Descrição de chapéu Seleção Brasileira

Tite observa reação de jovens em duelo com a Argentina de Messi

Rodrygo e outros recém-chegados deverão ter chance em amistoso

São Paulo

Sem vencer desde que conquistou a Copa América, em julho, o Brasil voltará a enfrentar a equipe mais forte derrubada no caminho para a taça. Em Riad, na Arábia Saudita, a partir das 14h (de Brasília) desta sexta-feira (15), Tite contará com jovens em mais um duelo com a Argentina, do craque Lionel Messi.

Há vários deles no grupo convocado para os amistosos dos próximos dias no Oriente Médio. O treinador avisou que haverá oportunidades e se mostrou particularmente empolgado com um dos recém-chegados ao grupo. Rodrygo, 18, que chamou a atenção pelo desempenho recente no Real Madrid, tem chance de ser titular no clássico.

“Eu disse a ele que ele tinha que se orgulhar do comportamento. O Rodrygo é um exemplo para um monte de garoto que gostaria de estar na posição dele. Reparei que, quando fez o primeiro gol no Real, foi abraçar o Benzema, que deu a assistência. Quando fez o hat-trick [três gols em um jogo, contra o Galatasaray], não olhou para a câmera. Pegou a bola e beijou”, elogiou Tite.

O atacante Rodrygo espera corresponder à expectativa do chefe - Lucas Figueiredo/CBF

A personalidade do jovem faz dele um candidato à vaga de Neymar, afastado da seleção por contusão. Como Everton, do Grêmio, também não foi convocado –algo que ocorreu com todos os jogadores que atuam no futebol brasileiro–, o paulista tem boas chances de ser escalado ou entrar no decorrer da partida, que terá transmissão de Globo e SporTV.

A formação inicial foi mantida em sigilo, sinal de que o treinador dá bastante importância ao amistoso após três empates e uma derrota. Além de Rodrygo, ele terá como opções o goleiro Daniel Fuzato, 22, os laterais Emerson, 20, e Renan Lodi, 21, o volante Douglas Luiz, 21, e o atacante Wesley, 22, todos com pouca ou nenhuma experiência na seleção.

“Uso a palavra oportunidade propositadamente, porque estamos falando de jogadores com qualidade técnica elevada. Para mim, não serve falar em teste. Temos que aproveitar o atleta em bom momento. Talvez para começar o jogo, a gente já possa dar oportunidades”, afirmou Tite.

O gaúcho fez a ressalva de que não se pode pular etapas, motivo pelo qual algumas dessas oportunidades aparecerão apenas no confronto com a Coreia do Sul, na próxima terça-feira (19), em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos. Será o último jogo do Brasil antes do início das eliminatórias para a Copa do Mundo de 2022.

É momento, portanto, de mostrar serviço. Os jovens chamados por Tite sabem que boas apresentações agora poderão significar espaço nas competições oficiais do próximo ano, que terá também mais uma edição da Copa América, com sede dividida entre Argentina e Colômbia.

Nem tudo, porém, é preparação para o futuro. O comandante considera importante interromper a sequência de maus resultados e sabe que essa tarefa passa por limitar as ações de Messi, novamente no caminho da seleção.

Na última Copa América, o craque de 32 anos teve uma boa atuação, mas parou na trave e nas defesas de Alisson. O Brasil venceu por 2 a 0, no Mineirão, e o eliminado adversário foi embora dizendo que a competição continental estava armada para os donos da casa.

Tite se irritou na ocasião e pediu respeito. Agora, preferiu deixar de lado a rusga de quatro meses atrás e falou com reverência sobre o rival, dizendo estar “sem dormir direito para neutralizar um jogador de capacidade extraordinária”.

“Ele é diferente, tem qualidades técnicas impressionantes. A gente nunca neutraliza um jogador assim. Diminuímos as virtudes”, afirmou o técnico, explicando que essa incumbência não será de apenas um único atleta brasileiro: “Futebol é um esporte coletivo”.

A individualidade, porém, pode fazer a diferença. O próprio Messi, em atuação espetacular em amistoso realizado em 2012, definiu uma vitória por 4 a 3 da Argentina sobre o Brasil, marcando três gols. Foi ele também que resolveu outro triunfo argentino no clássico, em 2010, por 1 a 0.

O craque, no entanto, acumula mais derrotas do que vitórias diante da seleção brasileira. Em dez jogos com o atleta em campo, a Argentina venceu três vezes, empatou uma e perdeu seis. Messi balançou a rede em quatro oportunidades nesses duelos e espera melhorar a marca no King Saud University Stadium.

Messi contra o Brasil

3 vitórias
1 empate
6 derrotas
4 gols marcados

Jogos marcantes

Brasil campeão – 15/7/2007
Brasil 3 x 0 Argentina
Na final da Copa América, o Brasil foi superior. Em Maracaibo, na Venezuela, o time dirigido por Dunga se impôs sobre a Argentina e venceu por 3 a 0, gols de Julio Baptista, Ayala (contra) e Daniel Alves. Messi chegou a marcar, no fim, mas o gol foi bem anulado por impedimento.

Vagner Love e Robinho comemoram o gol contra de Ayala - Vanderlei Almeida/AFP

Show do craque – 9/6/2012
Argentina 4 x 3 Brasil
A boa jornada ofensiva da equipe de Mano Menezes não foi suficiente no amistoso nos Estados Unidos. Rômulo, Oscar e Hulk balançaram a rede, mas Messi marcou três gols. O último deles, um chute de fora da área, no ângulo direito da meta defendida por Rafael, definiu o placar.

Inspirado, Messi só foi parado na pancada no amistoso de 2012 - Mehdi Taamallah/AFP

Queda no Mineirão – 2/7/2019
Brasil 2 x 0 Argentina
Novo encontro com o Brasil na Copa América, nova derrota. Em Belo Horizonte, Messi jogou bem, mas parou na trave e no goleiro Alisson. Gabriel Jesus e Roberto Firmino colocaram a seleção na decisão, rumo ao título, e o craque argentino ficou na bronca, reclamando da arbitragem.

Messi tenta escapar da marcação de Firmino e Coutinho no Mineirão - Nelson Almeida/AFP
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