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19/02/2007 - 13h09

Campanha afasta funcionárias nos EUA por comentários em blogs

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JOCELYNE ZABLIT
da France Presse, em Washington

A polêmica gerada por dois blogs, criados por funcionárias que trabalhavam na campanha presidencial do democrata John Edwards, revela os riscos que os candidatos enfrentam ao usar a internet para captar votos.

As blogueiras Amanda Marcotte e Melissa McEwan renunciaram em meio à ira gerada pela suposta retórica anticatólica divulgada em suas páginas pessoais antes de se unirem à campanha de Edwards, no mês passado.

A Liga Católica, um poderoso grupo conservador integrado por 350 mil pessoas, exigiu que Edwards demitisse as duas mulheres e ameaçou lançar uma campanha contra sua candidatura.

Marcotte e McEwan disseram, no entanto, que Edwards não pediu a renúncia, mas elas tomaram a decisão com a finalidade "de não causar ainda mais danos à campanha".

Comentaristas políticos e especialistas disseram que o incidente ilustra o terreno perigoso que espera os candidatos quando se lançarem à busca por voto jovem e especializado em tecnologia.

"Este vai ser, provavelmente, o ano em que aprenderemos e criaremos novas regras sobre como integrar todas estas tecnologias interativas, como os blogs, Facebook ou YouTube, às campanhas eleitorais",disse David Perlmutter, professor e decano associado da escola de jornalismo da Universidade do Kansas.

"Neste momento, muitas pessoas experimentam e especulam e realmente só inventam à medida que avançam, mas aprenderemos algumas lições... porque ninguém tem um livro de regras escrito neste momento", afirmou Perlmutter, autor de "Blogwars: The New Political Battleground" (Guerra de Blogs: o novo campo de batalha política).

Ele disse que o incidente em torno de Edwards levará os gerentes de campanha a serem mais agressivos na investigação sobre o passado de seus blogueiros, para trazer à luz qualquer coisa que possa gerar controvérsia. "Todos os candidatos perguntarão a seus gerentes de campanha: 'Revisou o passado desta gente?'", explicou.

Também forçará os políticos a levarem em conta os riscos de contratar blogueiros veteranos, cujos comentários na mais permissiva blogosfera podem ser um problema no mundo da política nacional.

"Está bastante claro que temos que trabalhar em um grupo básico de regras e normas sobre como eles se integrarão no mundo político e da mídia tradicional", disse Lee Rainie, diretor do projeto Pew para a internet e a vida americana. "A divisão entre ser um comentarista ou ativista e um jornalista independente esteve clara durante muito tempo nos Estados Unidos, mas não é tanto na era do blog", acrescentou.

No caso de Marcotte e McEwan, os comentários que causaram problemas foram feitos antes de elas entrarem na campanha de Edwards, em janeiro.

Marcotte criticou em seu site, Pandagon, a oposição da Igreja ao controle de natalidade, que segundo ela obriga as mulheres a "levarem o dízimo aos católicos". McEwan, por sua vez, se referiu ao apoio religioso ao presidente George W. Bush como "louca base cristo-fascista" em seu blog, denominado Shakespeare's Sister (Irmã de Shakespeare).

Estes e outros comentários despertaram a ira do presidente da Liga Católica, William Donohue, que descreveu suas autoras como "anticatólicas, vulgares e fanáticas que falam lixo".

Rainie disse que o episódio não calará os blogueiros, mas servirá de advertência àqueles que passem para a arena política. "Muitas relações, inclusive as benignas, podem ser exploradas sob circunstâncias equivocadas", disse. "E todo mundo deve ter mais cuidado e ser mais transparente sobre estas coisas em um ambiente onde o passado das pessoas pode ser vasculhado no Google."

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