com vitória por 4 a 2, na prorrogação, sobre o Real.

O treinador, que das 247 partidas no comando perdeu só 41, explicou o que considera serem as virtudes dos dirigentes. "Um estádio novo. A contratação de jogadores que querem vir e a permanência de outros que não querem sair supostamente para equipes grandes", disse.

O fato de ainda considerar seu time modesto não impede o argentino de apostar fichas tanto no Espanhol quanto na Liga dos Campeões.

Apesar de ainda faltar o cobiçado título do principal torneio europeu de clubes, o Atlético tem sido sempre competitivo. Desde 2013, além de ter jogado todas as edições, foi duas vezes à final.

Perdeu ambas para o Real Madrid, mas foi recompensado em termos financeiros. Apenas em premiação, sem contar os ingressos econômicos dos jogos em casa, o clube acumulou 255 milhões de euros (R$ 1,14 bilhão).

Mais uma vez, o Atlético está garantido na fase de grupos da competição. Mas a próxima edição da Liga dos Campeões tem outro ingrediente importante para o clube.

A final em jogo único, como é praxe, será no Wanda Metropolitano, a moderna arena que o clube inaugurou em 2017 com ajuda do empresário mexicano Carlos Slim e com investimento chinês.

Na primeira temporada na casa nova, 1,5 milhão de pessoas foram torcer pela equipe nos 29 jogos realizados no Wanda, registrando média de 53,6 mil pessoas, inferior apenas às dos dois gigantes espanhóis e principais rivais. 

Se o estádio por si só também coloca o Atlético mais perto de Real e Barcelona, um eventual título dentro de seus domínios poderá finalmente obrigar Simeone a abandonar seu discurso de que treina um time modesto.

Com ou sem títulos, a previsão de Miguel Ángel continua sendo perseguida. Ele quer bater a marca de 400 milhões de euros (R$ 1,8 bilhão) de faturamento até 2020.

Valencia x Atlético de Madri 
Às 15h, Mestalla
Na TV: ESPN

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