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08/03/2006 - 07h58

Prostitutas vão administrar rádio FM em Salvador

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LUIZ FRANCISCO
da Agência Folha, em Salvador

Depois da Daspu --grife lançada por prostitutas cariocas para produzir roupas básicas, de festa e de batalha--, as profissionais do sexo ganharam um veículo para expor as suas idéias.

A Aprosba (Associação das Prostitutas da Bahia) anunciou na noite de terça-feira (7) que vai explorar uma rádio FM, cuja concessão foi obtida por meio de um convênio com o Ministério da Cultura.

A emissora, que deve entrar em operação até o final de abril, será a primeira rádio explorada por uma associação de prostitutas no Brasil, segundo a coordenadora-geral da entidade, Fátima Medeiros, 38.

"Exercemos a nossa profissão com dignidade, mas não somos respeitadas pela sociedade. Sempre tivemos pouco espaço na mídia, a não ser quando há a ocorrência de crimes envolvendo prostitutas. Vamos usar a rádio para veicular programas voltados basicamente para a nossa categoria."

De acordo com Medeiros, a emissora vai funcionar no Pelourinho (centro histórico), em um casarão que atualmente serve de sede para a associação. "Os técnicos do Ministério da Cultura já visitaram o local e sugeriram as modificações que vamos fazer para que os aparelhos sejam instalados."

Medeiros disse que vai pedir que as próprias prostitutas definam o nome da emissora. "Não sei se a proposta será aceita pelo Ministério das Comunicações, mas o nome de fantasia da emissora será Zona FM." A idéia de administrar uma emissora de rádio surgiu no final do ano passado.

"Como sempre fazemos palestras para estudantes, discutimos a possibilidade de propagar as nossas ações através de uma emissora de rádio. Hoje, no Brasil, existem rádios em nome de políticos, empresários, comerciantes e médicos, por exemplo. Por que as prostitutas não podem ter um canal a sua disposição?"

Sem nenhuma experiência para colocar a emissora no ar, a Aprosba informou que pretende "contratar" professores universitários e voluntários como locutores e técnicos. "Também vamos treinar algumas prostitutas que levam mais jeito para falar em público."

Segundo Medeiros, em seus oito anos de existência, a Aprosba sempre participou de programas vinculados à saúde. "Já assinamos vários convênios com órgãos federais, estaduais e municipais. São esses acordos que têm permitido o acesso de nossas filiadas a palestras e cursos, principalmente sobre a prevenção das doenças sexualmente transmissíveis."

Com 3.000 associadas em Salvador --a Aprosba estima em 5.000 o número de prostitutas na capital baiana--, a entidade também não descarta a possibilidade de recorrer à iniciativa privada para colocar em funcionamento a emissora de rádio.

"Se precisar pedir dinheiro para empresários, vamos pedir. A nossa causa é justa. Agora que ganhamos a concessão, não vamos desistir jamais. Queremos demonstrar que as prostitutas também são pessoas dignas, que exercem uma profissão como qualquer outra."

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