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25/05/2004
-
16h33
FÁBIO TAKAHASHI
da Folha Online
O Conselho Universitário da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) aprovou nesta terça-feira (25) proposta que deve aumentar para cerca de 38% a parcela de alunos do ensino médio público na instituição.
A partir do próximo processo seletivo, o estudante que cursou todo o ensino médio na rede pública ganhará 30 pontos na NPO (Nota Padronizada de Opção), nota que contabiliza o desempenho nas duas fases no vestibular e os pesos das disciplinas de acordo com o curso escolhido; os que se declararem negros, pardos ou indígenas, que também tenham estudado em escola pública, terão 10 pontos adicionais (40 no total).

No último vestibular, as NPOs dos classificados para a segunda fase variaram de 200 a 800 pontos. De acordo com o professor Renato Pedrosa, que participou da elaboração do sistema, o aumento de ingressos da rede pública poderá mudar em relação à projeção inicial (38%). "Fizemos os cálculos com base nos números do vestibular 2004. Para o próximo, poderá haver uma variação, uma vez que mais estudantes dessa rede devem concorrer devido à mudança."
No processo seletivo deste ano, 28% dos matriculados foram egressos do ensino público.
De acordo com Pedrosa, a maior variação entre os aprovados deverá acontecer nos cursos mais concorridos, em que poucos pontos definem o ingresso.
O Grupo de Trabalho sobre Inclusão Social da universidade (GTIS), que criou o método, afirma no texto da proposta que a medida visa "incentivar o acesso à universidade para os candidatos que cursaram o ensino médio na rede pública" e até "melhorar a qualificação acadêmica dos alunos que compõem seu corpo discente".
Para isso, o grupo cita a pesquisa, antecipada pela Folha Online no final de março, que constatou que os alunos que fizeram o ensino médio na rede pública tendem a ter um desempenho melhor que os da particular, se comparados os estudantes com notas parecidas no vestibular.
Segundo o professor Pedrosa, na média, os universitários provenientes da rede pública têm um desempenho 4% a 5% acima em relação aos da particular.
Os alunos que serão beneficiados com o novo método de seleção não terão seus nomes identificados publicamente; a participação no sistema será opcional.
MEC
O grupo entendeu que, ao simplesmente se reservar uma parcela das vagas a um determinado perfil de alunos, fere-se a autonomia universitária e ainda há a ameaça de queda no desempenho. O Ministério da Educação defende a política de reserva, conhecida como "cotas".
O MEC mandou projeto de lei ao Congresso que visa destinar 50% das vagas nas universidades federais a alunos da rede pública de baixa renda; dentro dessa porcentagem, deverão ser destinadas partes a negros, pardos e índios, seguindo a proporção apresentada no último Censo em cada Estado.
A medida, mesmo se aprovada, não será imposta à Unicamp, USP (Universidade de São Paulo) e Unesp (Universidade Estadual Paulista), já que essas instituições são do governo estadual.

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Artigo: Inclusão social, cotas e autonomia universitária
Movimentos de estudantes pedem que USP siga exemplo da Unicamp
Unicamp aprova método para inclusão de alunos da rede pública
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da Folha Online
O Conselho Universitário da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) aprovou nesta terça-feira (25) proposta que deve aumentar para cerca de 38% a parcela de alunos do ensino médio público na instituição.
A partir do próximo processo seletivo, o estudante que cursou todo o ensino médio na rede pública ganhará 30 pontos na NPO (Nota Padronizada de Opção), nota que contabiliza o desempenho nas duas fases no vestibular e os pesos das disciplinas de acordo com o curso escolhido; os que se declararem negros, pardos ou indígenas, que também tenham estudado em escola pública, terão 10 pontos adicionais (40 no total).

No último vestibular, as NPOs dos classificados para a segunda fase variaram de 200 a 800 pontos. De acordo com o professor Renato Pedrosa, que participou da elaboração do sistema, o aumento de ingressos da rede pública poderá mudar em relação à projeção inicial (38%). "Fizemos os cálculos com base nos números do vestibular 2004. Para o próximo, poderá haver uma variação, uma vez que mais estudantes dessa rede devem concorrer devido à mudança."
No processo seletivo deste ano, 28% dos matriculados foram egressos do ensino público.
De acordo com Pedrosa, a maior variação entre os aprovados deverá acontecer nos cursos mais concorridos, em que poucos pontos definem o ingresso.
O Grupo de Trabalho sobre Inclusão Social da universidade (GTIS), que criou o método, afirma no texto da proposta que a medida visa "incentivar o acesso à universidade para os candidatos que cursaram o ensino médio na rede pública" e até "melhorar a qualificação acadêmica dos alunos que compõem seu corpo discente".
Para isso, o grupo cita a pesquisa, antecipada pela Folha Online no final de março, que constatou que os alunos que fizeram o ensino médio na rede pública tendem a ter um desempenho melhor que os da particular, se comparados os estudantes com notas parecidas no vestibular.
Segundo o professor Pedrosa, na média, os universitários provenientes da rede pública têm um desempenho 4% a 5% acima em relação aos da particular.
Os alunos que serão beneficiados com o novo método de seleção não terão seus nomes identificados publicamente; a participação no sistema será opcional.
MEC
O grupo entendeu que, ao simplesmente se reservar uma parcela das vagas a um determinado perfil de alunos, fere-se a autonomia universitária e ainda há a ameaça de queda no desempenho. O Ministério da Educação defende a política de reserva, conhecida como "cotas".
O MEC mandou projeto de lei ao Congresso que visa destinar 50% das vagas nas universidades federais a alunos da rede pública de baixa renda; dentro dessa porcentagem, deverão ser destinadas partes a negros, pardos e índios, seguindo a proporção apresentada no último Censo em cada Estado.
A medida, mesmo se aprovada, não será imposta à Unicamp, USP (Universidade de São Paulo) e Unesp (Universidade Estadual Paulista), já que essas instituições são do governo estadual.

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