Da Croácia, técnico da seleção diz ver 20 jogos por semana e dispensa NBA

Petrovic comanda Brasil em jogos que podem classificar país ao Mundial de basquete

Daniel E. de Castro
São Paulo

Um ano após estrear no comando da seleção masculina de basquete, o croata Aleksandar Petrovic, 59, afirma já se considerar em parte brasileiro, mesmo sem ter passado a viver no país. Para isso, ele conta com a tecnologia.

Da Croácia, onde mora na maior parte do tempo, o treinador busca estar o mais próximo possível dos atletas que comanda e dos dirigentes que o empregam na Confederação Brasileira de Basquete 
—seu salário é pago pelo Comitê Olímpico do Brasil.

Pela televisão ou pela internet, Petrovic vê jogos do NBB (Novo Basquete Brasil), das seleções de base, de campeonatos europeus e, segundo relata, está em contato por mensagem “quase diariamente com jogadores importantes”.

Aleksandar Petrovic em jogo do Brasil pelas eliminatórias do Mundial
Aleksandar Petrovic em jogo do Brasil pelas eliminatórias do Mundial - Gaspar Nobrega - 28.dez.17/inovafoto/Divulgação

Para assistir às partidas, ele por vezes precisa recorrer ao café, já que está à frente do Brasil no fuso horário e 8 dos 13 convocados para os próximos jogos atuam no país.

Essas maratonas, no entanto, não incluem o que para a maioria dos fãs é a razão principal de acompanhar o esporte. “Não gosto de ver NBA, mas vejo todas as partidas que posso, umas 20 por semana”, afirma o técnico à Folha.

Há razões para que a principal liga de basquete do mundo não seja objeto de estudo do croata. Nenhum dos três brasileiros que hoje atuam por lá, Nenê, Raulzinho e Cristiano Felício, defendeu a seleção até agora na sua gestão.

Mas o principal motivo para a NBA ser ignorada pelo comandante está relacionado ao estilo de jogo, muito distante do que é praticado na Europa e pelas seleções. Este último, segundo Petrovic, “é um basquete totalmente diferente. Muito físico, defensivo, de controlar ritmo de jogo, jogar muitas bolas por dentro”.

Desde que assumiu o comando da seleção brasileira, o croata critica as equipes do país por, na sua visão, forçarem muitos arremessos de três pontos sem necessidade, repetindo o que fazem os americanos, mas sem a mesma competência para tal.

Os auxiliares de Petrovic são técnicos de equipes do NBB. Cesar Guidetti trabalha no Pinheiros, e Bruno Savignani comanda o Corinthians.

Na semana passada, durante entrevista coletiva em São Paulo, o treinador repetiu as críticas ao anunciar os convocados para dois jogos das eliminatórias do Mundial que serão disputados na cidade.

“Os jogadores precisam saber que não vão jogar na seleção como jogam no NBB. Não se trata só de chutar de três pontos. Quero que o Brasil tenha mais de 20 assistências por partida. Não quero chutes de três. Quero mudar o ritmo de jogo”, afirmou.

Por ter apenas quatro dias de treinamento antes das partidas, o comandante pede que os atletas “troquem o chip” rapidamente e se adequem ao que considera o basquete ideal para torneios de seleções.

Nesta sexta-feira (30), às 19h15, a seleção brasileira enfrenta a República Dominicana no ginásio Wlamir Marques, no Parque São Jorge.

Uma vitória deixará a equipe perto da classificação para o Mundial, que será disputado em setembro de 2019, na China. A vaga seria confirmada com outro triunfo, diante do Canadá, na segunda (3).

O Brasil ocupa atualmente a terceira colocação na classificação geral do Grupo F das eliminatórias das Américas. Soma 14 pontos em oito jogos realizados, com seis vitórias e duas derrotas, ambas fora de casa, contra Venezuela e Canadá.

O Brasil, e também os adversários, novamente não podem contar com jogadores da NBA e dos times que disputam a Euroliga. Petrovic ainda tem os desfalques, por lesão, dos armadores Yago Mateus e Ricardo Fischer. O experiente ala Marquinhos, 34, retorna.

Caso não confirmem a vaga nesta janela de jogos, os brasileiros terão nova chance em fevereiro de 2019, quando viajarão para enfrentar Ilhas Virgens e República Dominicana.

Para esta edição do Mundial, a Federação Internacional de Basquete (Fiba) criou um novo formato, com 32 seleções e sistema de eliminatórias. O Brasil nunca ficou fora de uma edição do torneio, mas em 2014 não obteve a vaga em quadra e precisou pagar por um convite da entidade.

Jogos do Brasil em São Paulo pelas eliminatórias

República Dominicana
30.nov, sexta, às 19h15

Canadá
3.dez, segunda, às 20h

Local
Ginásio Wlamir Marques, no Parque São Jorge

Ingressos
De R$ 40 (arquibancada) a R$ 300 (quadra), disponíveis em cbb.omniticket.com.br e no ginásio

Convocados
Armadores: Rafael Luz (Andorra/Espanha), Scott Machado (South Bay Lakers/EUA), Arthur Pecos (Mogi das Cruzes)

Alas/armadores: Vitor Benite (Cedevita/Croácia), Leandro Barbosa (sem time)

Alas: Marquinhos Souza (Flamengo), Leonardo Meindl (Paulistano), Marcos “Didi” Louzada (Franca)

Alas/pivôs: Lucas Dias (Franca), Anderson Varejão (Flamengo), Rafael Mineiro (Flamengo)

Pivôs: Augusto Lima (Cedevita/Croácia), Du Sommer (Paulistano)

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