Desfalcada, natação do Brasil tem maior teste para Tóquio-2020

Titular no 4 x 100, Gabriel Santos, 23, foi suspenso por doping

Daniel E. de Castro
São Paulo

Os nadadores brasileiros chegam ao Mundial de Esportes Aquáticos de Gwangju, principal teste antes da Olimpíada de Tóquio-2020, com chances de medalha em ao menos sete provas, mas terão um desafio de última hora para superar na mais aguardada delas.

A equipe do revezamento 4 x 100 m nado livre não contará com Gabriel Santos, 23, um dos seus titulares, no evento da Coreia do Sul. Nesta sexta (19), ele foi suspenso pela Fina (Federação Internacional de Natação) por oito meses após ter sido flagrado no antidoping. A informação foi confirmada à Folha pela defesa do atleta.

Gabriel Santos durante o Troféu Maria Lenk de 2017
Gabriel Santos durante o Troféu Maria Lenk de 2017 - Mauro Pimentel - 4.mai.2017/Folhapress

Em maio, um exame apontou a presença do anabólico sintético clostebol no corpo de Santos. Cabe recurso da decisão, que também o tira dos Jogos Pan-Americanos de Lima. Ele ainda pode tentar vaga em Tóquio, já que a seletiva olímpica acontecerá em 2020.

As eliminatórias do 4 x 100 m serão realizadas logo no primeiro dia da natação no Mundial, neste sábado (20), a partir das 22h (de Brasília). As finais estão marcadas para as 8h de domingo (21). O evento, com transmissão do SporTV, vai até o domingo seguinte (28).

Sem um dos nadadores mais regulares do país, peça-chave do revezamento que foi medalhista de prata no Mundial de 2017 e despontou como um dos mais fortes do mundo nos últimos anos, o reserva André Calvelo, 18, deve assumir a vaga, pelo menos nas eliminatórias. Em abril, no Maria Lenk, evento classificatório para o Mundial, Calvelo nadou os 100 m em 48s74, contra 48s53 de Santos.

Há também a possibilidade de Bruno Fratus, 30, entrar na prova. O experiente velocista, no entanto, tem como prioridade a disputa dos 50 m livre, em que tem o melhor tempo do mundo no ano (21s31) e está entre os favoritos ao ouro. Ele poderia nadar a final do revezamento, por exemplo.

Marcelo Chierighini, 28, Pedro Spajari, 22, e Breno Correia, 20 são os outros integrantes titulares da equipe brasileira. Os três, além de Santos, treinam juntos no Esporte Clube Pinheiros, em São Paulo, comandados por Alberto Pinto da Silva, também técnico da seleção.

O entrosamento e a convivência sempre foram destacados como trunfos da equipe, que agora terá que lidar com a necessidade de reposição. Calvelo, jovem promissor da natação brasileira, treina na Unisanta, em Santos.

André Luís Calvelo, que ganhou vaga de titular no Mundial de Esportes Aquáticos
André Luís Calvelo, que ganhou vaga de titular no Mundial de Esportes Aquáticos - Danilo Borges - 05.out.2018/rededoesporte.gov.br

O ex-nadador Fernando Scherer, medalhista olímpico na mesma prova em 2000 ao lado de Gustavo Borges, Carlos Jayme e Edvaldo Valério, minimiza o impacto da ausência de um dos integrantes do time.

“Os outros 75% continuam sendo pessoas que treinam junto todo dia e estão sólidos. Eu não treinava com o Gustavo, e ele ainda era meu rival, o último que eu queria por perto [risos]. Mas quando a gente se juntava fazia o nosso melhor, e a saída dele era sempre precisa”, afirmou à Folha.

Esse não é o único revezamento do Brasil que buscará um lugar no pódio na Coreia do Sul. Em dezembro de 2018, no Mundial de piscina curta (25 m) disputado na China, o quarteto do país foi campeão do 4 x 200 m nado livre e bateu o recorde mundial.

Mas agora, no principal evento do ciclo olímpico e em piscina longa (50 m), a concorrência será bem mais forte. Fernando Scheffer, 21, Luiz Altamir, 23, João de Lucca, 29, além de Breno Correia, serão os titulares da equipe.

Outra prova olímpica em que o país aparece com chances de chegar ao pódio é o 100 m livre. Chierighini tem o terceiro melhor tempo do ano (47s68), atrás do australiano Kyle Chalmers e do russo Vladislav Grinev.

Nadadores brasileiros também aparecem com grandes chances em três provas que não são disputadas nos Jogos Olímpicos. Nicholas Santos, 39, é o favorito nos 50 m borboleta. Felipe Lima, 34, e João Gomes Júnior, 33, são bem cotados nos 50 m peito, assim como Etiene Medeiros, 28, nos 50 m costas.

A pernambucana, uma das duas mulheres do país nas provas de piscina, também disputará os 100 m costas e os 50 m livre no Mundial. A outra representante feminina na Coreia do Sul é Viviane Jungblut, 23, inscrita para os 800 m e os 1.500 m livre.

O cenário de poucas nadadoras do país classificadas na piscina contrasta com o bom desempenho de Ana Marcela Cunha, 27, nas águas abertas.

Neste Mundial, a baiana ganhou duas medalhas de ouro nas provas de 5 km e 25 km (não olímpicas) e ficou na quinta colocação na maratona aquática dos 10 km, garantindo vaga para disputar a distância nos Jogos de Tóquio.

Principais provas para acompanhar no Mundial de Gwangju

4 x 100 m livre masculino - domingo (21)

A equipe brasileira chega como favorita a um lugar no pódio, mas terá que superar o corte de Gabriel Santos por doping

50 m borboleta masculino - segunda (22)
Aos 39 anos, Nicholas Santos é favorito em busca do seu primeiro ouro em Mundiais de piscina longa

200 m livre feminino - quarta (24)
É a prova feminina mais aguardada da competição por ser a disputa em que a americana Katie Ledecky tem mais concorrentes à altura

50 m peito masculino - quarta (24)
Há boas chances de dobradinha brasileira no pódio, com Felipe Lima e João Gomes Júnior. Mas eles terão a concorrência do britânico Adam Peaty

50 m costas feminino - quinta (25)
Etiene Medeiros tem o melhor tempo do mundo na distância e defenderá o título mundial conquistado em 2017

100 m livre masculino - quinta (25)
Marcelo Chierighini chega com o melhor tempo de sua carreira e o terceiro melhor do mundo no ano, atrás do australiano Kyle Chalmers e do russo Vladislav Grinev

4 x 200 m livre masculino - sexta (26)
Menos cotada que no 4 x 100 m, a equipe brasileira tentará repetir o sucesso obtido no Mundial de piscina curta de 2018

50 m livre - sábado (27)
Bruno Fratus tem o melhor tempo do ano, mas seus concorrentes também são badalados, como o britânico Benjamin Proud e o americano Caeleb Dressel

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