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07/08/2006 - 09h20

Nova série de atentados atinge prédios públicos em São Paulo

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da Folha Online

Uma nova série de ataques a forças de segurança e alvos civis atribuída ao PCC (Primeiro Comando da Capital) ocorreu no começo da manhã desta segunda-feira, em São Paulo, principalmente das 4h às 5h. Diversas agências bancárias foram atingidas por tiros ou incendiadas. Houve ao menos cinco ataques também em Jundiaí (60 km a noroeste de São Paulo). Dois ficaram feridos.

Por medo dos ataques, as cooperativas de microônibus e vans que operam na zona leste e em parte da zona norte de São Paulo recolheram as frotas. Houve ao menos dois na capital e mais de dez na Grande São Paulo.

Rosa Bastos/Folha Imagem
Incêndio provocado por ataque criminoso atinge banco na zona norte de São Paulo
Incêndio provocado por ataque criminoso atinge banco na zona norte de São Paulo
De acordo com informações preliminares da PM (Polícia Militar), dois homens foram presos na avenida Mateo Bei, em São Mateus (zona leste), depois de atearem fogo a um ônibus. Com eles teriam sido apreendidas uma metralhadora e uma espingarda calibre 12.

O pior ataque foi contra a sede do Ministério Público Estadual, na rua Riachuelo, no centro de São Paulo. Uma bomba de fabricação caseira foi atirada contra a entrada do prédio. O impacto da explosão destruiu a fachada e estilhaçou, inclusive, janelas dos prédios vizinhos.

Uma bomba caseira atingiu outro prédio na mesma região, o da Secretaria de Estado da Fazenda, localizado na avenida Rangel Pestana, ao lado do Poupatempo Sé.

Outro ataque ocorreu no próprio Deic (Departamento de Investigação sobre o Crime Organizado), em Santana (zona norte de São Paulo). Dois carros da Polícia Civil que estavam estacionados foram incendiados. Devido à ação, a avenida Zaki Narchi foi interditada e o policiamento, reforçado.

Uma base da GCM (Guarda Civil Metropolitana) foi atacada na rua São Caetano do Sul, em Capela do Socorro (zona sul de São Paulo). Dados preliminares indicam que os ocupantes de um carro atiraram no prédio.

Na cidade de São Paulo, ao menos três postos de gasolina instalados em bairros nobres foram atacados. Um deles na rua Cerro Corá, na Lapa; e outros dois na rua Alagoas e na rua Conselheiro Brotero, em Higienópolis --todos na zona oeste da cidade.

Os criminosos atacaram ainda um supermercado Compre Bem, no Carrão (zona leste de São Paulo).

Bancos

Diversas agências bancárias foram atacadas quase simultaneamente em todas as regiões da cidade de São Paulo. O maior número de ataques ocorreu na zona sul.

Na zona sul, foram atacadas uma agência na rua São João da Boa Vista, em Americanópolis; um Bradesco na avenida do Cursino, na Vila Clementino; um Itaú na avenida do Jabaquara, no Jabaquara; e uma agência do Bradesco na avenida Comendador Santana, no Capão Redondo.

Na zona norte, uma agência instalada na rua Conselheiro Moreira de Barros foi incendiada. Na zona leste, os ocupantes de um EcoSport invadiram uma agência do Unibanco e a incendiaram, na Vila Prudente. Uma agência do Banco do Brasil foi atacada na rua Maciel Monteiro, na Vila Santa Teresa.

No centro, uma agência do Unibanco que fica na rua Gabriel dos Santos, em Santa Cecília, também foi atingida.

Violência

Esta é a terceira série de ataques contra forças de segurança e alvos civis --como agências bancárias, postos de gasolina e ônibus-- promovida pelo PCC, desde o começo do ano.

Os primeiros atentados ocorreram entre os dias 12 e 19 de maio. Foram 299 ações, incluindo incêndios a ônibus. Simultaneamente, uma onda de motins atingiu 82 unidades do sistema penitenciário paulista. Na ocasião, a onda de violência foi interpretada como uma resposta à decisão do governo estadual de isolar líderes da facção criminosa.

Nos dois meses seguintes, criminosos mataram 16 agentes penitenciários, de acordo com o sindicato que representa a categoria.

Uma segunda série de ataques ocorreu entre os últimos dias 11 e 14 de julho. Desta vez, os principais alvos foram os ônibus. Quase cem foram incendiados ou atacados a tiros, em todo o Estado. Durante os ataques, prédios públicos e particulares, agências bancárias, lojas e agentes de segurança também foram atacados. Oito morreram.

Colaboraram GABRIELA MANZINI, da Folha Online, e RACHEL AÑÓN, da Agência Folha

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