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08/04/2008 - 14h30

Orlando Silva diz que comprar tapioca com cartão corporativo foi um engano

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GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília

Em depoimento à CPI dos Cartões Corporativos, o ministro Orlando Silva (Esportes) negou nesta terça-feira que tenha usado os cartões de pagamento do governo para despesas pessoais. Silva disse que seus gastos apontados como "irregulares" foram realizados em compromissos oficiais do ministério. Mas reiterou que a compra de uma tapioca de R$ 8,30 com o cartão corporativo ocorreu por "engano".

Silva disse que, no episódio da tapioca, o Ministério dos Esportes constatou a irregularidade no uso do cartão em dezembro do ano passado, antes da notícia ser divulgada publicamente. Por este motivo, disse que já havia "recolhido" (devolvido) o valor à pasta.

"O uso do cartão em Brasília foi detectado pelo controle interno do ministério. Por um engano do uso do cartão pessoal, utilizei o cartão aqui em Brasília, o que não pode ocorrer porque o cartão não pode ser usado em Brasília. Houve o recolhimento de R$ 8,30. Muito antes de qualquer notícia sobre esse assunto, no dia 29 de dezembro de 2007 foi feito o recolhimento. Aliás, me causou estranheza que as notícias ocultaram o recolhimento", afirmou.

Além da compra da tapioca, o ministro é acusado de gastar R$ 20.112, com o cartão, para pagamento de diárias e alimentação. Silva teria usado o cartão corporativo para pagar diárias em um hotel quatro estrelas em Copacabana, no Rio de Janeiro, onde esteve hospedado em um final de semana na companhia da mulher, da filha e de uma babá.

O ministro admitiu na CPI que se hospedou no hotel na companhia da família, mas negou que estivesse de folga no período. Segundo Silva, a presença de sua mulher foi necessária para seguir o protocolo da agenda oficial que cumpriu no Rio de Janeiro.

"De fato, nesse período em especial, estive acompanhado da minha esposa. Homens e mulheres que cumprem funções públicas sabem que alguns momentos o protocolo exige que o titular se faça acompanhar do seu cônjuge. Era o caso dessa agenda. Além da minha esposa, estava comigo a minha filha que tinha nove meses de idade e amamentava", afirmou.

A exemplo da tapioca, Silva disse que no caso da hospedagem no hotel o controle de gastos do ministério também computou que houve pagamento extra para a sua família com o cartão corporativo, por isso devolveu os recursos à pasta. "Quando o controle interno do nosso ministério apurou a informação do custo da hospedagem com custos semelhantes em momentos que me estabeleci naquele hotel, o próprio controle interno identificou que ali exigiria um recolhimento porque houve valor adicional cobrado", justificou.

Sobre os gastos em restaurantes, Silva disse que as despesas foram pagas com cartões corporativos porque se tratavam de reuniões de trabalho. "Em todo o ano de 2007, a utilização de cartão para refeições se deu junto com equipe do ministério ou junto com outras autoridades, sempre em reuniões de trabalho. Eram reuniões que aconteciam, em média, a cada 15 dias", disse.

Após as denúncias de irregularidades, o ministro anunciou a devolução de R$ 30.870,38 ao Tesouro Nacional para ressarcir eventuais despesas que tenha realizado com o cartão desde que assumiu o ministério, em maio de 2006.

Desabafo

Em um tom de desabafo, Silva disse à CPI que sempre se portou de maneira ética no comando da pasta ao afirmar que houve "distorções" nos fatos noticiados pela imprensa nacional.

"Tomei decisão de recolher aos cofres públicos todas as despesas utilizadas por mim com os cartões corporativos. Foi uma atitude política, um gesto político, que refletiu a minha indignação. Eu percebi que havia uma escalada na distorção de informações que envolvia a minha própria reputação e a minha família. O meu patrimônio é minha família e minha história política. Não poderia tolerar ataques à minha honra, minha ética", enfatizou.

Segundo o ministro, grande parte de suas despesas foram registradas em finais de semana porque as atividades esportivas se concentram nesses períodos. "Sábado e domingo talvez sejam os dias principais para eventos esportivos. Folga é uma palavra que não é muito presente na agenda de ministro de Estado, assim como não é muito presente na agenda de parlamentares", afirmou.

Comentários dos leitores
Eduardo Giorgini (345) 12/10/2009 11h02
Eduardo Giorgini (345) 12/10/2009 11h02
"Oposição critica sigilo em gastos do governo após análise das informações no TCU"
Pela lógica, as fichas para corrupção do PT vem da éra FHC ou Serra?
Uma equação um tanto estranha para justificar as falcatruas do PT.
A culpa é de Serra entao?
[]s
Eduardo.
sem opinião
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Luís da Velosa (1172) 18/08/2009 07h48
Luís da Velosa (1172) 18/08/2009 07h48
Cartão Corporativo... mais atos secretos. Cadê a transparência?! Meu Deus, que horror! Quanto cinismo! Quanta corrupção! sem opinião
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Monica Rego (311) 17/08/2009 15h49
Monica Rego (311) 17/08/2009 15h49
La vem a mídia conservadora e os demos tucanos, com memória curta já devem ter se esquecido do serra-card ou alguma coisa mudou?!
Ainda veremos muito tucano e demos pfl na cadeia e o povo paulista, mineiro, gaúcho pedindo desculpas por tamanha ignorância...!!!
33 opiniões
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