Federação diz que Paulista será retomado, e clubes acatam decisão

Data, porém, ainda não foi definida, e times menores terão problemas com elencos

São Paulo e Santos

Com a realização de teleconferência nesta quarta (15) com os 16 clubes da Série A1 do Estadual, a FPF (Federação Paulista de Futebol) criou expectativa de um prazo para o reinício do torneio. O encontro virtual serviu apenas para a entidade assegurar que a competição será finalizada em campo, mas não há data para isso. A proposta foi aprovada por todas as agremiações.

Quando acontecer, as equipes que estão fora da lista dos quatro grandes (Corinthians, Palmeiras, Santos e São Paulo), como Santo André (dono da melhor campanha até agora) e Água Santa, voltarão com elencos modificados. Dos 26 inscritos pelo líder, 22 estão sem contrato.

Solteldo (à dir), do Santos, e Arboleda, do São Paulo, disputam bola durante clássico no Morumbi sem público
Solteldo (à dir), do Santos, e Arboleda, do São Paulo, disputam bola durante clássico no Morumbi sem público - Ivan Storti-15.mar.20/Santos FC

As equipes que não tiverem recursos terão de contratar atletas de baixo custo ou promover garotos das categorias de base. Não haverá ajuda financeira da Federação antes do retorno do Estadual. O prazo para inscrever novos jogadores será estendido.

Nenhum dos times recebeu a última quota dos direitos de transmissão da Rede Globo. Livre de impostos, são entre R$ 700 mil e R$ 800 mil para os pequenos.

Na semana passada, a FPF havia enviado um comunicado às agremiações do interior, assinado pelo presidente Reinaldo Carneiro Bastos, afirmando que o Campeonato Paulista seria encerrado dentro de campo, mas que todas as premiações, recursos e quotas a serem pagas estavam suspensas.

“Agora que temos definição, precisamos tratar de renovação de 16 atletas aproximadamente. Precisamos fazer isso de imediato. Já temos alguns nomes listados pensando na Série D [do Brasileiro]”, disse Edson Ermenegildo, presidente do Mirassol, que completou esperar o dinheiro da Globo para quitar a folha de pagamento do elenco.

Ficou definido também que uma nova teleconferência será realizada quando houver uma data viável para a retomada do Estadual, interrompido em 16 de março por causa da pandemia de coronavírus.

Mesmo antes do início do encontro virtual, o consenso entre os clubes, pelo que a Folha apurou, era que a FPF decidiria quase de maneira unilateral o destino do torneio e todos obedeceriam. Tanto que nenhum dirigente se pronunciou para contestar os planos apresentados.

“Você já assistiu a alguma missa e quando o padre fala todo mundo diz ‘amém’? Foi o que aconteceu, ninguém manifestou uma posição contrária”, afirmou Sidney Riquetto, mandatário do Santo André.

Nem mesmo equipes que são favoráveis ao cancelamento do campeonato abriram a boca. Duas delas disseram à reportagem, antes do evento, que seria melhor paralisar de vez o Estadual, mas pediram para não terem os nomes revelados. Durante a teleconferência, se calaram.

A ideia inicial de Carneiro Bastos era, assim que tivesse uma data possível para reiniciar a competição, chamar os presidentes de todas as equipes e chegar a um consenso sobre a melhor maneira de fazê-lo. Nem que fosse necessário mudar o regulamento. No comunicado divulgado à imprensa, a FPF se limitou a dizer que a “Série A1 – 2020 será concluída em campo, conforme estabelece o regulamento da competição”.

A mensagem desta quarta, na avaliação de alguns cartolas, foi para ganhar tempo e dar mais uma amostra de afirmação de que o Paulista não será encerrado em uma canetada.

Restam duas rodadas da fase de grupos a serem disputadas, além das quartas de final, semifinal e os dois jogos da decisão.

O próximo passo será a elaboração de uma cartilha por parte do departamento médico da entidade para distribuí-la aos clubes, com instruções de atividades físicas possíveis, assim como treinamentos recomendados quando a curva de infectados pelo coronavírus cair e estiver no horizonte o reinício do torneio. Há um consenso de que os elencos precisarão de algumas semanas de treinos, como uma pequena pré-temporada, antes de realizarem a primeira partida.

“O campeonato vai ser terminado, sim, são poucos os jogos que faltam, vamos ver em que situação vai voltar. Para cada lugar é diferente, é precoce tudo o que falarmos, daqui a pouco pode não ser nada de verdade. Vou fazer na segunda-feira (20) uma reunião com os médicos dos clubes e do conselho da federação”, disse Moisés Cohen, médico da FPF.

Segundo ele, é preciso ser realista com prazos, mas afirma que o retorno “pode ser” entre o meio e o fim de maio.

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