Imunização é essencial para poder envelhecer bem

Além da vacina contra Covid-19, não podemos nos esquecer das outras que integram o calendário do idoso

  • Salvar artigos

    Recurso exclusivo para assinantes

    assine ou faça login

Maisa Kairalla

Médica geriatra, coordenadora da Comissão Especial Covid-19 da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG) e presidente da Comissão de Imunização da SBGG.

Como seria a realidade se tivéssemos, ao nosso redor e em nosso convívio, a rubéola, a poliomielite, o sarampo e tantas outras doenças infecciosas que a vacinação erradicou ou cujas taxas de infecção foram substancialmente controladas pelas vacinas?

mulher idosa e vacinada no banco de passageiros de seu carro
Idosa é vacinada contra a Covid-19 no Anhembi, em São Paulo, em fevereiro - Danilo Verpa - 28.fev.2021/Folhapress

Sem dúvida, as pessoas centenárias formariam um parcela menor, e a sonhada longevidade seria drasticamente prejudicada.

Temos na lendária pandemia da gripe espanhola em 1918 um dos maiores e melhores exemplos. A mortalidade foi de aproximadamente 20% dos infectados, dizimando grande parte da população mundial e nos deixando distantes de um próspero envelhecimento.

Naquele tempo, a expectativa de vida no Brasil era de apenas 35 anos. Hoje, o Brasil se esmera como um dos países com maior sucesso na vacinação contra a gripe. Estudos internacionais indicam que, em idosos, essa vacina provoca redução da mortalidade em até 50%.

A história nos mostra, nos acalenta e nos ensina que a vacinação é certamente uma das melhores aliadas para o envelhecimento saudável e sustentável. A vacina é ferramenta essencial na promoção da saúde pública.

Sabemos que o processo natural de imunossenescência —isto é, o envelhecimento do sistema imune—nos gera, a partir da terceira década da vida, uma progressiva e lenta incapacidade da resposta imune eficaz, promovendo maior incidência de doenças infecciosas como gripe, herpes zoster, pneumonia, Covid-19, entre outras.

É fato que a idade e as doenças crônicas (como diabetes, insuficiência cardíaca, pneumopatia) somam-se ao cenário de maior vulnerabilidade do organismo.

Não podemos aceitar que a imunossenescência seja entendida como deficiência imunológica que ocasione uma resposta vacinal inadequada. Ainda que os estudos nos mostrem que a eficácia da vacinação em idosos seja menor quando comparada aos jovens, eles também trazem a evidência de que promove queda na taxa de infecções, hospitalizações e mortalidade.

Nestes tempos áridos de pandemia, temos na vacinação a esperança de que poderemos viver novamente livres do medo de infecção e transitar de maneira saudável em nossa comunidade.

Há várias outras promessas medicamentosas, até mesmo tratamentos inovadores. No entanto, é a vacinação a grande responsável pelo sucesso da certeza do controle da Covid-19, trazendo saúde e longevidade.

Dados atuais já apontam que, no Brasil, houve redução de mortes e internações entre os grupos de idosos com mais de 80 anos de idade, os primeiros a serem imunizados no país.

Nunca antes na história da humanidade se fez tão importante a imunização. Vacinar é sinônimo de chegar bem à velhice, com saúde e qualidade de vida. Estar imunizado se tornou condição essencial para poder envelhecer bem.

Imunizados, os idosos estarão mais protegidos e com risco menor de desenvolver complicações decorrentes de infecções, como o SARs-CoV-2.

Devemos ter convicção e resiliência, à espera de uma maior cobertura vacinal, e não podemos nos esquecer de todas as outras vacinas do calendário do idoso. Certamente, estamos no caminho correto, vacinar já para envelhecer melhor.

  • Salvar artigos

    Recurso exclusivo para assinantes

    assine ou faça login

Tópicos relacionados

Comentários

Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.