Descrição de chapéu Copa Libertadores São Paulo

Rival do São Paulo, Talleres foi campeão em final mais alternativa da Conmebol

Clube argentino superou o CSA, de Alagoas, na decisão do torneio continental

A equipe do Talleres campeã da Conmebol de 1999
A equipe do Talleres campeã da Conmebol de 1999 - Divulgação
Bruno Rodrigues
São Paulo

Quando o Talleres (ARG) garantiu o acesso à primeira divisão argentina em 1998, os torcedores pensavam que não dava para melhorar o que já era bom. Afinal, haviam vencido o Belgrano, seu grande rival da cidade de Córdoba, na decisão da B Nacional (segunda divisão). 

Mas a temporada seguinte, no ano de 1999, reservaria aos torcedores do Talleres, adversário do São Paulo nesta quarta-feira (6) pela Copa Libertadores, a maior glória de sua história.

Sem interesse dos principais clubes sul-americanos naquela temporada, a Copa Conmebol se viu esvaziada pela desistência de várias equipes. Os cordobeses, por exemplo, entraram no lugar do Gimnasia La Plata (ARG), que preferiu não disputar o torneio.

Com os brasileiros não foi diferente. Campeão da Copa do Nordeste, o Vitória abriu mão de sua vaga. Assim como Bahia e Sport, vice e terceiro lugar, respectivamente, que foram convidados pela Conmebol, mas declinaram.

Sobrou então para o quarto colocado na competição regional nordestina, o CSA, à época na Série C do Campeonato Brasileiro. O time alagoano aceitou disputar o torneio, que seria histórico também para o clube.

O Talleres, comandado por Ricardo Gareca, superou Independiente Petrolero (BOL), Paraná, Deportes Concepción (CHI) e chegou à final. Na decisão, encontrou o surpreendente CSA, que passou por Vila Nova, Estudiantes de Mérida (VEN) e São Raimundo antes de enfrentar os argentinos na final mais alternativa de um campeonato sul-americano.

No jogo de ida, em Alagoas, o CSA aproveitou o apoio da torcida e venceu o Talleres por 4 a 2. 

Na volta, a equipe de Córdoba vencia por 2 a 0 –um dos gols marcados por Darío Gigena, que depois jogaria na Ponte Preta– e levava o jogo para os pênaltis até que o zagueiro Julián Maidana, já nos acréscimos do segundo tempo, cabeceou para marcar o gol do título.

"Foi um momento especial porque até os dias de hoje o torcedor recorda, continua recordando. Cada ano que passa se faz uma homenagem lembrando o título. Foi muito emotivo, ficou gravado na pele, na mente e no coração do torcedor. Talvez o gol mais importante da história do clube", diz Maidana, 47, com passagem apagada pelo Grêmio em 2006, à Folha.

Os alagoanos ainda lembram do segundo jogo da final com muita dor. Para o meio-campista Souza, campeão da Libertadores e do mundo com o São Paulo e integrante daquele time, o CSA, que teve Fabio Magrão expulso ainda no primeiro tempo, foi prejudicado.

"Cara, vou te falar. Meteram a mão na gente, entendeu? Meteram a mão. Teve pênalti a nosso favor no começo do jogo, quando estava 0 a 0. O juiz invertia algumas faltas. Naquela época metiam a mão na cara dura", afirma o meia, hoje com 40 anos.

Contudo, mesmo com o vice-campeonato, Souza recorda a importância do torneio, que colocou ele e o clube em evidência. "Nunca um time do Alagoas ou até do Nordeste tinha chegado em uma final de um torneio sul-americano. Foi o que abriu os caminhos do Nordeste para essas competições. A partir daquele campeonato ali eu passei a sonhar e almejar voos mais altos", diz.

Autor do gol consagrador naquela decisão, Julián Maidana lembra da festa que tomou conta de Córdoba após o título. E também da festa frustrada armada por torcedores do rival Belgrano.

"O time rival, o Belgrano, havia preparado uma caravana porque diziam que não conseguiríamos reverter o placar do primeiro jogo. Foi espetacular. Uma época de ouro aqui em Córdoba", completa Maidana, que hoje é dono de uma escolinha de futebol na cidade.

O Talleres ocupa atualmente a 12ª posição no Campeonato Argentino, com 22 pontos em 17 partidas. Os destaques da equipe do técnico Juan Pablo Vojvoda são os veteranos Pablo Guiñazu, 40, ex-Internacional e Vasco, e o atacante Dayro Moreno, 33, campeão da Libertadores de 2004 com o Once Caldas (COL), contratado para esta temporada.

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